Quem é digno de abrir o livro? Ap 5
Introdução
Quando olhamos para o mundo
vemos duas histórias. Primeiro, temos a história que Deus permite e a história
que Deus produz. A história secular é a história que Deus permite, é a história
humana, é a história das grandes civilizações, é a história do homem. É uma
história linear, dividida pelos historiadores em história antiga, história
medieval, história moderna e história contemporânea. Essa história exalta o
homem, suas realizações e suas grandes conquistas.
No livro de Daniel, capitulo
8, temos um retrato da civilização humana, em forma de animais. Quando fala do império
grego, ou, o império de Alexandre, o grande -, representando pelo bode! Ou
seja, para Deus, essas civilizações são passageiras, são finitas, vivem na margem,
tem um começo e tem um fim. E, tudo se acaba, desvanece.
E, por fim, tem a história
que Deus produz. Que é a história determinada por Deus, a que Deus faz
acontecer. O livro de apocalipse, no capitulo 5, está fechado, selado por
dentro e por fora. A medida que cada selo é aberto, algo acontece, Deus
intervendo na história humana, ou, podemos afirmar, a irrupção de Deus na vida
dos homens.
1)
Uma cena
“E VI, da dextra do que
estava assentado sobre o trono, um livro, escrito por dentro e por fora, selado
com sete selos” (Ap 5.1 ARC). O apostolo João, preso na ilha
de Patmos, vê um livro fechado, selado com sete selos, é a história que Deus
produz, é a intervenção do Eterno na vida de homens e mulheres; é quando o céu
baixa, é quando o céu desce, é quando o soberano
do Universo responde, diante de todas as calamidades da história de homens ímpios.
Deus é Deus, Deus é Alfa e o
Omega, Ele é o começo e o Fim de todas as coisas. Os “sete selos” fala da completude
da história humana, seu começo e seu fim; “sete chifres” fala que Deus é Todo
Poderoso, não há ninguém como Ele; “sete olhos” e “sete espíritos” fala de sua
presença, aliás, da sua onipresença. Ele está em toda parte, é impossível o
homem se esconder da face do Eterno.
O apostolo João diz: “Vi,
também, um anjo forte, que proclamava com voz forte: Quem é digno de quebrar os
selos e abrir o livro” (Ap 5.2). E continua dizendo: “Mas no céu não havia ninguém,
nem na terra, nem debaixo da terra, que pudesse abrir o livro e olhar para ele”.
Percebe uma angustia profunda diante dessa cena. “quem és digno de abrir o
livro? Pergunta o anjo poderoso. Mas não havia ninguém, no céu, na terra e
debaixo da terra...
“Não havia ninguém no céu”. Nem
anjos, nem arcanjos, nem querubins, nem Gabriel, nem Miguel etc. Nem Abraão,
nem Isaque, nem Jacó, nem Moisés, nenhuma profeta do Antigo Testamento eram
aptos de abrir o livro e desatar os sete selos.
“Não havia ninguém na terra”. Nenhum
homem, nenhum poderoso, nenhum ditador, nenhum presidente, nenhum caridoso,
nenhum empresário, nenhum banqueiro, nenhum cientista, nenhum Papa. Por quê?
Todos são como Belsazar.
Por quê? Todos são como Belsazar: “Mene, mene, Tequel, Urpasim”: pesados na balança
e achado em falta”. A Biblia diz que “todos pecaram e destituídos estão da presença
de Deus” (Rm 3.23).
“Não havia ninguém debaixo
da terra”. Ninguém no Sheol, lugar do mortos, ninguém no Hades, lugar
de sofrimento. Ninguém, nem diabo, nem demônios, nem Anticristo, nem besta, nem
espíritos atormentadores. Debaixo da terra ninguém foi achado digno de abrir o
livro e desatar os setes selos.
Diante disso, diz o texto: “Eu
chorava muito, pois ninguém fora achado digno de abrir o livro nem de olhar
para ele”. É uma linguagem de desespero, de profundo lamento, por uma situação
que visivelmente não havia solução. Surgem perguntas? Será que tudo caminha
para o caos? Será que realmente somos homo sapiens, que viemos de uma criação
casual? Será que o mundo será esfacelado? Será que a história está a deriva? Há
alguém capaz de abrir o livro e desatar os sete selos?
2)
Esperança
“Então um dos anciãos me
disse: Não chores! Eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para
abrir o livro e desatar os sete selos e abrir o livro” (Ap 5.5). Sim, Ele é o
leão da tribo de Judá, Ele vem da descendência de Davi; Ele é o cumprimento da
profecia de Jacó, quando disse: “...o cetro não se arredará de Judá até que
venha siló” (Gn 48.8-9). Sim, Ele é o cumprimento de todas as profecias...
No livro de genesis: ele é o
descendente da mulher, pisaria na cabeça da serpente
No livro de Exodo: ele é o
cordeiro pascal, o sangue nos protege, nos limpa, purifica
No livro de Levitico: ele é o
sacrificio expiatório, sim expiaria o pecado do mundo
No livro de Deuteronomio: ele
é o profeta, não um simples profeta, mas Deus.
No livro de Josué: ele é o
capitão do exercito do Senhor, ele é general de guerra.
No livro de Juizes: ele é o
libertador sem pecado
No livro de 1 Sm, 2 Sm, 1 Rs e
2 rs 1 Cr e 2 Cr: ele é o rei prometido
No livro de Esdras, neemias e
Ester: ele aquele que restaura nossa sorte, que restaura nossa vida.
No livro de Jó: ele é o meu
redentor que se levantará sobre a terra
No livro de salmos: ele é a
nossa alegria, nosso socorro na hora bem presente.
No livro de Proverbios: ele é
a sabedoria do mundo
No livro de Eclesiastes: ele é
sentido da vida
No livro de Cantares: ele é o
amado da nossa alma
Nos profetas maiores e
profetas: é o messias prometido
Nos evangelhos: ele é o
salvador do mundo
No livro de Atos dos
Apostolos: ele é a pedra angular, rejeitado por muitos, mas aceita pela igreja
Nas epistolas paulinas: ele é
o cabeça da igreja, a igreja é o corpo, mas quem manda é o cabeça, Jesus Cristo
Nas epistolas gerais: ele é a
nossa esperança em um mundo de perseguição.
No livro de apocalipse. ele é
alfa e o omega, ele é todo poderoso, é o Senhor da história que virá para
buscar a sua igreja.
Conclusão
“Um
cordeiro que parece ter estado morto”. É o cordeiro prometido, é o cordeiro
do sacrifício. João Batista quando batizava no rio Jordão viu Jesus se
aproximando e lhe disse: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.
Sim, Ele é o cordeiro que foi sacrificado, que foi moído pelos nossos pecados. É
o cordeiro que morreu na cruz pelos nossos pecados, mas no terceiro dia,
ressuscitou. Ele diz para João: “Não tenhas medo, eu sou o primeiro
e o último; eu sou o que vive e estive morto, mas eis que estou vivo para toda
a eternidade! Eu possuo as chaves da morte e do inferno” (Ap 1.17-18).