terça-feira, 15 de agosto de 2017

Pais e Filhos – Efesios 6.1-4         
         


Introdução: V.18: “...Enchei-vos do Espírito Santo”. Quatro coisas para sermos cheios do Espírito Santo. 1) falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; 2) cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração; 3) Dando sempre graças por tudo ao Nosso Deus e Pai e 4) sujeitando-vos uns aos outros no temor do Senhor.

As mulheres sejam submissas a seus próprios maridos, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher”.
“Maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse”.

1)    O dever dos filhos (vs. 1-3). 


“Filhos, obedecei a vossos pais...”.  Filho “obedecei”, mulheres serdes “submissas”. A submissão é diferente da obediência. Pois submissão é uma entrega voluntária de si mesma àquele que a ama, cuja responsabilidade é definida em termos de cuidado construtivo; a responsabilidade do amor é amar.

Três motivos para a obediência dos filhos num lar cristão: a natureza, a lei e o evangelho.

Primeiramente, a natureza: “filhos, obedecei aos vossos pais... pois isto é justo”. Faz parte da lei natural que Deus escreveu em todos os corações humanos. Os moralistas pagãos, tanto os GREGOS E ROMANOS, a ensinavam. Vemos na cultura oriental, uma das maiores ênfases de Confúcio foi dada ao respeito filial; os costumes chineses, coreanos e japoneses continuam a refletir essa tendência. Não nos surpreendemos nem um pouco, quando Paulo inclui “desobediente aos pais” como uma marca tanto da sociedade decadente que foi entregue  à sua própria impiedade por Deus, como daquela dos últimos dias, que começaram com a vinda de Cristo (Rm 1.28-30; 2 Tm 3.1-2).   


Em segundo lugar, a obediência faz parte da lei revelada por Moisés. “Honra teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e seja de longa vida sobre a terra”. Nesta citação, Paulo livremente funde o texto grego de Exodo 20.12 (“honra teu pai e a tua mãe, para que sejam longos os teus dias...”) e Deuteronômio 5.16 (“para que te vá bem”). Muitos cristãos dividem o Decálogo em duas metades desiguais, os quatro primeiros mandamentos – nosso dever para com Deus, e os outros seis, o nosso dever ao nosso próximo. No entanto, os judeus ensinavam regularmente que da cada uma das duas tábuas da lei contém cinco mandamentos. Então, coloca a honra aos nossos pais no âmbito do nosso dever para com Deus. Moises foi ordenado a dizer a Israel: “santo sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo. Cada um respeitará a sua mãe e a seu pai”. Penalidade (Lv 20.9; Dt 21.18-21). 

O apostolo Paulo, lembra a seus leitores que o mandamento no sentido de honrar aos pais  É O PRIMEIRO MANDAMENTO COM PROMESSA, e passar a citar a promessa da prosperidade e da vida longa. A respectiva promessa era a prosperidade material (“para que te vá bem”) e a longevidade (“ e sejas de longa vida sobre a terra”).


O mandamento é incondicional? E para quem é dirigido? Devem os filhos fazer absolutamente tudo quanto os pais mandem que façam? O que acontece se eles conhecem a Cristo, ao passo que os pais, permanecem incrédulos? Se os pais os proíbem se seguir a Cristo ou de filiar-se à comunidade cristã, estão obrigados a obedecer? Pode ter sido exatamente uma situação tal como esta que Jesus teve em mente quando advertiu sobre conflitos de famílias em que pais e filhos ficariam opostos uns aos outros, e nossos inimigos estariam em nosso próprio lar (Mt 10.34-39).

Quem são estes filhos que devem obedecer aos pais? Paulo está se dirigindo a crianças bem pequenas, e a meninos e meninas? Ou inclui todos os jovens que ainda não se casaram e continuam no lar paterno? Na nossa sociedade ocidental, os jovens chegam à maioridade de dezoito anos para vinte um. Mas, enquanto estiver debaixo do teto dos  pais lhes devemos obediência. Depois de casado, não deve mais obediência aos pais, mas HONRA. Se os honrarmos como devemos, nunca os negligenciaremos nem nos esqueceremos deles. Muitas culturas, zelam pelos pais idosos de maneira muito mais conscienciosa e cuidadosa do que a maioria de nós, que vivemos no chamado ocidente cristão.

Em terceiro lugar, “obedeceis vossos pais no Senhor”. O que significa? Traz a obediência dos filhos para o âmbito do dever especificamente cristão, e colocam sobre os filhos a responsabilidade de obedecer aos pais por causa do seu próprio relacionamento com o Senhor Jesus Cristo. No Senhor ainda há maridos e esposas, pais e filhos.  A queda causou uma devastação nos lares. Os relacionamentos se desfizeram. A sociedade foi fracionada. O amor foi pervertido em conscupiscência,e a autoridade em opressão. Mas agora, no Senhor, mediante a sua obra reconciliadora, a nova sociedade de Deus começou, continuando a velha no âmbito da vida familiar.

2)    O dever dos pais. 


“Na chefia da família romana... havia o pater famílias, que exercia uma autoridade soberana sobre todos os membros da família. Ele não somente castigava mas matava os recém nascidos e abandona os filhinhos. Ele poderia vender os filhos como escravos, como fazer os membros trabalhar em seus campos, poderia tomar a lei nas suas próprias mãos, pois a lei assim lhe facultava, e podia castigar como queria, até mesmo aplicando a pena de morte ao seu filho, se quisesse”.

Uma exortação negativa Paulo também dá: “Não provoqueis vossos filhos à ira (v.4), ou “Não vivam reprendendo e irritando seus filhos, deixando-os irados e rancorosos”.  O que sabemos é que os pais PODEM FACILMENTE ABUSAR DA AUTORIDADE, por fazerem exigências irritantes ou absurdas. Podem humilhar e oprimir os filhos ou fazer uso de duas armas: A IRONIA E A RIDICULARIZAÇÃO. QUANTOS JOVENS IRADOS, HOSTIS À SOCIEDADE EM GERAL, APRENDERAM A HOSTILIDADE COMO CRIANÇAS NUM LAR QUE NÃO LHES FOI SIMPÁTICO?

Por outro lado, quase nada leva a personalidade da criança a florescer, seus dons a se desenvolverem, como o encorajamento positivo de pais amorosos e compreensivos.
O PAI DOMINANTE QUE EXERCIA SUA AUTORIDADE PARA SEUS PROPRIOS FINS NÃO TEM O DIREITO DE REIVINDICAR A AUTORIDADE CRISTÃ, ASSIM COMO O FILHO REBELDE. UM ESTÁ ABUSANDO DA AUTORIDADE, O OUTRO ESTÁ ZOMBANDO DELA.

Uma história: um texano, Jordan Benedict. Dono de um rancho de gado, com dois milhões e meio de alqueires, fica furioso  porque o seu filhinho Jordy, com três anos de idade, não se dá com cavalos. Quando o menino é montado num deles, vestido com o uniforme completo de “comboy”, chora para descer. Seu pai fica irado: “Eu montava cavalo antes de saber andar”, diz ele. “Muito bem”, respondeu sua esposa, Leslie, “era muito bonitinho, mas trata-se de você. Aqui temos outra pessoa, que talvez não goste de cavalos...” “ELE É BENEDICT”, o pai retruca, “e vou fazer dele um cavaleiro mesmo se tiver de amarrá-lo para conseguir”. “Voce tem agido como se fosse Deus por tanto tempo que pensa que dirige o mundo”, respondeu sua esposa. “Dirijo a parte dele que é minha”. “Jordy não é só seu. É seu e meu. E nem sequer só nosso. Ele é de si mesmo...”.

Uma exortação positiva: “Criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor”. O verbo criar significa literalmente “nutrir” ou “alimentar” e foi usado em Efesios 5.29 acerca dos cuidados que damos ao nosso próprio corpo. A tradução de João Calvino é: “Sejam acalentados com afeição, tratai deles com brandura”. AS CRIANÇAS SÃO CRIATURAR FRAGEIS QUE PRECISAM DA TERNURA E DA SEGURANÇA E DO AMOR. “Se os pais dedicassem tanta atenção  à criação dos seus filhos quanto dedicam a criação de cachorros e flores, a situação seria muito diferente”. Martin Loyde Jones.

COMO, POIS, OS PAIS DEVEM CRIAR OS FILHOS? RESPOSTA: na disciplina e na admoestação do Senhor.  A palavra admoestação refere-se à educação verbal, ao passo que a palavra disciplina (paidea) significa treinamento por disciplina, até mesmo castigo. “Paidea” (disciplina) é treinamento em que a ênfase  recai na correção dos jovens.

Olha o que diz o Antigo Testamento sobre a disciplina: “o que retem a vara odeia ao seu filho, mas o que ama, cedo o disciplina”. Outra vez, “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela” (Pv 13.24; Pv 22.15; veja também Pv 23.13-14 e 29.15).  É sempre errado disciplinar os filhos quando estão zangados, quando seu orgulho foi ferido, ou quando perderam o controle.

Conclusão: 

“AO DISCIPLINAR UMA CRIANÇA, VOCE DEVE TER PRIMEIRAMENTE CONTROLADO A SI MESMO. QUE DIREITO TEM VOCE DE DIZER AO SEU FILHO QUE ELE PRECISA DE DISCIPLINA QUANDO VOCE OBVIAMENTE ESTÁ PRECISANDO DELA TAMBÉM? O AUTOCONTROLE, O CONTROLE DO SEU PROPRIO GENIO, É UMA condição essencial no controle dos outros.



terça-feira, 8 de agosto de 2017


Maridos e Esposas.  Ef 5.22-33



Introdução: V.18: “...Enchei-vos do Espírito Santo”. Quatro coisas para sermos cheios do Espírito Santo. 1) falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; 2) cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração; 3) Dando sempre graças por tudo ao Nosso Deus e Pai e 4) sujeitando-vos uns aos outros no temor do Senhor.

1)    Submissão 


As mulheres são mencionadas antes do maridos, para serem instruídas a serem submissas as eles (v.22); os filhos são mencionados antes dos pais, e instruídos a lhes obedecer (6.1) e os escravos são chamados antes dos seus senhores, e instruídos a obedecer a eles (6.5).  Diante disso, aprendemos três verdades relevantes: 1) a dignidade da condição da mulher, da criança e do servo; 2) a igualdade diante de Deus de todos os seres humanos, independentes da raça, de posição, de classe, de cultura, de sexo ou de idade, porque todos são feitos à sua imagem (Gl 3.28); terceiro, unidade ainda mais profunda de todos os crentes cristãos, como membros em comum da família de Deus e do corpo de Cristo (Rm 12.5).

Surge uma pergunta: de onde vem a autoridade do homem? Em primeiro lugar, vem de Deus. O DEUS DA BIBLIA É UM DEUS DE ORDEM, e no seu ordenar da vida humana estabeleceu certos papéis de liderança e autoridade. Manda as esposas serem submissas aos respectivos maridos como ao Senhor; os filhos serem obedientes aos seus pais no Senhor (6.1); e os escravos serem obedientes aos seus senhores terrenos como a Cristo (6.5). OU SEJA, por trás do marido, do pai e do senhor DEVEM DISCERNIR O PROPRIO SENHOR que lhes deu autoridade que tem. Então, se quiserem submeter-se a Cristo, SUBMETER-SE-ÃO A ELES, visto que é a autoridade de Cristo que exercem.

Mas, se ABUSAREM da autoridade que Deus lhes deu, então o nosso dever já não é submeter-nos conscientemente mas, sim, conscientemente recusarmo-nos a fazê-lo. Submetermo-nos em tais circunstancias, pois, seria desobedecer a Deus. O PRINCIPIO É ESTE: devemos nos submeter até ao ponto em que a obediência à autoridade humana envolva a desobediência a Deus (Atos 5.29).
  
2)    O dever da esposa (vs. 22-24). 


As mulheres sejam submissas a seus próprios maridos, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher”. Podemos ratificar esse texto com os outros textos de Paulo (1 Co 11.3-12; 1 Tm 2.11-13). Nestas duas passagens, Paulo volta a narrativa de Genesis 2  e ressalta que a mulher foi feita depois do homem, da parte do homem e para o homem. A liderança do homem, portanto, tem base criacionista, portanto, aquilo que a criação estabeleceu, NENHUMA CULTURA PODERÁ DESTRUIR.

MASCULINIDADE E A FEMINILIDADE representam uma distinção profunda que é PSICOLOGICA e também FISIOLÓGICA. Deus criou o homem a sua semelhança, masculino e feminino. Desta maneira, ambos levam igualmente a sua imagem (Gn 1.26-27), mas cada um também complementa o outro. A Bíblia sustenta simultaneamente a igualdade e o complemento dos sexos; O HOMEM ACHA-SE A SI MESMO POR SER HOMEM, E A MULHER ACHA-SE A SI MESMO POR SER MULHER.

Quais as distinções? O ensino bíblico é que Deus deu ao homem uma certa liderança, e que a sua esposa se achará a si mesma e a seu verdadeiro papel dado por Deus, numa submissão voluntária e alegre. Aliás, submissão é frequentemente exposta como se fosse um sinônimo de “sujeição” de “subordinação” e até mesmo “subjugação”.

Exemplos: no judaísmo a mulher tinha um baixo conceito, em que todo homem judeu, todas as manhãs, dava graças a Deus por não ter feito dele “um gentio, um escravo ou uma mulher”. Na lei judaica, a mulher não era uma pessoa, mas um objeto. Na Grécia: não havia companheirismo entre marido e mulher. O grego esperava que sua esposa cuidasse do seu lar e criasse os filhos legítimos, mas achava seus prazeres e seu companheiros noutros lugares. Em Roma: a jovem era completamente sujeito ao seu pai; a esposa, completamente sujeito ao seu marido. Era escrava dele, sua esposa era descrita como “imbecilitas”, de onde vem a palavra imbecil.

 Devemos desinfetar a palavra destas associações e penetrar no seu significado essencialmente bíblico. Em Genesis, está escrito “Farei para ele alguém que lhe auxilie e lhe corresponda”. Auxilie no hebraico é ezer encerra a idéia de suprir algo crucial que está faltando e que lhe corresponde. Matthew Henry faz esta observação sobre a mulher: “A mulher foi feita da costela de Adão; não foi feita da cabeça para dominá-lo, nem dos pés para ser pisada por ele, mas de um dos lados para ser igual a ele, ser protegida sob seu braço, e perto do coração para ser amada”.
3)    O dever do marido. 

Se a palavra que caracteriza o dever da esposa é submissão, a palavra que caracteriza o dever do marido é amor. O amor, neste texto, não é phileo, mas agapê. Ou seja, o amor que tem que prevalecer no casamento é o amor sacrificial. Paulo afirma que “o marido deve amar a esposa assim como Cristo tem amado a igreja”. Em 2 Coríntios 11:2, diz: “Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo”. Ao passo que no Apocalipse temos oportunidades de vislumbrar a igreja glorificada “ataviada como noiva adornada para o seu esposo” e as futuras “bodas do cordeiro” (Ap 19.6-9; 21.2,9).
“Maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse”. Cristo amou a igreja e se entregou por ela. Mas por que Jesus Cristo agiu assim? Foi para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra. Depois de santifica-la, o noivo irá apresenta-la a si mesmo. Ele irá apresentar a si mesmo gloriosa; a palavra pode ser uma alusão ao belo vestido da noiva, visto que é usada para roupas. Na terra, a noiva está frequentemente em trapos e farrapos, manchada e feia, desprezada e perseguida. Um dia, porém, será vista pelo que ela é, nada menos do que a noiva de Cristo, “sem mácula, sem ruga, sem qualquer deformação”.
O cabeça da igreja é o noivo da igreja. Ele não oprime a igreja. Pelo contrário, sacrificou-se a fim de servi-la, para que ela se torne tudo quanto ele anseia que ela seja, ou seja: ela mesma na plenitude da sua glória. Assim também o marido nunca deve usar de sua liderança para esmagar ou sufocar a esposa.
v.28: “Assim também os maridos devem amar as suas mulheres como o seus próprios corpos”.  Paulo utiliza a regra áurea que Jesus enunciou, de que devemos tratar os outros conforme nós mesmos desejamos ser tratados (Mt 7.12). “Porque ninguém jamais odiou a sua própria carne, antes a alimenta e dela cuida (v.29). Ou seja, dá-lhe comida e roupas e cuida dela, quaisquer que sejam as circunstâncias. Marido e mulher é uma só CARNE.
Conclusão: 

Antes de casar, é necessário ponderar se você quer, verdadeiramente, assumir os papéis delineados nesse texto. “Mulheres serdes submissas aos vossos maridos”; “Maridos amai vossa vossas esposas assim como Cristo amou a sua igreja”.
Se você já passou por um relacionamento que não deu certo, agora, seja sábio e não cometa os mesmos erros que cometeu no primeiro casamento.
Ou se você errou muito, peça a perdão a Deus pelos erros cometidos com o seu conjugue. E peça perdão ao seu companheiro (a).
Oremos pelo casamento, uma instituição que está sendo atacada ferozmente pela sociedade secularizada, sem Deus.




terça-feira, 1 de agosto de 2017

Tempo de escuridão e tempo de luz! 1 Tm 4.1-7


Introdução:

Em nossos dias temos pencas de igrejas espalhadas. Mas o povo está faminto de Deus. Por que? Porque a Palavra de Deus foi substituída por alimento artificial. Os lobos da atualidade invadiram nossas despensas, de modo que hoje as igrejas, antes casas de adoração e de banquetes, se tornaram casas de fome.

Hoje a exposição bíblica está sendo substituída pelo entretenimento; a doutrina pelas encenações dramáticas e a teologia pela encenação. Em nossos dias, a pregação da cruz é considerada hoje loucura não apenas para o mundo, mas também para a igreja atual. "Há muito show, muita música, muito louvor - mas pouco ENSINO bíblico. Nunca os evangélicos cantaram tanto e nunca foram tão analfabetos de Bíblia. Nunca houve tantos animadores de auditório e tão poucos pregadores da Palavra de Deus. Quando o Espírito de Deus está agindo de fato, Ele desperta o povo de Deus para a Palavra de Deus." - Augustus Nicodemos Lopes
  


Os pastores estão abandonando seus postos, desviando para a direita e para a esquerda, com frequência alarmante. Parecem com gerentes de lojas, sendo que os estabelecimentos comerciais que dirigem são as igrejas. Hoje estão pensando em como manter os clientes felizes, como atraí-los para que não vão às lojas concorrentes que ficam na mesma rua. Alguns pastores estão atraindo muitos consumidores, levantando grandes somas em dinheiro e desenvolvendo uma excelente reputação. No entanto, a verdade bíblica é que não existem igrejas cheias de sucesso. Mas, toda igreja são comunidades de pecadores, reunindo culto após culto perante Deus. O Espírito Santo os reúne e trabalha neles. Nessas comunidades de pecadores, um é chamado pastor e se torna responsável por manter todos atentos a Deus.  Eugene Petersen


1)        Ezequiel fala a uma congregação volúvel. 



O profeta Ezequias estava no exílio, junto com mais de dez mil judeus (SL 137:1-4).         O chamado de Ezequiel exigia que se prestasse atenção a Deus, não às pessoas ao redor:  “E disse-me: Filho do homem, põe-te em pé, e falarei contigo. Então entrou em mim o Espírito, quando ele falava comigo, e me pôs em pé, e ouvi o que me falava. E disse-me: Filho do homem, eu te envio aos filhos de Israel, às nações rebeldes que se rebelaram contra mim; eles e seus pais transgrediram contra mim até este mesmo dia”. Ezequiel 2:1-3. E, tem mais: “E tu, ó filho do homem, não os temas, nem temas as suas palavras; ainda que estejam contigo sarças e espinhos, e tu habites entre escorpiões, não temas as suas palavras, nem te assustes com os seus semblantes, porque são casa rebelde. Mas tu lhes dirás as minhas palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir, pois são rebeldes”. Ezequiel 2:6,7

        A mensagem de Ezequiel deveria ser proclamada, quer as pessoas o ouvissem ou não:  “Mas a casa de Israel não te quererá dar ouvidos, porque não me querem dar ouvidos a mim; pois toda a casa de Israel é de fronte obstinada e dura de coração. Eis que fiz duro o teu rosto contra os seus rostos, e forte a tua fronte contra a sua fronte. Fiz como diamante a tua fronte, mais forte do que a pederneira; não os temas, pois, nem te assombres com os seus rostos, porque são casa rebelde. Disse-me mais: Filho do homem, recebe no teu coração todas as minhas palavras que te hei de dizer, e ouve-as com os teus ouvidos.
Eia, pois, vai aos do cativeiro, aos filhos do teu povo, e lhes falarás e lhes dirás: Assim diz o Senhor DEUS, quer ouçam quer deixem de ouvir”.
Ezequiel 3:7-11

        Ezequiel deveria permanecer firme, independentemente da maneira como fosse tratado (33.30-33): “Quanto a ti, ó filho do homem, os filhos do teu povo falam de ti junto às paredes e nas portas das casas; e fala um com o outro, cada um a seu irmão, dizendo: Vinde, peço-vos, e ouvi qual seja a palavra que procede do Senhor. E eles vêm a ti, como o povo costumava vir, e se assentam diante de ti, como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois lisonjeiam com a sua boca, mas o seu coração segue a sua avareza. E eis que tu és para eles como uma canção de amores, de quem tem voz suave, e que bem tange; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra. Mas, quando vier isto (eis que está para vir), então saberão que houve no meio deles um profeta”.


    “Você é um simples entretenimento – um cantor popular com suas melancólicas canções e seu instrumento musical” (Bíblia A Mensagem). Eles consideram Ezequiel um orador eloqüente de voz agradável e excelente pronúncia. Contudo, depois dos aplausos, tudo voltava a ser como era antes. Esqueciam a mensagem; os pecados continuavam.              Ouvir a Palavra de Deus não tem a ver com entretenimento, sentir-se bem consigo mesmo, ficar impressionado com o talento do orador. Antes tem a ver com mudança de vida.

      “Quando tudo isso acontecer – e certamente acontecerá – eles saberão que um profeta esteve no meio deles” (Ez 33.33). Ou seja, quando vierem os tempos difíceis, quando a voz do pregador fiel tiver desaparecido e for apenas uma memória distante, quando a igreja de outrora estiver reduzida a uma casca oca. Restará apenas uma recordação: Tivemos um profeta aqui no passado.


2)    Amós adverte a respeito de uma fome vindoura. 
                   Um garoto do interior natural de Tecoa, cidade de Judá. Além de sua vocação de profeta, Amós também era pastor de ovelhas e plantador de sicômoros, qualidades que o tornavam um autêntico caipira colhedor de figos. “E respondeu Amós, dizendo a Amazias:             Eu não sou profeta, nem filho de profeta, mas boiadeiro, e cultivador de sicômoros”.  Amós 7:14 




O Senhor ordenou a esse profeta magro e ossudo que fosse ao reino norte confrontar cara a cara um rei cruel, imoral, infiel e injusto.  “Mas, o SENHOR lhe diz: “Sua mulher se tornará uma prostituta na cidade, e os seus filhos e as suas filhas morrerão à espada. Suas terras serão loteadas, e você mesmo morrerá numa terra pagã. E Israel certamente irá para o exílio, para longe da sua terra natal”.
Amós 7:17

Amós 8:11-12: “Estão chegando os dias”, declara o SENHOR, o Soberano, “em que enviarei fome a toda esta terra; não fome de comida nem sede de água, mas fome e sede de ouvir as palavras do SENHOR.
Os homens vaguearão de um mar a outro, do Norte ao Oriente, buscando a palavra do SENHOR, mas não a encontrarão. .  Amós predisse a vinda de uma época em que a terra sentiria saudades dos grandes profetas de outrora, ansiando por uma voz poderosa da parte de Deus – ou seja, qualquer pessoa que defendesse a verdade de modo corajoso e politicamente incorreto.

    As pessoas anseiam por alimento para a alma, pelos nutrientes da Palavra de Deus; porém, não encontram esse sustento. Repito: há uma terrível escassez de alimento em nossa terra.

                    LIDERANÇA: a liderança de Israel estava corrompida e arruinada, carente de uma confrontação direta com a verdade, por meio de um pregador intransigente. “SE ALGUÉM não estiver preparado para pagar um alto preço, maior do que seus contemporâneos e colegas estejam dispostos a pagar, não deverá aspirar a liderança no trabalho de Deus. A verdadeira liderança exige custo elevado, a ser cobrado do líder e, quanto mais eficiente a liderança, maior o custo”.

       Papa Leão X: “um porco selvagem está a pilhar a vinha de Deus” (Rm 16:17-18). Sempre existiram enganadores e impostores com sua esperteza e duplicidade, encrenqueiros que atacaram vários apóstolos e companheiros cristãos (Atos 20:28-31). Um inimigo implacável de Paulo era “Alexandre, o ferreiro” (2 Tm 4:14). O idoso apostolo João adverte que Diótrefes “gosta muito de ser o mais importante” (  3 Jo 9), um mandachuva na igreja.

3)    Joel prediz um futuro promissor.
O profeta Joel foi levantado por Deus; o seu nome significa “O Senhor é Deus”. Nos dias do profeta Joel todos os tipos possíveis de gafanhotos se puseram a destruir o solo: os que rastejam, os que migram, os que cortam e os que destroem. “Diante deles o fogo devora, atrás deles arde uma chama. Diante deles a terra é como o jardim do Éden, atrás deles, um deserto arrasado; nada lhes escapa.  



Joel 2:3”. Joel escreveu a partir da fascinante perspectiva de Deus, referindo-se a esses insetos como “o meu grande exército que enviei contra vocês” (Jl 2:25).  "Vou compensá-los pelos anos de colheitas que os gafanhotos destruíram: o gafanhoto peregrino, o gafanhoto devastador, o gafanhoto devorador e o gafanhoto cortador, o meu grande exército que enviei contra vocês.

        O que seria preciso para restaurar os anos de devastação causados pelos gafanhotos. De que maneira? Joel 2:12-13: "Agora, porém", declara o Senhor, "voltem-se para mim de todo o coração, com jejum, lamento e pranto. " Rasguem o coração, e não as vestes. Voltem-se para o Senhor, para o seu Deus, pois ele é misericordioso e compassivo, muito paciente e cheio de amor; arrepende-se, e não envia a desgraça. 


      Ainda assim, depois de todos os pecados que vocês cometeram, apesar de todo o dano que causaram, e não obstante os resultados catastróficos da falta de fidelidade de vocês, O ARREPENDIMENTO trará a restauração. Deus diz: “Voltem-se para mim de todo o coração”. Por meio do choro, de jejum e pranto. “Rasguem o coração, e não as vestes”, ordena o Senhor.


Conclusão: "E, depois disso, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões. Até sobre os servos e as servas derramarei do meu Espírito naqueles dias. Joel 2:28,29 

terça-feira, 25 de julho de 2017

Crescendo na graça e no conhecimento. 2 Pe 1.5-7



Introdução: As cartas do apóstolo Pedro estão classificadas entre as “epístolas gerais” por não se dirigirem a uma igreja ou a uma pessoa específica, mas ao povo de Deus em geral. A primeira carta teve o objetivo de consolar os irmãos que sofriam com as perseguições. A segunda carta foi escrita para exortá-los no sentido de crescerem espiritualmente (2Pe 1.12; 3.18). Gostamos de ser consolados, mas não exortados. Entretanto, não podemos recusar este precioso aspecto da Palavra do Senhor para nós. Exortação é admoestação e incentivo.

1)    Por isso
O que vem a seguir é consequência direta do que foi dito antes. O apóstolo não nos pede que façamos nada antes de primeiramente salientar e repetir o que Deus fez por nós em Cristo. O evangelho não é apenas a manifestação de uma fé geral acrescida da prática de algumas virtudes. O evangelho genuíno, em primeira instância não é uma exortação para que façamos algo; primeiramente ele é proclamação daquilo que Deus já fez por nós em Cristo.
                  
 O evangelho mostra que o homem não pode fazer nada para salvar-se, pois sem Cristo está morto em ofensas e pecados (Ef 2.1; Is 64.6). “Não há um justo sequer”; “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. Qualquer homem, em suas melhores e mais altas condições, é uma criatura perdida; ele é um pecador condenado aos olhos de Deus. 
 

  
 Antes de o homem ser chamado para fazer algo, é preciso que tenha recebido algo de Deus: Cristo. Sem vida não é possível haver atividade, logo, a vida cristã começa com o novo nascimento em Cristo. Tudo o que nos conduz à vida e à piedade nos foi dado em Cristo (v.3; Ef 2.8,9). Por exemplo, não adianta fazer apelo a um morto. A única pessoa a quem você pode, com alguma lógica, dirigir um apelo é a pessoa que está viva. Quando alguém se torna um cristão, nasceu de novo. Enquanto antes estava morto, agora está vivo. Portanto, é preciso haver músculos, é preciso haver faculdades e propensões; todos os cristãos tem músculos espirituais. Portanto, diz Paulo “acrescentai à vossa fé a virtude...”.

Dois erros que ocorrem no seio da igreja. O primeiro, existem aqueles cristãos que acham que podem fazer-se cristãos por seus próprios esforços, que acham que, acrescentando estas virtudes à sua vida natural, podem habilitar-se para estar na presença de Deus. O segundo, alguns dizem: “é claro que ninguém pode fazer nada; a salvação é de Cristo; portanto, qualquer esforço ou qualquer tentativa que a pessoa faça no cultivo espiritual, ou qualquer esforço para disciplinar a vida cristã, é errado, e significa voltar às obras e tentar justificar-se pelos obras”.

2)    “Acrescentai”.
A melhor tradução é “suprir, fornecer, proporcionar”. Era usada para demonstrar a habilitação do coro em conexão com as peças gregas. Referia-se a alguém que custeava tudo o que era necessário ao bom funcionamento do coro para que as peças pudessem ser mais bem apreciadas. Fala do suprimento que proporciona e revela harmonia entre as partesÉ como a perfeição e o equilíbrio de um grande coro – o soprano, o contralto, o tenor e o baixo. Todas estas vozes são necessárias ao coro, e é preciso que não haja demasiado de um nem muito pouco de outro, ou se perderá o equilíbrio. 




3)    O caráter da nossa fé.

VIRTUDE. Que significa essa palavra? Virtude é a disposição de um indivíduo de praticar o bem; e não é apenas uma característica, trata-se de uma verdadeira inclinação, virtudes são todos os hábitos constantes que levam o homem para o caminho do bem.  (significados.com.br).  Para Pedro, no entanto, “VIRTUDE” aqui significa “poder moral”, ou, se lhes parece bem, energia moral – significa atividade ou vigor da alma.  Vejam lá, diz Pedro, que a sua fé seja uma fé viva, que seja uma fé ativa, que seja uma fé vigorosa, que seja uma fé máscula, que seja uma fé repleta de energia (Ef 5.18). 



CONHECIMENTO. O que será que significa essa palavra? Só pode significar “discernimento”, “entendimento”, “esclarecimento”. Primeiro, Pedro exorta a termos vida enérgica, vigorosa, alerta. “Não se acomodem a uma letargia e lassidão espiritual”, diz Pedro, “esperando que aconteça alguma coisa maravilhosa; ponham-se de pé e ajam, sejam vigorosos, agarrem a oportunidade, ponham “virtude” em prática”. Mas, é PRECISO QUE ESTE VIGOR, ESTA ENERGIA, ESTA ATIVIDADE SEJA GORVERNADA, CONTROLADA E QUALIFICADA POR INTELIGÊNCIA, ENTENDIMENTO E ESCLARECIMENTO. 


Pedro era por natureza um homem impulsivo, um retrato perfeito de energia descontrolada. Ele não era controlado, inteligente e esclarecido, às vezes fazia coisa que lamentava amargamente.

4)    Nossas disposições interiores.

 TEMPERANÇA. Quais seriam as duas coisas nas quais, como cristão, eu tenho que vigiar, e vigiar incessantemente? TENHO QUE VIGIAR A MIM MESMO. Embora, renascido, embora tenha a natureza divina, há um outro homem aqui. Há impulsos e desejos, há luxúria e paixões (Gl 5.16-17). Sempre há também o inimigo e o adversário de nossas almas que procura arrastar-nos para o pecado (1 Pe 5.8). Portanto, diz Pedro, lembremo-nos sempre da autodisciplina, vigiemos estas coisas que há em nosso íntimo, e tenhamos temperança (Cl 3.5-11; Gl 5.24). 



PACIÊNCIA. A paciência, a resistência na peleja cristã diz respeito à nossa postura frente ao mundo externo e pecaminoso. Deve haver firmeza na fé, perseverança. Pedro mesmo afirmara que não abandonaria a Cristo e depois o negou três vezes (Lc 22). Pedro aprendeu que não tem grande valor em se fazer grandes declarações de fé e grandes promessas, se não as cumprirmos. Devemos cultivar um caráter que seja resistente e que suporte com paciência perseverante todas as provas.


5)    Nossa relação com os outros.
PIEDADE. Antes de eu pensar em minhas relações com qualquer outra pessoa, sempre devo me certificar de que o meu principal motivo e a minha maior ambição na vida é honrar Deus, glorificar Deus e proclamar o Seu louvor. Depois, tendo posto isso em primeiro lugar, devemos considerar os irmãos na fé. 



BONDADE FRATERNAL. Ele está exortando estes cristãos primitivos a se amarem uns aos outros, e a serem pacientes uns para com os outros. COMO ISSO É DIFICIL, ÀS VEZES! Com que facilidade ficamos impacientes. Quanto dano tem causado ao corpo de Cristo pela falta de bondade fraternal. Em 1 Corintios 13, diz “o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. TUDO SOFRE, TUDO CRÊ, TUDO ESPERA, TUDO SUPORTA (vs. 4-7). 



Conclusão: “porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele em que não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus pecados” (2 Pe 1.8-90.




terça-feira, 18 de julho de 2017

Crescendo na graça e no conhecimento - 2 Pe 3.18


Introdução: “antes”. Crescer na graça e no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ou seja, a única maneira de evitar a queda na vida cristã é IR AVANTE. Ficar estático na vida cristã é anormal. Os católicos celebram a quaresma, depois da quarta feira de cinza. As igrejas lotam de católicos, todos estão em silêncio; auto exame, auto sondagem. Vai até a páscoa, mas o resto do ano, essa prática não é observada.

1)    Crescer.
O verbo “crescer” traz a idéia de crescimento e nos sugere imediatamente que ser cristão significa receber nova vida. Não pode haver crescimento se não houver nascimento, e nascimento significa TRAZER OU VIR À VIDA. O evangelho preocupa-se com o comportamento de todos os cristãos, e não dos incrédulos. É como chegar para um incrédulo e exortá-lo a viver uma vida moralmente melhor. ISSO É MORALISMO, NÃO CRISTIANISMO. Portanto, vemos no Novo Testamento sempre esta admoestação à santidade, somente aos que receberam uma NOVA VIDA, em Cristo.


De tal modo, que o cristão é essencialmente diferente dos incrédulos. Ele é diferente quanto à espécie. O cristão nasceu do alto, nasceu do Espírito – é uma pessoa que recebeu uma nova vida (2 Co 5.17). Há um novo ser, uma nova existência, uma nova qualidade encarnada em sua vida. 

2)    Crescendo...
Esta vida, como todas as outras formas de vida, necessariamente leva ao crescimento. Pensemos na menor semente (Mc 4.26-29). Há dentro da semente a possibilidade de crescimento e desenvolvimento. Pensem no menor animal, e verão a mesma coisa. Pensem na menor planta ou flor – onde quer que haja vida, sempre há esta possibilidade inerente de crescimento. Portanto, todo cristão tem a obrigação de crescer; se não temos crescido, na fé cristã, temos que rever nossa identidade cristã.


Vejamos Martinho Lutero. Era muito religioso, era monge, e jejuava e orava o tempo todo. Ele tentava de tudo para  crescer na vida cristã. Que fazia ele? Jejuava, orava, dá esmolas, pratica boas obras; e, todavia, tendo feito tudo isso, ele sabia perfeitamente bem que não tinha crescido nem um pouco, não tinha mais vida no fim do que no começo. Esse homem estava acrescentando coisas à sua vida, mas não estava crescendo. Então, ele foi convertido, recebeu esta nova vida, e doravante teve consciência de um processo de crescimento, de desenvolvimento, de um real crescimento. 



Vejamos João Wesley. Um excelente jovem, de alta moral, membro de um bom lar cristão. Seu único interesse na vida era a religião, seu único desejo era ser melhor. Ele forma seu Clube Santo em Oxford, vai pregar nas prisões; depois renuncia tudo e cruza o Atlântico para pregar aos pagãos na Geórgia. E, contudo, ele sabe que não tem vida real. Não sente que tenha crescido, nem que tenha desenvolvido ou que tenha avançado. Ali está um homem que esteve adicionando mais e mais (coisas), sem, porém, nenhum desenvolvimento ou crescimento. Então, ele recebeu vida, e desde o momento em que recebeu vida tornou-se cônscio de crescimento.


Pergunto: será que percebo crescimento em minha vida cristã? Posso dizer que estou crescendo na graça e no conhecimento  de nosso Senhor Jesus Cristo? Quando fazemos um analise do ano em que estamos vivendo, ou examinamos os dez, vinte ou trinta anos passados, percebo algum crescimento e aumento orgânico? HAVERIA UM REAL CRESCIMENTO EM MINHA VIDA CRISTÃ?

3)    O processo do crescimento.
O processo de crescimento é algo vital, e não mecânico. É algo que, num sentido, não se pode observar diretamente – VOCE SENTE QUE ESTÁ OCORRENDO, MAS NÃO PODE VÊ-LO ACONTECER. É como a parábola de Marcos, no capitulo 4, um homem semeou a semente em seu terreno e que, enquanto dormia, a semente brotou – o mistério do crescimento. 



O processo de crescimento é necessariamente um processo progressivo e gradual – O CRESCIMENTO JAMAIS É SÚBITO. Mas, tem muitos que defendem que a santificação ocorre repentinamente. Eles comparam o processo de santificação com o fato da nossa justificação num ato de recebimento, dizendo que você pode ser santificado do mesmo modo. Mas, o Novo Testamento, fala de homens como “crianças em Cristo” (1 Co 3.1)- uma criança não pode saltar repentinamente da infância para a idade adulta. Não se pode assinalar estes estágios. Isso acontece gradualmente – você vê uma criança, você vê um menino, depois vê um moço e depois o homem. Ele foi indo de um passo para o outro, de um estágio a outro. E a santidade não é algo que se pode receber de uma vez por todas num só ato. 


4)    Como devo crescer?
Devo crescer na graça de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Que significa isso? Em primeiro lugar, não significa que eu cresço em amabilidade; tampouco significa, em si e por si, que eu devo crescer em minha posse das graças da vida cristã. ENTÃO, O QUE É CRESCER NA GRAÇA? Significa que, como cristãos, fomos introduzidos na esfera da graça. Todos nós estamos ou sob a lei ou sob a graça – ou estamos sob a ira de Deus ou estamos sob a graça de Deus. Então, Se estou na graça de Deus,  sou objeto do seu favor e da sua bondade. Quanto mais eu viver na vida cristã, quanto mais obediente eu for, mais experimentarei o favor de Deus.

Devo crescer no conhecimento do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Que significa isso? Como cristão não devo me deter meramente no conhecimento do perdão (dos meus pecados) e no conhecimento da salvação; DEVO CRESCER EM MEU ENTENDIMENTO E EM MEU CONHECIMENTO DE TODO O ESQUEMA, PLANO E PROPOSITO DA SALVAÇÃO; devo aprender tudo o que Pedro diz nesta Epístola. Devo crescer no conhecimento da Escatologia, da Cristologia, da batalha espiritual, da trindade, da doutrina do Espírito Santo, etc.

Devo crescer em meu conhecimento do Senhor Jesus Cristo, no que concerne minha comunhão com Ele; minha relação pessoal com Ele deve aumentar. Olha o que Paulo diz sobre isso em Filipenses 3.10: “para conhecer Cristo, e o poder da sua ressurreição, e a participação nos seus sofrimentos, identificando-me com Ele na sua morte”.

Conclusão: por que temos que crescer?

É a única maneira de enfrentar as contradições desta vida e deste mundo. Quanto mais eu conhecer o favor de Cristo, mais serei capaz de sorrir em face da adversidade. Poderei dizer como Paulo: “Estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 8.38-39).