terça-feira, 2 de janeiro de 2018


Sobre a contribuição cristã – 2 Corintios 8


 Introdução:  o homem é julgado pelo seu dinheiro tanto no reino deste mundo quanto no reino dos céus. O MUNDO PERGUNTA: quanto esse homem possui? CRISTO PERGUNTA: Como esse homem usa o que tem? O mundo, pensa, sobretudo, em ganhar dinheiro; Cristo, na forma de dá-lo. E quando um homem dá, o MUNDO AINDA PERGUNTA: quanto dá? Cristo pergunta: Como dá? O mundo leva em conta o dinheiro e sua quantidade; Cristo, o homem e seus motivos. Nós perguntamos QUANTO UM HOMEM DÁ. Cristo pergunta quanto lhe resta. Nós olhamos a oferta. Cristo pergunta se a oferta foi um sacrifício.

1)    A contribuição cristã é uma graça de Deus concedida à igreja (8.1).
“Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus concedida às igrejas da Macedônia” (8.1). Paulo ensinou à igreja que contribuir é um ato de graça. Neste texto o apóstolo usa a palavra graça seis vezes em relação ao ato de contribuir (8.1, 4, 6, 9, 19; 9.14). A graça de Deus , é sua compaixão pelo que são indignos. Sua graça é MARAVILHOSAMENTE GRATUITA. A contribuição não é um favor que fazemos aos necessitados, MAS UM FAVOR IMERECIDO QUE DEUS FAZ A NÓS. A graça é a força, o poder, a energia da vida cristã. A graça ama e se regozija em dar, em oferecer. 



2)    O mistério da contribuição cristã (v.2)
Os irmãos da Macedônia enfrentavam tribulação e pobreza. Eles eram perseguidos pelas pessoas e oprimidos pelas circunstancias. Em primeiro lugar, tribulação versus alegria. “Porque, no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundancia de alegria”. Os macedônios tinham muitas aflições. Eles foram implacavelmente perseguidos (Fl 1.28-29). Longe de se capitularem à tristeza, murmuração e amargura, exultavam com abundante alegria. 



Em segundo Lugar, profunda pobreza versus grande riqueza. “...e a profunda pobreza  deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade” Os macedônios não ofertaram porque eram ricos, mas apesar de serem pobres. Eles eram pobres, mas enriqueciam a muitos; nada tinham MAS possuíam tudo (2 Co 6.10). A expressão “profunda pobreza” significa “miséria absoluta” e descreve um mendigo que não tem coisa alguma, nem mesmo esperança de receber algo. Os romanos haviam tomado posse das minas de ouro e prata, e controlavam o país, deixando-o pobre e miserável.

3)    A contribuição cristã é transcendente em sua oferta (8.3-5)
Primeiro, os macedônios deram além do esperado. “Porque eles, TESTEMUNHO EU, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários” (8.3). A oferta deles foi uma de fé, pois deram além de sua capacidade. João Calvino lamentava, no seu tempo, que os pagãos contribuíssem mais aos seus deuses para expressar suas superstições, do que o povo cristão contribuía para Cristo, para expressar seu amor.
“OS QUE MAIS CONTRIBUEM NÃO SÃO OS QUE MAIS TEM, MAS OS QUE MAIS AMAM E OS QUE MAIS CONFIAM NO SENHOR”. 



Segundo, disposição de dar mesmo quando não é solicitado. “Pedindo-nos, com muitos rogos, a graça (charis)  de participarem (koinonia) da assistência (diakonia)  aos santos” (8.4). TRES PALAVRAS MAGNIFICAS: CHARIS, KOINONIA, DIAKONIA. A contribuição financeira era entendida como um ministério cristão. Na vida cristã existem três motivações: 1) Voce precisa fazer: É A LEI; 2) Voce deve fazer: É A RESPONSABILIDADE MORAL; 3) você quer fazer: É A GRAÇA. A mulher que ungiu os pés de Jesus e derramou um perfume valiosíssimo, que custava 300 denários (Lc 7.36...).

Terceiro, disposição de dar a própria vida, e não apenas dinheiro. “E não somente fizeram como nós esperávamos, mas também se deram a si mesmos primeiro ao Senhor, depois a nós, pela vontade de Deus (8.5). Precisamos investir não apenas dinheiro, mas também vida. Jim Elliot, o mártir do cristianismo entre os índios aucas do Equador, afirmou: “NÃO É TOLO AQUELE QUE DÁ O QUE NÃO PODES RETER PARA GANHAR O QUE NÃO PODES PERDER”. Quando perguntaram para o missionário Charles Studd, que deixara as glórias do mundo esportivo na Inglaterra para ser missionário na China, se não estava fazendo um sacrifício grande demais, ele respondeu: “Se Jesus Cristo é Deus e ele deu a sua vida por mim, não há sacrifício tão grande que eu possa fazer por amor a ele”. 



4)    A contribuição cristã é progressiva em sua prática (8.6,7,10,11)
Primeiro, um bom começo não é garantia de progresso na contribuição. “O que nos levou a recomendar a Tito que, como  começou, assim também complete esta graça entre vós”  (8.6). A igreja de Corinto manifestara um bom começo na área de contribuição, mas depois retrocedeu.

Segundo, progresso em outras áreas da vida cristã não é garantia de crescimento na generosidade. “Como, porém, em tudo, manifestai superabundância, tanto na fé e na palavra como no saber, e em todo cuidado, e em nosso amor para convosco, assim também abundeis nesta graça” (8.7). A igreja de Corinto demonstrou progresso em quatro áreas: 1) ela era ortodoxa: abundava em fé; 2) ela era evangelística: abundava em Palavra; 3) ela era estudiosa: abundava em ciência; 4) ela era bem organizada: abundava em cuidado. MAS havia uma deficiência na igreja. Ela não estava crescendo na graça da generosidade, a graça da contribuição.

Terceiro, o inferno está cheio de boas intenções (8.10). No ano anterior, os crentes de Corinto tinham começado não só a prática da contribuição, mas também tinham o desejo sincero de prosseguir nessa graça. Mas, agora, por lhes faltar o QUERER, a prática estava inativa (2 Co 8.11 – ler).

5)    A contribuição cristã e o exemplo de Cristo.
A contribuição deve ser motivada pelo amor ao próximo. Paulo diz que devemos contribuir não por constrangimento, mas espontaneamente, não com tristeza, mas com alegria, porque Deus ama a quem dá com alegria. Agora o apostolo Paulo diz: “Não vos falo na forma de mandamento...” (8.8). A motivação da contribuição é o amor. Paulo prossegue: “... mas, para provar, pela diligência de outros, a sinceridade do vosso amor” (8.8 b). Sem amor, até mesmo nossas doações mais expressivas são pura hipocrisia. A palavra SINCERO vem de duas palavras latinas que significam SEM CERA.

Conclusão:  a contribuição é resultado do exemplo de Cristo. O apostolo Paulo escreve: “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornastes ricos” (8.9). Graça por graça. Damos dinheiro! Cristo deu sua vida! Damos bens materiais? Ele nos deu a vida eterna. Cristo, sendo rico, fez-se pobre para nos fazer ricos. Cristo esvaziou-se, deixando as glórias excelsas do céu para se fazer carne e habitar entre nós. 




sábado, 16 de dezembro de 2017

IBGE: 50 milhões de brasileiros vivem na linha de pobreza

Pesquisa diz que o maior índice de pobreza é registrado Região Nordeste, afetando 43,5% da população.
Cerca de 50 milhões de brasileiros, o equivalente a 25,4% da população, vivem na linha de pobreza e têm renda familiar equivalente a R$ 387,07ou US$ 5,5 por dia, valor adotado pelo Banco Mundial para definir se uma pessoa é pobre.
Os dados foram divulgados hoje (15), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e fazem parte da pesquisa Síntese de Indicadores Sociais 2017 – SIS 2017. Ela indica, ainda, que o maior índice de pobreza se dá na Região Nordeste do país, onde 43,5% da população se enquadram nessa situação e, a menor, no Sul: 12,3%.
A situação é ainda mais grave se levadas em conta as estatísticas do IBGE envolvendo crianças de 0 a 14 anos de idade. No país, 42% das CRIANÇAS nesta faixa etária se enquadram nestas condições e sobrevivem com apenas US$ 5,5 por dia. 

A pesquisa de indicadores sociais revela uma realidade: o Brasil é um país profundamente desigual e a desigualdade gritante se dá em todos os níveis.
Seja por diferentes regiões do país, por gênero – as mulheres ganham, em geral, bem menos que os homens mesmo exercendo as mesmas funções -, por raça e cor: os trabalhadores pretos ou pardos respondem pelo maior número de desempregados, têm menor escolaridade, ganham menos, moram mal e começam a trabalhar bem mais cedo exatamente por ter menor nível de escolaridade.
Um país onde a renda per capita dos 20% que ganham mais, cerca de R$ 4,5 mil, chega a ser mais de 18 vezes que o rendimento médio dos que ganham menos e com menores rendimentos por pessoa – cerca de R$ 243. 

No Brasil, em 2016, a renda total apropriada pelos 10% com mais rendimentos (R$ 6,551 mil) era 3,4 vezes maior que o total de renda apropriado pelos 40% (R$ 401) com menos rendimentos, embora a relação variasse dependendo do estado.
Entre as pessoas com os 10% menores rendimentos do país, a parcela da população de pretos ou pardos chega a 78,5%, contra 20,8% de brancos. No outro extremo, dos 10% com maiores rendimentos, pretos ou pardos respondiam por apenas 24,8%.
A maior diferença estava no Sudeste, onde os pretos ou pardos representavam 46,4% da população com rendimentos, mas sua participação entre os 10% com mais rendimentos era de 16,4%, uma diferença de 30 pontos percentuais.
Desigualdade acentuada
No que diz respeito à distribuição de renda no país, a Síntese dos Indicadores Sociais 2017 comprovou, mais uma vez, que o Brasil continua um país de alta desigualdade de renda, inclusive, quando comparado a outras nações da América Latina, região onde a desigualdade é mais acentuada.
Segundo o estudo, em 2017 as taxas de desocupação da população preta ou parda foram superiores às da população branca em todos os níveis de instrução. Na categoria ensino fundamental completo ou médio incompleto, por exemplo, a taxa de desocupação dos trabalhadores pretos ou pardos era de 18,1%, bem superior que o percentual dos brancos: 12,1%.
“A distribuição dos rendimentos médios por atividade mostra a heterogeneidade estrutural da economia brasileira. Embora tenha apresentado o segundo maior crescimento em termos reais nos cinco anos disponíveis (10,9%), os serviços domésticos registraram os rendimentos médios mais baixos em toda a série. Já a Administração Pública acusou o maior crescimento (14,1%) e os rendimentos médios mais elevados”, diz o IBGE.
O peso da escolaridade
Os dados do estudo indicam que, quanto menos escolaridade, mais cedo o jovem ingressa no mercado de trabalho. A pesquisa revela que 39,6% dos trabalhadores ingressaram no mercado de trabalho com até 14 anos.
Para os analistas, “a idade em que o trabalhador começou a trabalhar é um fator que está fortemente relacionado às características de sua inserção no mercado de trabalho, pois influencia tanto na sua trajetória educacional – já que a entrada precoce no mercado pode inibir a sua formação escolar – quanto na obtenção de rendimentos mais elevados”.
Ao mesmo tempo em que revela que 39,6% dos trabalhadores ingressaram no mercado com até 14 anos, o levantamento indica também que este percentual cresce para o grupo de trabalhadores que tinha somente até o ensino fundamental incompleto, chegando a atingir 62,1% do total, enquanto que, para os que têm nível superior completo, o percentual despenca para 19,6%.
Ainda sobre o trabalho precoce, o IBGE constata que, em 2016, a maior parte dos trabalhadores brasileiros (60,4%) começou a trabalhar com 15 anos ou mais de idade. Entre os trabalhadores com 60 anos ou mais houve elevada concentração entre aqueles que começaram a trabalhar com até 14 anos de idade (59%).
A análise por grupos de idade mostra a existência de uma transição em relação à idade que começou a trabalhar, com os trabalhadores mais velhos se inserindo mais cedo no mercado de trabalho, o que pode ser notado porque 17,5% dos trabalhadores com 60 anos ou mais de idade começaram a trabalhar com até nove anos de idade, proporção que foi de 2,9% entre os jovens de 16 a 29 anos. 


O IBGE destaca que os trabalhadores de cor preta ou parda também se inserem mais cedo no mercado de trabalho, quando comparados com os brancos, “característica que ajuda a explicar sua maior participação em trabalhos informais”.
Já entre as mulheres foi maior a participação das que começaram a trabalhar com 15 anos ou mais de idade (67,5%) quando comparadas com a dos homens (55%). Para os técnicos do instituto, esta inserção mais tardia das mulheres no mercado de trabalho pode estar relacionada “tanto ao fato de elas terem maior escolaridade que os homens, quanto à maternidade e os encargos com os cuidados e afazeres domésticos”.
Cresce percentual dos que não trabalham nem estudam
O percentual de jovens que não trabalham nem estudam aumentou 3,1 pontos percentuais entre 2014 e 2016, passando de 22,7% para 25,8%. Dados da pesquisa Síntese de Indicadores Sociais 2017 indicam que, no período, cresceu o percentual de jovens que só estudavam, mas diminuiu o de jovens que estudavam e estavam ocupados e também o de jovens que só estavam ocupados.
O fenômeno ocorreu em todas as regiões do Brasil. No Norte, o percentual de jovens nessa situação passou de 25,3% para 28,0%. No Nordeste, de 27,7% para 32,2%. No Sudeste, de 20,8% para 24,0%. No Sul, de 17,0% para 18,7% e no Centro-Oeste, de 19,8% para 22,2%. 

Ele atingiu, sobretudo, os jovens com menor nível de instrução, os pretos ou pardos e as mulheres e com maior incidência entre jovens cujo nível de instrução mais elevado alcançado era o fundamental incompleto ou equivalente, que respondia por 38,3% do total.
Pobreza é maior no Nordeste
Quando se avalia os níveis de pobreza no país por estados e capitais, ganham destaque – sob o ponto de vista negativo – as Regiões Norte e Nordeste com os maiores valores sendo observados no Maranhão (52,4% da população), Amazonas (49,2%) e Alagoas (47,4%). 

Em todos os casos, a pobreza tem maior incidência nos domicílios do interior do país do que nas capitais, o que está alinhado com a realidade global, onde 80% da pobreza se concentram em áreas rurais.
Ainda utilizando os parâmetros estabelecidos pelo Banco Mundial, chega-se à constatação de que, no mundo, 50% dos pobres têm até 18 anos, com a pobreza monetária atingindo mais fortemente crianças e jovens – 17,8 milhões de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos, ou 42 em cada 100 crianças.
Também há alta incidência em homens e mulheres pretas ou pardas, respectivamente, 33,3% e 34,3%, contra cerca de 15% para homens e mulheres brancas. Outro recorte relevante é dos arranjos domiciliares, no qual a pobreza – medida pela linha dos US$ 5,5 por dia – mostra forte presença entre mulheres sem cônjuge, com filhos até 14 anos (55,6%). O quadro é ainda mais expressivo nesse tipo de arranjo formado por mulheres pretas ou pardas (64%), o que indica, segundo o IBGE, o acúmulo de desvantagens para este grupo que merece atenção das políticas públicas.


terça-feira, 28 de novembro de 2017

O testemunho cristão – apocalipse 10


Introdução:  Antipas, da igreja de Pérgamo, morreu na perseguição. Foi chamado de “minha fiel testemunha” (Ap 2:13). Antes, Jesus tinha sido descrito  com a frase idêntica “testemunha fiel” (Ap 1.5), e também como “testemunha fiel e verdadeira” (Ap 3.14). De antipas, foi dito que “foi morto nessa cidade”, e isso por certo é verdade. Quanto a Jesus, o texto afirma também que ele era “o primogênito dentre os mortos” (Ap 1.5).

A palavra que no primeiro século significava falar a verdade sobre Deus, martus, veio para nossa língua como “mártir”, aquele que perde a vida por dizer o que pensa.



“Testemunho” era o relato pessoal de uma conversa. Profetas e apóstolos adquiriram a reputação de falar sem medo. Corriam grandes riscos. A taxa de mortalidade deles, pelo menos em Israel, era muito elevada.  Mais adiante no Apocalipse, João verá a grande prostituta “embriagada com o sangue dos santos, o sangue das testemunhas de Jesus” (Ap 17:6).

1)    Anjos. Quem são?
Do grego “angelos” e do hebraico “Malak” que significa  literalmente “mensageiro, enviado” (Lc 7:24 e Hb1:14: “não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor do que hão de herdar a salvação?”). “O anjo é uma criatura espiritual, sem corpo, criado por Deus para o serviço da cristandade e da igreja”. Martinho Lutero. “Os anjos são distribuidores e administradores da beneficência divina com relação a nós. Eles dão atenção à nossa segurança, encarregam-se da nossa defesa, dirigem nossos caminhos e exercem uma solicitude constante no sentido de que nenhum mal nos atinja”. João Calvino. 



          Os anjos são reais, apocalípticos, enormes, impetuosos, caminham sobre o mar e a terra. Tem o inferno nas narinas e o céus nos olhos. “O mundo de Deus é muito mais rico do que aquilo que podemos ver em nosso planeta”. “HÁ MAIS MISTÉRIOS ENTRE OS CÉUS E A TERRA DO QUE A VÃ FILOSOFIA DOS HOMENS POSSA IMAGINAR”. William Shakespeare

“criaturas sem pecado que habitam um mundo em que a matéria não estorva o espírito, que a usa com liberdade, sem limitações. Ao mesmo tempo são criaturas que, a despeito de terem inteligência mais elevada, colocam-na a serviço da causa da redenção, proteção e direção da humanidade terrena”.

          As escrituras apresentam o anjo de duas maneiras: 1) na forma de pessoas comuns, semelhantes ao homem. Tres homens apareceram a Abraão e Sara, que só mais tarde perceberam que eles eram anjos (Gn 18.2). O autor de Hebreus aconselha a prática da hospitalidade com o seguinte argumento: “... foi praticando-a que, sem saber, alguns acolheram anjos” (Hb 13:2); 2) manifestam  também por meio de visões, quando se apresentam de maneira extravagantes, figuras imensas que enchem o céu (Ap 10.1) 


          NOSSA GERAÇÃO: “uma geração como a nossa, que assume (sem provas) em suas teorias e literatura de ficção cientifica a existência de seres conscientes em outros planetas interessados  nesta terra, dificilmente acharia estranho acreditar em anjos”.“PRECISAMOS DE UMA TRANSFUSÃO DE SUBSTANCIAL DE GLÓBULOS VERMELHOS DE IMAGINAÇÃO NO SISTEMA CIRCULATÓRIO DE NOSSA FÉ” (ver Sl 18:10).

              
Em Apocalipse 10:1 vemos a descrição do anjo:  Coroado pelo arco-íris: o arco-íris aparece ao redor do trono de Deus (Ap 4:3). Fala que o trono de Deus é um trono de misericórdia, antes de ser um trono de juízo. O rosto brilhando como o sol: Esta é a mesma descrição de Jesus Cristo no início do apocalipse. Pisando no Oceano e na terra: Deus é soberano sobre tudo. Duas imensas colunas de fogo como pernas: juízo.

2) Sete trovões (vs. 3 e 4)

O anjo poderoso abre sua boca e ruge como leão, e a resposta é meteorológica: sete trovões (Ap 10:4). Sabemos dos sete selos, sete chifres, sete trombetas, sete selos, sete taças... mas “...guarda em segredo as coisas que os sete trovões falaram e não as escreve”.  Jesus havia dado conselho semelhante sobre lanças pérolas aos porcos (Mt 7:6). 


 O retumbante Salmo 29 provavelmente diz tudo que viremos a saber sobre as revelações do sete trovões: a voz do Senhor ressoa sete vezes no salmo, em criação e julgamento, com todas as criaturas do céu e da terra respondendo em adoração: “Glória”. 
“A voz do SENHOR ouve-se sobre as suas águas; o Deus da glória troveja; o SENHOR está sobre as muitas águas. 
“A voz do SENHOR é poderosa; a voz do SENHOR é cheia de majestade. 
“A voz do SENHOR quebra os cedros; sim, o SENHOR quebra os cedros do Líbano. 
“Ele os faz saltar como um bezerro; ao Líbano e Siriom, como filhotes de bois selvagens. 
“A voz do SENHOR separa as labaredas do fogo. 
“A voz do SENHOR faz tremer o deserto; o SENHOR faz tremer o deserto de Cades. 
“A voz do SENHOR faz parir as cervas, e descobre as brenhas; e no seu templo cada um fala da sua glória” (Salmo 29:3-9, NVI).

 Ao descer do monte da Transfiguração, Jesus instruiu os três discípulos: “Não contem a ninguém o que voces viram” (Mt 17:9), não porque ninguém nunca devesse saber, mas porque não era a hora certa; Eclesiastes 3:7: “tempo de calar e tempo de falar”.

3) Pega o livrinho e come!

É a segunda vez que esse anjo aparece. Na primeira, estava diante do livro selado, perguntando insistentemente se havia alguém capaz de abri-lo (Ap 5.1-2). Aqui, ele segura o mesmo livro que agora está aberto – o significado foi revelado por meio da pregação. O apostolo pega o livro (vs. 8 e 9) que o anjo lhe mostra. “LIVRO” significa REVELAÇÃO INTELIGIVEL. A história na qual vivemos tem SENTIDO, ENREDO E PROPOSITO. “Eis que não haverá mais demora” (v.6). “HOJE É O DIA DA SALVAÇÃO” (Is  55.6).Vivemos em um agora intenso e eterno. “PARA O SENHOR, UM DIA É COMO MIL ANOS E MIL ANOS COMO UM DIA” (2 Pe 3.8). Por isso que temos que testemunhar...

O anjo manda João, além de pegar, COMER O LIVRO . Com isso, ele consome tudo, assimilando-o nos tecidos da vida (Sl 40.8).João pega o livro,  A VOZ CELESTIAL DIZ: “Vá, pegue o livro (Biblion) aberto que está na mão do anjo”. Ele conta o que aconteceu a seguir: “...me aproximei do anjo e lhe pedi que me desse o livrinho (Biblaridion)”. Apocalipse 10:10, diz: “peguei o livrinho (Biblaridion) da mão do anjo...”.  


  O EVANGELHO É SIMPLES E PROFUNDO. “Quem conheceu a mente do Senhor” (Rm 11:34 e Jó 26:14). Pega o que é capaz de assimilar, um livrinho no lugar de um livro.  O livro aberto foi apresentado, mas só conseguimos assimilar o conteúdo de um livrinho. Por mais que falarmos, só trataremos de uma parte do todo. Mesmo que nos expressemos muito bem, sabemos que estamos apresentando uma versão deficiente e abreviada da perfeição que é a palavra feita carne”

 Coma o livro “ele será amargo em seu estomago, mas em sua boca será doce como mel” (Ap 10:9).  O apostolo João deve ter lembrado da história de Ezequiel (Ez 2:8; 3:3). Essa experiência é comum a todos que incorporam a palavra de Deus nas suas (Sl 34:8).

 Contudo – e aí reside a ironia da doçura da palavra do testemunho, muitas vezes há rejeição, e aquele que testemunha sente a amargura da rejeição em seu estomago (Ez 2:7; 3:7). Jeremias, quase da mesmo época de Ezequiel, não teve sorte melhor (Jr 1:10; 20:8).  O testemunho sempre envolve as polaridades de doçura e amargura (Mt 11:28; Cl 3:5-6).

CONCLUSÃO: “... é preciso que voce profetize de novo acerca de muitos povos, nações, línguas e reis” (Ap 10:11). “NÃO HÁ APOSENTADORIA NO SERVIÇO DO TESTEMUNHO”.  



domingo, 26 de novembro de 2017

UMA GERAÇÃO QUE NÃO CONHECE A DEUS

 “Depois que toda aquela geração foi reunida a seus antepassados, surgiu uma nova geração que não conhecia o Senhor e o que ele havia feito por Israel. Então os israelitas fizeram o que Senhor reprova e prestaram culto aos baalins. Abandonaram o Senhor, o Deus dos seus antepassados, que os havia tirado do Egito, e seguiram e adoraram vários deuses dos povos ao seu redor, provocando a ira do Senhor. Abandonaram o Senhor e prestaram culto a Baal e a Astarote. A ira do Senhor se acendeu contra Israel, e ele os entregou nas mãos de invasores que os saquearam. Ele os entregou aos inimigos ao seu redor, aos quais já não conseguiam resistir. Sempre que os israelitas saíam para a batalha, a mão do Senhor era contra eles para derrotá-los, conforme lhes havia advertido e jurado. Grande angústia os dominava. Então o Senhor levantou juízes, que os libertaram das mãos daqueles que os atacavam. Mesmo assim eles não quiseram ouvir os juízes, antes se prostituíram com outros deuses e os adoraram. Ao contrário dos seus antepassados, logo se desviaram do caminho pelo qual os seus antepassados tinham andado, o caminho da obediência aos mandamentos do Senhor. Sempre que o Senhor lhes levantava um juiz, ele estava com o juiz e os salvava das mãos de seus inimigos enquanto o juiz vivia; pois o Senhor tinha misericórdia por causa dos gemidos deles diante daqueles que os oprimiam e os afligiam. Mas, quando o juiz morria, o povo voltava a caminhos ainda piores do que os caminhos dos seus antepassados, seguindo outros deuses, prestando-lhes culto e adorando-os. Recusavam-se a abandonar suas práticas e seu caminho obstinado. Por isso a ira do Senhor acendeu-se contra Israel, e ele disse: como este povo violou a aliança que fiz com os seus antepassados e não tem ouvido a minha voz, não expulsarei de diante dele nenhuma das nações que Josué deixou quando morreu. Eu as usarei para por Israel à prova e ver se guardará o caminho do Senhor e se andará nele como o fizeram os seus antepassados.” (Juízes 2.10-22)
O texto que acabamos de ler fala a respeito das características de uma geração, e é um texto bem triste das Escrituras. O povo de Israel, durante 40 anos esteve sob a liderança de Moisés. Depois dele, Deus levantou Josué para liderar o povo na conquista da terra prometida. Depois que Josué morreu, a situação ficou terrível para Israel.
Com a morte de Josué, morreu também uma geração inteira que conhecia o Senhor e levantou-se outra geração que não conhecia a Deus. Essa geração passou por vários problemas, justamente porque não conhecia o Senhor. Chama-me a atenção esta expressão. Notem bem: “não conhecia o Senhor”.
Infelizmente, há pessoas que se contentam em conhecer a igreja do Senhor; o pastor, os membros, mas não estão preocupadas em conhecer o Senhor. Conhecer ao Senhor vai muito além disso. Conhecer o Senhor é ter uma experiência com ele e permitir que essa experiência influencie e transforme o seu modo de viver. É triste constatar que a nossa geração não conhece o Senhor. Isso fica claro quando mergulhamos nesse texto e identificamo-nos com as características de uma pessoa cuja geração não conhece a Deus.
Uma geração que não conhece a Deus…
1. Não se COMPROMETE em fazer o que é RETO aos seus olhos
“Então os israelitas fizeram o que Senhor reprova e prestaram culto aos baalins.” (Juízes 2.11)
Quando a geração não conhece a Deus, vive um estilo de vida voltado apenas para os seus interesses. O seu compromisso é consigo mesmo. O seu desejo é o que vale. O que importa é a satisfação das suas vontades. A vontade de Deus fica pra depois.
A vida com Deus requer uma disposição de fazer o que é bom perante o Senhor. Porém, é muito mais fácil fazer o que é bom diante da sociedade. Entretanto, aquilo que é bom perante os homens, nem sempre é bom perante Deus. E isso ficou claro no caso de Israel. Eles se igualaram às nações vizinhas. Eles se desviaram do caminho do Senhor.
·         A geração que não conhece a Deus se DESVIA do CAMINHO do Senhor
“Mesmo assim eles não quiseram ouvir os juízes, antes se prostituíram com outros deuses e os adoraram. Ao contrário dos seus antepassados, logo se desviaram do caminho pelo qual os seus antepassados tinham andado, o caminho da obediência aos mandamentos do Senhor.” (Juízes 2.17)
Por vezes a estrada da vida parece tão dura e difícil que o mais natural a fazer é pegar um atalho que nos conduza, de um jeito mais fácil, aos nossos objetivos. Você já tentou pegar um atalho e acabou se perdendo? Motivada pelos atalhos que se apresentam como opções mais fáceis para a vida, esta geração tem perdido o rumo da sua existência.
·         A geração não conhece o seu Deus acaba QUEBRANDO a sua ALIANÇA com ele
“Por isso a ira do Senhor acendeu-se contra Israel, e ele disse: como este povo violou a aliança que fiz com os seus antepassados e não tem ouvido a minha voz, não expulsarei de diante dele nenhuma das nações que Josué deixou quando morreu.” (Juízes 2.20-21)
Por ter feito o que era mal perante o Senhor, aquela geração quebrou a sua aliança com Deus. O que é uma aliança? Quem é casado ou noivo tem uma no dedo. Aliança é um sinal, uma representação de um acordo firmado entre duas pessoas que se comprometeram diante de Deus e algumas testemunhas, de que viveriam juntas na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza até que a morte viesse a separá-las. E, quando isso não acontece, ocorre a quebra da aliança. Israel havia se comprometido em servir ao seu Deus, em viver unido ao seu Deus até à morte, porém, eles quebraram essa aliança. Como está a sua aliança com Deus?
Uma geração que não conhece a Deus…
2. ENFRENTA sérias CONSEQUÊNCIAS
“Sempre que os israelitas saíam para a batalha, a mão do Senhor era contra eles para derrotá-los, conforme lhes havia advertido e jurado. Grande angústia os dominava.” (Juízes 2.15)
Precisamos compreender que as nossas atitudes geram consequências. E aqui encontramos uma geração tendo que enfrentar as duras consequências de não conhecerem a Deus. O escritor aos Hebreus nos advertiu:
“Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.” (Hebreus 10.31)
Como é maravilhoso contar com o favor do Senhor. Como é triste contar com a reprovação do Senhor. A mão de Deus pode ser tanto o favor de Deus quanto a oposição de Deus a tudo quanto fazemos. Neste caso, a mão de Deus se colocou em oposição a tudo o que o povo estava fazendo. Isso só aconteceu porque aquela geração não conhecia a Deus e nem se comprometia com ele.
Uma geração que não conhece a Deus…
3. Torna-se INCONSTANTE em seus caminhos
“Sempre que o Senhor lhes levantava um juiz, ele estava com o juiz e os salvava das mãos de seus inimigos enquanto o juiz vivia; pois o Senhor tinha misericórdia por causa dos gemidos deles diante daqueles que os oprimiam e os afligiam. Mas, quando o juiz morria, o povo voltava a caminhos ainda piores do que os caminhos dos seus antepassados, seguindo outros deuses, prestando-lhes culto e adorando-os. Recusavam-se a abandonar suas práticas e seu caminho obstinado.” (Juízes 2.18-19)
Diz o texto que, quando tudo ia mal, eles clamavam e buscavam ao Senhor, que se compadecia deles e mandava um libertador. Mas, quando tudo ficava bem, eles abandonavam ao Senhor. Será que essa atitude tem alguma semelhança com a atitude de tantos que ainda hoje, só procuram a Deus na hora da dor? Tantos que só procuram as bênçãos de Deus e se recusam a ter uma experiência com o Deus que dá as bênçãos?
A falta de um conhecimento profundo de Deus nos leva a um relacionamento superficial com ele. Tornamo-nos religiosos e até cumpridores dos nossos deveres, mas ocos e vazios por dentro.
Uma geração que não conhece a Deus…
4. Não o deixa TRATAR o seu CORAÇÃO
“Mas, quando o juiz morria, o povo voltava a caminhos ainda piores do que os caminhos dos seus antepassados, seguindo outros deuses, prestando-lhes culto e adorando-os. Recusavam-se a abandonar suas práticas e seu caminho obstinado.” (Juízes 2.19)
Essa foi uma geração que se recusou ser tratada por Deus. Uma geração que se contentou com uma maquiagem, que encobria a sua realidade diante de Deus. As nossas atitudes podem nos levar a um distanciamento de Deus. E podemos nos distanciar de Deus sem perceber que estamos distantes dele. Uma geração que não conhece a Deus não permite que ele cuide do seu coração. Seu coração ainda está doente? Talvez você esteja inserido em uma geração que ainda não conhece a Deus!
Conclusão:
À semelhança desta geração, nós vivemos numa geração que tem se rebelado contra Deus, que tem quebrado a sua aliança com Deus, que tem se recusado a aceitar o tratamento de Deus, que tem buscado a Deus somente quando se encontra em apuros. Há muita gente achando que conhece a Deus porque não falta a nenhuma celebração, vem à EBD, participa de todas as ferramentas de crescimento espiritual que a igreja oferece, entrega o seu dízimo, canta, ora e jejua.
Porém, talvez a palavra de Deus para sua vida, hoje, seja a mesma que ele liberou sobre seu povo no tempo dos juízes: “surgiu uma nova geração que não conheceu a Deus”.
Uma geração que não conhece a Deus…
1. Não se COMPROMETE em fazer o que é RETO aos seus olhos
2. ENFRENTA sérias CONSEQUÊNCIAS
3. Torna-se INCONSTANTE em seus caminhos
4. Não o deixa TRATAR o seu CORAÇÃO
Escolha, hoje, fazer parte da geração que conhece a Deus, que se compromete com Ele, que faz o que é reto aos seus olhos, que possui um espírito reto e que se submete ao seu tratamento diariamente. Decida hoje conhecer mais de Deus!


 Pr. Marcelo Coelho

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Aquilo que o homem semear, isso também colherá Gl 6:6-10



Introdução: consideremos a agricultura.

Primeiro, o que quer que você semeie, será o que colherá. Se lançar sementes de tomate à terra, não obterá milho, não importa o quanto deseja que o milho cresça! Segundo, o que quer que você semeie, você haverá de colher. Mesmo que a semente fique no solo sem produzir nenhum efeito aparente por longo tempo, ela brotará. Não é a ceifa que determina a colheita, mas a semeadura.

Exatamente o mesmo princípio opera na esfera moral e na espiritual. Quem decide como será a colheita, não são os que colhem, mas os semeadores. Se ele “semeia ventos, colherá tempestades”. Semear desonestidade rompe o tecido dos relacionamentos e cria a ruina da solidão. Semear inveja e ciúmes rompe o tecido da satisfação e cria a ruina da amargura. O QUE QUER QUE SEMEIE, VOCE COLHERÁ E O PECADO SEMPRE GERA RUINA, NUNCA ALEGRIA E VIDA (Jó 4.8; Os 8.7).

1)    Não vos enganei
Jesus disse que o diabo é um mentiroso e o pai da mentira, e advertiu os seus discípulos contra a possibilidade de serem enganados (Jo 8.44). O apostolo João nos adverte na sua segunda epístola, que “muitos enganadores tem saído pelo mundo afora” (2 João 7). Paulo nos roga “Ninguém vos engane com palavras vãs” (Ef 5.6). Já em Galátas, ele pergunta aos seus leitores: “Quem vos fascinou” (Gl 3.1). 



De “Deus não se zomba”. A palavra grega deriva de uma palavra que significa NARIZ e quer literalmente dizer “torcer o nariz para” alguém e, portanto, “Zombar” ou “tratar com desprezo”. A partir dai pode significar “brincar” ou “passar a perna”. O que o apostolo diz aqui é que os homens podem enganar a si mesmos, mas não podem enganar a Deus.

2)    O ministério cristão (v.6)
A palavra grega para “aquele que está sendo instruído na Palavra” é Katechoumenos, alguém que “está aprendendo o evangelho”. Aquele que está sendo instruído na palavra deve ajudar a sustentar o seu mestre. Assim um ministro pode esperar ser sustentado pela congregação. Ele semeia a boa semente de Deus e colhe o sustento material.

O SENHOR JESUS DISSE aos setenta que enviou “digno é o trabalhador do seu salário”. E Paulo, usando a linguagem da semeadura, ensina a mesma verdade: “Se nós vos semeamos as cousas espirituais, será muito recolhermos de vós bens materiais”. Em 1 Timóteo 5:17 E 18 vemos: “Os presbíteros que lideram (labutam) bem a igreja são dignos de dupla honra, especialmente AQUELES CUJO TRABALHO É A PREGAÇÃO E O ENSINO. Pois a Escritura diz: Não amordace o boi enquanto está debulhando o cereal, e o trabalhador merece o seu salário”. A palavra “LABUTA” indica aquele que esforça na palavra com todas as suas forças e meios procurando entende-la e aplica-la.

3)    A santidade cristã
Em Gálatas 5, a vida cristã é comparada a um campo de batalha, e a carne e o Espírito são dois combatentes em guerra um contra o outro. “Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o Espírito, o que é contrário a carne” (v.17). Aqui, em Galatas 6, a vida cristã é comparada a uma propriedade rural, e a carne e o Espírito são dois campos em que nós semeamos. Além disso, a nossa colheita depende de onde e o que nós semeamos.

De acordo com Galatas 5, o dever do cristão é “andar no Espírito” (v.25); de acordo com Gálatas 6 é “semear para o Espírito”. Assim o Espírito Santo é comparado ao caminho pelo qual andamos (Gl 5) e ao campo no qual semeamos (Gl 6). COMO PODEMOS ESPERAR COLHER O FRUTO DO ESPÍRITO SE NÃO SEMEAMOS NO CAMPO DO ESPÍRITO? O velho ditado é verdadeiro: “Semeia um pensamento, colha um ato; semeia um ato, colha um hábito; semeia um hábito, colha um caráter; semeie um caráter, colha um destino”.

3.1) “Semeando para a carne”
Vimos que a nossa “carne” (sarx) é a nossa natureza caída, “com as suas paixões e concupiscências, a qual, se não for controlada, manifesta-se nas “obras da carne” (Gl 5.19-21): ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, etc. Essa natureza caída existe em cada um de nós e permanece em nós, mesmo depois da conversão e do batismo.

“Semear para a carne”: as sementes são pensamentos e atos. Toda vez que permitimos que a nossa mente abrigue um ressentimento; acalente uma queixa; entretenha uma fantasia impura; toda vez que permanecemos em má companhia; toda vez que vemos sites pornográficos; toda vez que acariciamos aconchegamos e afagamos a carne. SEMEAMOS NA CARNE. 



Exemplos de personagens bíblicos que disseram sim “a carne”: Adão e Eva disseram sim à carne, consequência, foram expulsos do jardim do Éden.  Acã disse sim à carne, desobedecendo as ordens de Deus, levando consigo a capa babilônica, prata e ouro então, sua casa foi apedrejada e seus bens. Se tivesse dito não, isso não teria acontecido (Js 7.19-26). Sansão perdeu a sua unção, seu ministério, sua vida, sua comunhão com Deus, porque disse sim a carne, consequência, ficou cego e morreu no meio dos escombros (Jz 16.17-22). Davi, também disse sim à carne; houve tanta miséria em sua vida: sua filha foi abusada, seu filho foi assassinado (Amnon), Absalão fez uma rebelião, etc.

HÁ CRISTÃOS QUE SEMEIAM PARA A CARNE TODOS OS DIAS E FICAM SE PERGUNTANDO PORQUE NÃO COLHEM SANTIDADE. A SANTIDADE É UMA COLHEITA; COLHER OU NÃO COLHER DEPENDE QUASE INTEIRAMENTE DO QUE E ONDE SEMEAMOS.

3.2) “Semeando para o Espírito”
É o mesmo que “o pendor do Espírito” (Rm 8.6) e “andar no Espírito”. Além disso, as sementes são nossos pensamentos e atos. Devemos “buscar” as coisas de Deus e “pensar nelas”, “cousas lá do alto, não nas que são aqui da terra” (Cl 3.1-2). Semeando no Espírito: oração; meditação diária na Palavra de Deus; frequência aos cultos (não perder o culto de santa ceia); se abster de más companhias, etc. Tudo isso é “semear para o Espírito”.

Personagens bíblicos que disseram sim ao Espírito: José preferiu ir para cadeia do que para a cama com a mulher de Potifar (Gn 39.12); O profeta Daniel disse não “aos manjares do rei” da Babilonia (Dn 1.8). Moisés recusou ser chamado filho da filha de Faraó, ele disse sim ao Espírito (Hb 11.24-29).

Paulo traça uma diferença entre as duas colheitas: se semearmos para a carne, “da carne colheremos corrupção”, isto é, vai haver um processo de decaimento moral. Iremos de mal a pior e finalmente PERECEMOS. Se, por outro lado, semearmos para o Espírito, vamos “do Espírito colher VIDA ETERNA. Vai iniciar-se um processo de crescimento moral e espiritual:  “até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo” Efésios 4:13.

Conclusão: Vs 9-10
“E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé”. 



Exortação: “não se cansem” nem desanimem de fazer o bem. O serviço cristão é cansativo e exigente. Somos tentados a desanimar, a relaxar e até mesmo a desistir. Se perseverarmos semeando, então “A SEU TEMPO CEIFAREMOS, SE NÃO DESFALERCEMOS”. Temos que ser como o lavrador que “aguarda com paciência o precioso fruto da terra...” (Tg 5.7)