terça-feira, 27 de maio de 2014

O chamado para Construir a Comunidade (Efésios 4:1-16).



Introdução: Paulo  –  prisioneiro de Cristo: “Rogo-vos, eu, prisioneiro de Cristo...”.
·        Paulo é tanto um prisioneiro de Cristo como um prisioneiro por amor a Cristo, não somente vinculado a ele pelas correntes do amor como também detido por causa da sua lealdade ao evangelho (Efésios 3.1).

·        Rogo-vos, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados”.  A Igreja que Deus está chamando à existência tem duas características principais: Primeiro é um só povo, composto igualmente de judeus e gentios, a única família de Deus. Segundo, é um povo santo, distinto do mundo secular, separado para pertencer a Deus.  Portanto, visto que os que são de Deus são chamados para ser um só povo, devem manifestar a sua união, e porque são chamados para ser um povo santo, devem manifestar a sua pureza. A união e a pureza são dois aspectos fundamentais de uma vida digna do chamamento divino da igreja.

1)    Cinco pedras fundamentais da unidade cristã (vs. 2-3): a humildade, a mansão, a longanimidade, a tolerância mútua e o amor.

·        A humildade. A humildade é essencial à unidade. O orgulho fica espreitando por detrás de toda discórdia, ao passo que o maior segredo individual da concórdia é a humildade. É fácil comprovar isto pela experiência. As pessoas de quem gostamos imediata e instintivamente, e como quem temos facilidade de conviver, são aquelas que nos tratam com respeito que julgamos merecer, ao passo que as pessoas com as quais instintivamente antipatizamos são as que nos tratam como lixo.

·        A mansidão. A qualidade da moderação: o meio termo entre ser irado demais e nunca ficar irado de modo algum. Mansidão não é sinônimo de fraqueza; pelo contrário, é a suavidade dos fortes, cuja força está sob controle. É a qualidade de uma personalidade forte que é, mesmo assim, a senhora de si mesmo e a serva de outras pessoas.
“Humildade e Mansidão formam um par natural. É que “o homem manso pensa bem pouco nas suas reivindicações pessoais, assim como o homem humilde pensa bem pouco nos seus méritos pessoais”  (Mt 11.29).

·        A longanimidade. É aguentar com paciência pessoas provocantes, tal como em Cristo Deus nos considerou (Rm 2.4).

·        Suportando uns aos outros. Fala daquela  mutua tolerância  sem a qual nenhum grupo de seres humanos podem conviver em paz.

·        O amor. É a qualidade final, que abrande as quatro anteriores, e é a coroa e a soma de todas as virtudes. Visto que amar é procurar de modo construtivo o bem estar dos outros e o bem da comunidade (Cl 3.14).

“Manter a unidade na igreja requer o compromisso de toda comunidade – todos nós cuidando dela juntos, reconciliando-nos uns com os outros, cuidando uns dos outros, exortando-nos mutuamente, lançando-nos juntos à longa jornada, comprometidos uns com os outros”.

“Quando há censura ou admoestação, no sentido de se tornar mais responsável, a pessoa muitas vezes abandona a igreja, procurando outra que “apóie mais”.  Estarmos unidos no Espírito de Deus não significa apenas dar tapinhas nas costas dos irmãos e prosseguirmos com nossas glutonarias e idolatria”.

2)    Celebrando a Unidade (Efésios 4:4-5).
·        Impressiona com o número de vezes que Paulo usa a palavra “um”; ela ocorre, realmente, sete vezes. Uma leitura mais cuidadosa revela que três destas sete unidades fazem alusão às três pessoas da Trindade ( um Espírito, v.4; um só Senhor, v.5, isto é, o Senhor Jesus; e um só Deus e Pai de todos, v.6), ao passo que as outras dizem respeito à nossa experiência cristã com relação às três pessoas da Trindade.

·        Portanto, imagine um triângulo com cada substantivo em seu ângulo.  Para muitos, é certamente um mistério divino como o Espírito pode reunir pessoas tão diferentes em um Corpo.


um Corpo                                                                            um Espírito



                                  Uma esperança




·        Um só corpo. Este único corpo é a igreja porque há somente um Espírito. Este único corpo é a igreja, o corpo de Cristo (Ef. 1.23), que é composto por crentes judeus e gentios, e sua coesão é devida ao único Espírito Santo que habita nele e que o anima (1 Co. 12.13). A criação do corpo de Cristo só depende do Espírito Santo.

·        Uma só esperança. Temos esperança do Evangelho que foi pregado (Cl 1.23); esperança da justiça que provém da fé (Gl 5.5); esperança de que Deus não nos abandonará (Sl 16); esperança de que Deus manterá suas promessas (At 26.6-7); esperança da salvação (1 Ts 5.8); esperança da ressurreição (Atos 23.6); esperança da vida eterna (Tito 1.2), etc.

·        A segunda Pessoa da Trindade nos oferece outro triangulo, composto por: um Senhor, uma fé, um batismo.



um Senhor                                                                                                  uma fé



                                                             um batismo



·        O Senhor Jesus Cristo é o único objeto da fé, da esperança e do batismo de todos os cristãos. É em Jesus Cristo que temos crido, é em Jesus Cristo que fomos batizados.

·        Um Deus e Pai de todos,  o único acima de todos através de todos e dentro de todos Ef. 4.6).


                                                            Um Pai             acima de todos
                                                                                      Através de todos
                                                                                        Dentro de todos
                                                                                                                 
                                                                                                                  
                                                                         uma fé
um corpo                             um Espírito                                                        um Senhor                              uma Fé



 


             Uma esperança                                                                                                     um batismo
·        O número 7 (simboliza perfeição) combina o 3 (a trindade) com o 4 (no pensamento judeu, o numero que simboliza toda a Terra). Assim, o texto coloca juntos Deus e Seu povo, na unidade mais importante de todas.


3)    Os dons da Comunidade (Efésios 3:7-11).
·        A descida de Cristo se refere a humilhação e a exaltação, sendo que esta última trouxe a Cristo a autoridade e o poder universais. Como resultado, Cristo outorga à sua igreja, tanto o próprio Espírito para habitar nela quanto os dons do Espírito para edificá-la ou levá-la à maturidade.

Ø A ênfase no versículo 11 não está na designação de uns para isso e outros para aquilo, mas naquele que concedeu ou designou. Cristo concedeu que uns fossem pastores e outros mestres, evangelistas de modo que eu e você somos presentes, ou dons, para a igreja!

·        Apóstolos – o verbo apostello significa enviar -. Havia os apóstolos de Cristo, um grupo muito pequeno e distinto, que consistia nos doze, Paulo, Tiago, irmão do Senhor, e possivelmente um ou dois mais. Foram pessoalmente escolhidos a autorizados por Jesus, e tinham de ser testemunhas oculares do Senhor ressurreto.

·        Profetas. No sentido primário em que a Bíblia usa a palavra, o profeta era uma pessoa que esteve no conselho do Senhor, que ouvia e até mesmo via a sua palavra, e que, como consequência, fala o que vem da boca do Senhor e fala a sua palavra com verdade. No sentido do Antigo Testamento não há mais profetas (Mateus 11:13).

“No Novo Testamento o ministério tem a função de trazer os descrentes uma convicção dos seus pecados, e aos crentes, edificação, exortação e consolação. O dom profético do Novo Testamento tem que ter o manuseio da Palavra de Deus e um olhar aguçado sobre o momento histórico atual”.

·        Evangelistas. Este substantivo ocorre apenas três vezes no Novo Testamento (aqui; Atos 21.8 a respeito de Filipe, e em 2 Tm 4:5 sobre Timóteo). Este ministério se refere ao dom da pregação evangelística.

·        Pastor e mestres.  Os pastores são chamados para cuidar do rebanho de Deus, o fazem especialmente por meio de alimentá-los, isto é pelo ensino (1 Pe 5.2)Mas nem todo mestre cristão é também um pastor (alguns mestres estão nos seminários teológicos ou lecionando nas escolas dominicais).

Conclusão: Voce é um dom para a igreja!
para preparar os santos completamente para (seu) trabalho, para a construção do corpo de Cristo, até que todos cheguemos a unidade da fé e do completo conhecimento do Filho de Deus, a humanidade madura, a medida de estatura da perfeição de Cristo, para que não possamos mais ser crianças empurradas de um lado para o outro pelas ondas e carregadas de um lado para o outro por cada vento de ensino, pelas trapaças das pessoas em ardis enganosos, mas falando a verdade em amor para que possamos crescer de todas as maneiras nele que é a cabeça, Cristo,em que o corpo todo, estando colocado junto e tecido junto por todos os ligamentos que existem nele, de acordo com o trabalho adequado de cada parte, causa e crescimento do corpo para a construção dele mesmo em amor”.





terça-feira, 20 de maio de 2014

O DNA DA IGREJA (1 Corintios 6.9-11)


Introdução: o Apóstolo Paulo e seus “santos”. 

As cartas do apóstolo Paulo destinadas à igreja de Corinto está cheia de exortações e repreensões devido a problemas como divisões, fofocas, adultérios, incestos, litígios entre pessoas, atitudes de preconceitos entre ricos e pobres, entre outras coisas. 

Os membros da igreja de Corinto são chamados de “santos”! Como poderia ele chamar de “santos” grupos formados por pessoas tão problemáticas e que carregavam em seus currículos erros e pecados tão grotescos? 

A resposta está na expressão que normalmente ele chama os cristãos de “santos em Jesus Cristo” (1 Coríntios 1:2: “...aos santificados em Jesus Cristo...”). A não percepção ou compreensão deste segredo tem levado muitas pessoas a enxergarem a igreja de uma forma crítica e severa. Porque essas pessoas colocam em dúvida a validade da igreja enquanto comunidade dos discípulos de Jesus, por causa da qualidade de vida de algumas pessoas que nela se agregam.

Exemplo, Friedrich Nietzche, disse: “Eu creria na sua salvação se eles (os cristãos) se parecessem um pouco mais com pessoas que foram salvas”. Mahatma Gandhi: “Não tenho dificuldade com a pessoa de Jesus. Minha dificuldade reside no abismo facilmente observado entre a pessoa e ensinamentos de Jesus e o estilo de vida daqueles que se afirmam seus seguidores”. 

O escritor americano Philip Yancey, chegou após uma longa jornada de dúvida e criticas em relação à igreja: “Rejeitei a igreja durante algum tempo porque encontrei bem pouca graça ali. Voltei porque não descobri graça em nenhum lugar”.  E continua: “O processo me ensinou que o segredo para encontrar a igreja certa está dentro de mim. Tem a ver com o meu modo de olhar a igreja”. 

Portanto, se observamos a matéria prima usada por Deus para fazer, a partir dela, o seu povo, compreenderíamos que o propósito  principal de Deus, através da igreja , NÃO É CRIAR UM GRUPO DE PESSOAS QUE PROPAGUEM E DIVULGUEM SUAS VIRTUDES ENQUANTO INDIVIDUOS, MAS SIM AS VIRTUDES DE DEUS EM AMÁ-LAS, PERDOÁ-LAS E RESTAURÁ-LAS ATRAVÉS DA OBRA DE JESUS CRISTO. 

1)    Uma má noticia!
“vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixe enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus”.

Somos levados a concluir que Paulo nos apresenta uma lista de pessoas que, devido à natureza de seus erros, já estão pré-condenadas por Deus e pré-cozidas para o inferno. Não existe nem mesmo apelação! Vocês perversos, imorais, idólatras, adúlteros, homossexuais, avarentos, alcoólatras, caluniadores e trapaceiros, não tem mais qualquer chance. Desculpe-me, mas regras são regras! 

2)    Uma boa notícia! (v.11).
Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus. 

“Assim foram alguns de vocês”. Paulo afirma que alguns daqueles que estão assentados nos bancos da igreja de Corinto são ex-perversos, ex-imorais, ex-idólatras, ex-homossexuais, ex-ladrões, ex-avarentos, ex-alcólatras, ex-caluniadores, ex-trapaceiros. Você já imaginou estar sentado aos domingos no meio de uma turma como este currículo? 

1.1)                    Três noticias.
·        A primeira noticia é que você, quando assentado num dos bancos de uma igreja, encontra-se sim sentado no meio de um bando de ex-perversos, ex-imorais, ex-idólatras, ex-homossexuais, ex-ladrões, ex-avarentos, ex-alcólatras, ex-caluniadores, ex-trapaceiros. Cada uma delas é, no Maximo, um “ex”.

·        A segunda noticia, ainda mais chocante, é que eu e voces somos um deles. Nós não gostamos de sermos confrontados pelo nosso passado, mas cada um de nós, em sua própria fraqueza, carrega umas destas marcas de  ex-perversos, ex-imorais, ex-idólatras, ex-homossexuais, ex-ladrões, ex-avarentos, ex-alcólatras, ex-caluniadores, ex-trapaceiros, entre outros tantos “ex” que poderiam nos caracterizar. “O que nos qualifica para estarmos sentados em um banco da igreja, certamente, não é o nosso currículo anterior.  Quem pensa o contrário, não compreendeu ainda a essência do Evangelho de Deus”.

·        A terceira noticia, e talvez a mais chocante e complicada de todas, é que alguns daqueles que estão sentados domingo após domingo nos bancos de nossas igrejas não são tão “ex” como deveriam ou com parecem ser. Outros, até são, mas vivem tendo recaídas.

“Ao estabelecer que o padrão de aceitação para pertencer ao grupo seria  a graça (Efesios 2.8-10), Deus transforma a igreja numa comunidade de gente que traz profundas marcas em seu passado, grandes lutas no presente e a esperança de redenção de sua vidas e histórias no futuro. No entanto, esta esperança não faz deles gente acabada, mas ainda em obras”.

Quem foi Abraão? Um homem capaz de entregar sua própria esposa para um outro homem por medo de morrer? Quem foi Jacó? Um homem que passou a vida enganando todos que lhe cercavam? Quem foi Davi? Um rei com talento para musica e poesia, mas um péssimo pai para seus filhos! GENTE LIMITADA, IMPERFEITA E FALHA. POR ISSO, AO LERMOS A HISTÓRIA DE SUAS VIDAS, O QUE NOS SALTA AOS OLHOS NÃO É: QUÃO VIRTUOSOS ELES ERAM. MAS, QUÃO GRACIOSOS DEUS FOI PARA COM ELES.

3)    Uma excelente notícia!
“Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus”.
·        Os três verbos assinalados tem em comum o fato de estarem na voz passiva. O agente da ação não somos nós, mas Deus. Nós somos apenas objetos da ação: é Deus quem nos lavou, é Ele quem nos santifica e é Ele também quem nos justificou. Os verbos ressaltam o contraste entre o passado (o que éramos) e o presente (o que somos em Cristo).

·        “Foram lavados”: o primeiro verbo era usado para se referir ao ato de pegar determinados utensílios, objetos, roupas, sujos pela utilização intensa ou indevida, para lavá-los com água corrente (Ap 7.9,13-14).

“no nosso passado podem existir marcar de erros cometidos e de desliza ocorridos. Estas marcas nos relembram desde nossos erros mais tolos até os mais grotescos. No entanto, quando nos aproximamos de Deus, crendo no que Ele fez por nós naquela cruz, somos lavados completamente”.

·        “Fomos santificados”: No Antigo Testamento as peças do tabernáculo tinham uma utilização especifica: o serviço a Deus. Quando dedicadas para este fim, aquelas peças eram santificadas, ou seja, separadas para o uso exclusivo do serviço à Deus. O que faz de nós pessoas especiais não é a nossa essência, mas o fato de estarmos engajados neste processo.

·        Fomos justificados. “justificar”, tem sua origem no mundo judaico. Quando alguém cometia um deslize contrariando a lei, passava a ter uma pendência para com a justiça. Quando este alguém cumpria a pena determinada ou pagava pelo dano causado à outro, ele era tido como justificado. O que Deus fez? Enviou Jesus para com sua vida e morte na cruz “pagar” nossa divida.

terça-feira, 13 de maio de 2014



A necessidade da disciplina na igreja. 1 Corintios 5:1-13.



·        Corinto abrigava um porto marítimo obcecado por sexo. Seria muito difícil que um coríntio convertido não fosse contaminado, direta ou indiretamente, por algum tipo de imoralidade sexual.
·        Geralmente se ouve que há entre vós imoralidade, e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios...O vocábulo grego é porneia, que significa literalmente procurar prostitutas. É qualquer comportamento sexual que transgride a norma cristã, isto é, todo relacionamento sexual pré-marital ou extraconjugal, incluindo todas as violações do sétimo mandamento (Dt 5:18, 21).

1)    A necessidade de disciplina.
·        A disciplina pode ser resumida em uma simples sentença: Para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou.  O homem deve ser retirado, do meio da comunidade de fé e adoração. Proibir de participar da santa ceia do Senhor e das atividades da igreja.  Objetivo, para o bem, tanto do individuo, quanto da comunidade cristã.

1.1) A disciplina é necessária para o bem do individuo (3-5).
·        A necessidade da disciplina individual resume-se melhor na frase: a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus (v.5). Visando a salvação do homem. Três idéias: 1) a autoridade total do Senhor Jesus como Senhor; 2) a presença corporativa de toda a comunidade cristã em Corinto ( não podemos fechar os olhos para os erros);  3) e o controle soberano do Senhor sobre tudo o que Satanás tem permissão para fazer, mesmo a um cristão rebelde.

·        O pior que Satanás, o “adversário” de Deus e do homem, pode fazer está totalmente sob o controle, sob a autoridade de Cristo através da igreja (Mt 18:18; 1 Tm 1:20). No caso de Jô (Jô 12:5), ele foi entregue a Satanás para ser afligido “nos ossos e na carne”. Paulo também fala de seu “espinho na carne” como sendo “um mensageiro de Satanás” ( Co 12:7). Ambos estavam sendo provados por Deus, ressalva.

·        Disciplina, vulnerabilidade. É o mesmo que ser largado, indefeso e desamparado, no território ocupado pelo inimigo. O choque profundo de tal experiência pode produzir algo semelhante a um ataque cardíaco. Se não haver disciplina, ficará sujeito a degenerar-se em um apóstata completo, que acabará esmagando o Filho de Deus (Hb 6:4-6).

1.2) A disciplina é necessária par ao bem da comunidade dos cristãos (6-8).
·        Não é boa a vossa jactância(v.6). Um dos aspectos da guarda da Páscoa era a solene busca de destruição de todo o fermento, antes da festa começar (durante sete dias só se podia comer sem fermento). Fazia-se a remoção de todo o fermento antes que a vitima da Páscoa fosse oferecida no templo.
·        Um pecador persistente, pego em flagrante, que continua sendo aceito sem disciplina dentro da comunidade cristã, mancha todo o corpo. Tal como os judeus celebravam a libertação rejeitando o fermento, os cristãos devem celebrar continuamente a libertação do pecado sem nenhum compromisso com o pecado. Caso contrario, toda vida em comunidade cristã se transforma em uma farsa, cheia de insinceridade e hipocrisia.

CONCLUSÃO: 1 Corintios 5:9-13.
·        O pecado da fornicação é um pecado contra o próprio ser do homem. Ao cair, ele se reduziu ao nível de um animal, pecou contra a luz que está nele e contra o melhor que conhece. Permitiu que sua natureza inferior derrote e o mais elevado de si mesmo e se converteu em algo menos que um homem.
·        O pecado da avareza. Considera os seres humanos como pessoas que podem ser exploradas, em lugar de vê-los como irmãos que devem ser ajudados (Amós 4.1).
·        O pecado da idolatria é contra Deus. Permitem que os objetos usurpem o lugar de Deus. É não dar a Deus o primeiro e único lugar na vida.

terça-feira, 6 de maio de 2014

A pedra removida e a comissão universal (Mc 16.1-20).



As mulheres se enfrentavam com três dificuldades. A pedra em si mesma era gigantesca; estava selada com o selo da lei e era custodiada pelos representantes da autoridade.

Diante da humanidade se apresentavam as mesmas três dificuldades. A morte mesma era uma pedra gigantesca que não podia ser removida por nenhuma força conhecida para os mortais: a morte era evidentemente enviada por Deus como um castigo pelas ofensas contra Sua lei. Portanto, como poderia ser apartada, como poderia ser removida? O selo vermelho da vingança de Deus estava posto à entrada do sepulcro. Como o selo poderia ser anulado? Quem poderia rodar a pedra? Ademais, as forças do demônio e os poderes do inferno guardavam o sepulcro para impedir qualquer fuga; quem poderia enfrentar-se com elas e levar as almas dos mortos, arrancadas como uma presa de entre a boca do leão?
“Quem?”, e o eco respondia: “Quem?” Nenhuma resposta foi dada a sábios nem reis, mas as mulheres que amavam ao Salvador receberam a resposta. Chegaram ao sepulcro de Cristo, mas esse estava vazio, pois Jesus havia ressuscitado.
A história da Páscoa não termina com um funeral, mas, sim, com uma festa. O túmulo vazio de Cristo foi o berço da Igreja. Sem a ressurreição de Jesus não haveria nem cristianismo nem Igreja, pois ela é o coração da nossa fé. O cristianismo é acima de tudo a religião da ressurreição. A Igreja é primariamente chamada a comunidade da ressurreição.

1)    Primeiro dia da semana (vss. 1 e 2);
·        É digno observar que as mulheres vão ao sepulcro no primeiro dia da semana (16.2). Jesus levantou-se da morte no primeiro dia da semana (16.6). Ele derramou o seu Espírito no Pentecostes no primeiro dia da semana (At 2.1-4). No primeiro dia da semana a Igreja passou a reunir-se para a comunhão (At 20.7) e para fazer suas ofertas (1Co 16.2). João viu o Cristo glorificado na Ilha de Patmos no primeiro dia da semana (Ap 1.10). O primeiro dia da semana tornou-se o dia da celebração do povo de Deus, a celebração da vitória sobre a morte.

2)    Uma preocupação desnecessária (16.3-4).
·        As mulheres, enquanto caminham para o túmulo de Jesus, se desgastam com uma preocupação desnecessária: “Quem nos removerá a pedra da entrada do túmulo?” O anjo não removeu a pedra para deixar o Senhor sair, mas para demonstrar que Ele já não estava mais no sepulcro. A porta foi removida não de fora para dentro, mas de dentro para fora.

·        A preocupação tem a capacidade de roubar nossas energias e tirar os nossos olhos do foco. As mulheres bem como os discípulos não discerniram as palavras de Jesus, quando este, várias vezes, falou sobre sua ressurreição. A falta de compreensão da Palavra de Deus gera em nós preocupação.

3)    Um fato incontroverso (16.5-7).
·        Em primeiro lugar, a pedra removida (16.4). A pedra removida deve ser considerada a porta do sepulcro removida. A casa da morte estava fortemente guardada por uma grande pedra e pelo sinete de Pilatos. A pedra foi removida e Cristo saiu vivo, vitorioso e triunfante. Você pode visitar o túmulo de Buda, Confúcio, Maomé e Alan Kardec, mas o túmulo de Jesus está vazio. O apóstolo Paulo diz que se Cristo não ressuscitou é vã a nossa pregação; é vã a nossa fé (1Co 15.14-19).

·        Em segundo lugar, o testemunho angelical (16.5,6). O anjo vestido de branco está assentado ao lado direito do túmulo. Mateus nos informa que está assentado na própria pedra removida do túmulo. Enquanto os guardas estão desmaiados, o anjo está sobranceiro proclamando que Jesus não está mais no túmulo.

·        Em terceiro lugar, o túmulo vazio (16.6). “Vede o lugar onde o tinham posto”. As mulheres entraram no túmulo e viram o lugar vazio (16.6). Mateus diz que Pedro ao ser informado sobre a ressurreição de Cristo correu ao sepulcro. E, abaixando-se, nada mais viu, senão os lençóis de linho; e retirou-se para casa, maravilhado do que havia acontecido (Lc 24.12).

4)    Uma mensagem consoladora (16.7).
·        Em primeiro lugar, o Cristo ressurreto é o Deus da restauração (16.7). Os mesmos discípulos que prometeram fidelidade até à morte (14.31) e fugiram (14.50), são alvos do cuidado restaurador de Jesus (16.7). Ele como o bom, o grande e o supremo pastor busca as ovelhas desviadas para restaurá-las.

·        Em segundo lugar, o Cristo ressurreto é o Deus que vai à nossa frente (16.7). Não precisamos temer o futuro, porque aquele que morreu e venceu a morte por nós vai à nossa frente. Ser cristão é seguir as pegadas do Cristo ressurreto que vai à nossa frente. Ser cristão é estar a caminho. O cristianismo é a religião do Caminho e Cristo é esse caminho.

·        Em terceiro lugar, o Cristo ressurreto é aquele que nos enche de espanto e santo temor (16.8). Marcos apresenta a complexidade de emoções manifestadas pelas mulheres com: tromos (tremendo); ekstasis (atônitas); phobeo (temer) e exethambethesan (alarmadas). Imediatamente, após o espanto, elas com grande alegria correram para comunicar a mensagem da ressurreição aos discípulos (Mt 28.8). Lucas registra: “E, voltando do túmulo, anunciaram todas estas cousas aos onze e a todos os mais que com eles estavam” (Lc 24.9).

5)    Uma comissão universal (16.15-20).
·        Em primeiro lugar, a boa nova é o próprio Jesus (16.15). As boas-novas (euangelion) é uma das palavras favoritas de Marcos. Ele a usa sete vezes (1.1,14,15; 8.35; 10.29; 13.10; 14.9). Para Marcos, a história de Jesus é a boa nova a ser proclamada. O evangelho é a mensagem de que Deus está agindo por meio de Jesus, seu Filho, trazendo libertação ao cativo, quebrando o poder do diabo, do pecado e da morte.

·        Em segundo lugar, a boa nova de Jesus precisa ser pregada (16.15). O verbo pregar é outra palavra favorita de Marcos. Ela é encontrada quatorze vezes nesse evangelho, enquanto só aparece nove vezes em Mateus e Lucas. Jesus chamou seus discípulos para pregar (3.14) e os enviou a pregar (6.12). Agora, Jesus ordena seus discípulos a pregar em todo o mundo.

·        Em terceiro lugar, a boa nova de Jesus precisa ser recebida (16.16). O evangelho somente é experimentado como boas-novas quando é recebido e crido. A Palavra de Deus é como espada de dois gumes, ao mesmo tempo em que traz vida, também sentencia com a morte. A Igreja é perfume de vida e também de morte, pois ninguém pode ficar neutro diante da mensagem do evangelho que ela proclama. Aos que recebem a mensagem, a Igreja é cheiro de vida para a vida, porém, àqueles que rejeitam as boas-novas, ela é cheiro de morte para a morte.

·        Em quarto lugar, a boa nova de Jesus precisa ser confirmada (16.17,18). A grande ênfase de Marcos é que quando a Igreja proclama a mensagem de Deus, o próprio Deus confirma essa mensagem com a manifestação do seu poder (1Co 2.4; 1Ts 1.5), transformando vidas, atraindo as pessoas irresistivelmente pelo seu poder sobrenatural. A Igreja é chamada para ser um sinal do Cristo vivo e ressurreto no mundo.

Conclusão:
·        Cristo é coroado à destra de Deus Pai (16.19). Sua obra foi consumada. Seu sacrifício foi aceito. Ele que se humilhou foi exaltado sobremaneira (Fp 2.8-11).


·        a Igreja em parceria com o Senhor realiza sua obra (16.20). Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperou com eles confirmando a palavra por meio de sinais. A pregação do evangelho foi realizada com palavra e poder.