A natureza do amor
"Coloque-me como um selo
sobre o seu coração; como um selo sobre o seu braço; pois o amor é tão forte
quanto a morte, e o ciúme é tão inflexível quanto a sepultura. Suas brasas são
fogo ardente, são labaredas do Senhor. Nem muitas águas conseguem
apagar o amor; os rios não conseguem levá-lo na correnteza. Se alguém
oferecesse todas as riquezas da sua casa para adquirir o amor, seria totalmente
desprezado" (Ct 8.6-7).
Introdução
O livro “Cânticos dos Cânticos”
foi escrito pelo Rei Salomão, rei de Israel. Dizem que Salomão escreveu o
“Cânticos dos Cânticos” em sua juventude, em sua fase viril; escreveu o livro
de provérbios em sua meia idade. Por fim, escreveu o livro de Eclesiastes, em
sua fase final da vida. O livro de Cantares de Salomão expressa o
relacionamento entre Salomão e sua noiva, Sulamita.
Ele inicia o livro com esse
verso: “Beije com os beijos da sua boca! Porque o seu amor é melhor do
que o vinho (Ct 1.1-2). Tem como diferenciar o beijo com o vinho, diz
Salomão. Porque o beijo é intimidade, é o relacionamento entre homem e mulher,
é compromisso, responsabilidade, cumplicidade,
é o desejo de estar com a pessoa amada, por fim, é o casamento de papel
passado.
Enquanto o vinho é um
relacionamento solto, sem compromisso, sem apego, sem afeto, irresponsável,
passageiro de uma noite, paixão, desejo, sexo, etc. Portanto, para Salomão,
mais importante é o beijo do que o prazer temporário do vinho.
1) A
natureza do amor.
No capítulo 8, conforme o texto
lido, ele fala da natureza do amor. Primeiro, ele diz: “Põe como selo sobre
o teu coração” (Ct 8.6). Nos dias de Salomão as pessoas traziam um selo
pendurado sobre o coração. Esse selo sobre o coração falava de compromisso e
quando existe um desejo de colocar sobre o coração é para que todos olhassem
que a Sulamita era dona de seu coração... “Selo ...coração” é um desejo de
entrega-lo para o outro. Pois o coração, como diz provérbios: “...é do coração
que procedem as saídas da vida” (Mc 15.19).
O coração é muito mais do que um
órgão do corpo humano. No Hebraico coração é “lebab” que não somente significa
coração, mas “mente”, “inteligência”, “vontade”, “consciência”, “intimidade”.
Portanto, o coração é a sede da inteligência e da vontade. Coração, também, é a
capacidade de perceber, raciocinar, pensar, compreender, entender, tomar
conhecimento, consciência, memória, sentimento, vontade e juízo.
“Selo sobre o teu coração”.
Fala de uma nova identidade. A Bíblia diz “...deixará o homem a seu pai
e sua mãe, e unir-se...apegar-se-á à sua mulher. E serão os dois uma carne; e
assim já não serão dois, mas uma carne” (Mc 10.10). Agora, uma nova
identidade se cria, doravante. Não mais dois, duas vontades, duas carnes, dois
desejos, dois quereres, mas uma só carne. Isso talvez não funciona na cabeça de
muitas pessoas, porque a conta não se fecha.
Contudo, a conta divina do
casamento é diferente da conta humana da sociedade, pois para sociedade isso é
loucura afirmar que dois transforma-se em um. Há uma frase comumente que se
usa: “Tem ex-mulher mas não tem ex-filho”, ou “Amores vão e vem, mas filhos
permanecem”. O poeta Vinicius de Moraes, em soneto da
felicidade, subscreve esse pensamento: “Eu possa dizer do amor que eu
tive (já não tem mais) que não seja imortal, posto que é
chama (desejos, sentimentos, emoções), que seja infinito
enquanto dure (desejos, paixão, sexo)”. Aliás, Vinicius encarnou direitinho em sua
vida esse poema, pois teve nove mulheres e incontáveis casos.
Mas, para conta divina essa é a
solução, é o jeito de dar de certo de todo casamento. A Bíblia diz que “...o
cordão de três dobras não se quebra facilmente” (Ec 4.12).
“Selo sobre o teu braço”. O
braço é o símbolo de segurança, de proteção, cuidado. O teólogo Martin Henry,
expressou-se: “A mulher não foi feita da cabeça do homem, para não dominá-lo;
também não foi feita dos pés, para ser pisada por ele. Mas, feita das costelas,
perto do coração e dos braços para ser amada e protegida por ele”.
“O amor é tão forte quanto a
morte”. Salomão está comparando o amor com a morte. A morte é o destino de
todos quando ela chama, a morte separa, a morte causa ruptura, tristeza,
desconsolo, a pessoa fica inconsolável diante de uma perda. Enquanto o amor é o
inverso, o amor é a celebração da vida; o amor é a celebração da união; o amor
é a celebração do casamento; o amor é a junção de duas pessoas que querem viver
juntas pelo resto da vida que possuem.
Na língua grega temos os vários
tipos de amor. O amor eros, que é o desejo sexual, erótico; o amor storge, que
é amor familiar; o amor phileo, que é o amor de amigos. E por fim, o amor
agaphe, que é o amor de Deus, o amor incomensurável, o amor divino por nós. E
Salomão está falando sobre esse amor que é tão forte quanto a morte...
O que pode deter esse amor? “As
muitas águas não poderiam apagar esse amor nem os rios afoga-los”. A
metáfora para muitas águas ou “inundações”, “Tsunamis”, etc, fala de
dificuldades, idas e vindas no casamento, adversidades, angustias, doenças,
desentendimentos, que todo casal enfrenta. No entanto, o amor é tão forte, que
mesmo passando por muitas situações, não conseguem apagar o amor.
Aliás, o processo pela maturidade
do casal, do crescimento, desenvolvimento, ocorre em meio ao “caos” da vida. É
nesse momento que valores são formados, o amor se torna mais forte, resoluto,
dando ao casal independência emocional e afirmação...diante do caos.
Ele termina afirmando: “Ainda
que alguém desse toda fazenda de sua casa por este amor, certamente a
desprezariam” (v.7). O amor não pode ser comprado, manipulado ou
alugado. Não se divide o amor no cartão de credito em 200 vezes. O amor é
inestimável, o amor é caro demais. O amor é dado livremente, o amor não tem
preço...
Juramento:
Primeiro, o noivo, Eu, Dhonathan,
diante de Deus e de todas as testemunhas aqui presente, prometo lhe amar de
forma verdadeira, prometo estar sempre ao seu lado nos momentos bons
e nos momentos ruins da vida, até que a morte nos separe.
Segundo, Eu, Isabele, diante
de Deus e de todas as testemunhas aqui presente, prometo lhe amar de forma
verdadeira, prometo estar sempre ao seu lado nos momentos bons e nos
momentos ruins da vida, até que a morte nos separe.
alianças: Essa aliança é um símbolo
do meu amor e da minha fidelidade.
Eu, Pastor João Vicente Pereira,
vos declaro marido e mulher!

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