quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

 Vozes proféticas para nosso tempo  Ez 22.30 


Introdução

Charles Dickens escrevendo seu livro o conto de duas cidades. A França, cujo capital Paris estava tomada pelos revoltosos que cujo grito de guerra era: “Liberdade, igualdade e fraternidade”, mais de quarenta mil pessoas morreram na guilhotina. Londres, por sua vez, passando por uma crise espiritual profunda, mas Deus levantou Jonh Wesley e um avivamento iniciou na Inglaterra.

Sobre esse tempo, Charles Dickens expressou "Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos".  Como em nosso tempo atual: Vivemos tempos difíceis, tempos "cabulosos", nebulosos. Tempo que não existe mais o certo e o errado, mas tudo se inverteu, tudo virado de ponta cabeça.  Tempo que não existe verdade absoluta, porque o que importa é a minha verdade; o que importa é  o meu corpo e as minhas regras; o meu pensamento; a minha maneira de agir e de comportar, a vida foi privatizada e expulsaram Deus do seu dia a dia. Diante disso, temos tres vozes proféticas do Antigo Testamento que nos ajuda a entender nosso tempo.

1)     Ezequiel

O profeta Ezequiel foi levado para o exilio, pelo rei Nabucodonosor. Com eles, mais de dez mil pessoas. O Salmista expressa a angustia dos exilados: “Junto aos rios da Babilônia, nós nos sentamos e choramos com saudade de Sião. Ali nos salgueiros penduramos as nossas harpas; ali os nossos captores pediam-nos cancões, os nossos opressores exigiam canções alegres, dizendo: Cantem para nós uma das canções de Sião. Como poderíamos cantar as canções de Sião numa terra estrangeira” (Sl 137.1-4).

Deus chamou Ezequiel para ser profeta e exigia seu compromisso com Deus e não às pessoas ao seu redor. Deus lhe diz: “Filho do homem, fica em pé, porquanto desejo falar com você...Atenta que o povo a quem eu estou enviando é rebelde, obstinado, teimoso. Diga-lhe, pois: Assim diz o Senhor, o Soberano Deus” (Ez 2.1-3). E quando ele se colocou de pé “e lá estava a glória do Senhor...dobrei-me com o rosto em terra” (Ez 3.22-23). A mensagem de Ezequiel deveria ser proclamada, quer as pessoas o ouvissem ou não (Ez 3.7-11). E Deus lhe diz: “Eis que faço a tua testa tão forte quanto o diamante e mais resistente que a rocha mais dura” (Ez 3.9).

Ezequiel deveria permanecer firme, independente da maneira como fosse tratado. “Quanto a voce, filho do homem, seus conterrâneos estão conversando sobre voce junto aos muros e às portas das casas, dizendo uns aos outros: o meu povo vem a você como costuma fazer e se assentam para ouvir as suas palavras, mas não as põe em prática. Com a boca eles expressam devoção, mas o coração deles está ávido de ganhos injustos” (Ez 33.30-33). Como disse o Senhor Jesus: “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim...” (Mt 15.8).

Na verdade, o povo não estava interessado em palavras proféticas, mas queriam palavras brandas, suaves, como expressou Peterson: “fale o que eu quero ouvir, diga-me que sou legal. Apresente alguns princípios de autoajuda para que eu possa me sentir bem. Mas, pelo amor de Deus qualquer coisa, mas não fale do meu pecado” (A mensagem).

Diante disso, Deus exorta seu profeta: “...não tenha medo dessa gente nem das suas palavras...ainda que o cerquem espinheiros e voce viva entre escorpiões” (Ez 2.6). E, a voz, por fim, diz: “Abra a boca e coma o que vou lhe dar”. Enquanto o povo estava recusando ouvir a voz de Deus, o profeta tinha que “comer” o livro. Quando ele comeu a palavra de Deus, disse: “Era doce como o mel” (Ez 3.4).

2)     Amós

Amós era uma pessoa simples de Tecoa, cidade de Judá. Era pastor de ovelhas e coletava sicômoros, figos bravos. Um dia, ouvia a voz do Senhor que lhe chamava para anunciar a sua Palavra. Ou seja, um homem do campo, acostumado com animais e com a agricultura e Deus lhe chama para ser profeta, para anunciar a sua Palavra.

Mas, ele foi confrontado enquanto profetizava no reino do norte. Amazias não queria que ele profetizasse, era como se o profeta não fosse bem vindo no meio deles. Mas, Amós, responde à Amazias: “Eu não era profeta, não faço parte de nenhuma escolha de profetas; sou apenas um criador de gado e e faço colheitas de sicômoros. Mas, Deus meu chamou e me tirou do serviço junto ao rebanho e me ordenou: Vai agora! E profetiza a Israel, o meu povo”.

           O profeta Amós predisse a vinda de um tempo em que a terra sentiria saudades dos grandes profetas de outrora, ansiando por uma voz poderosa da parte de Deus – ou seja -, qualquer pessoa que defendesse a verdade de modo corajoso e politicamente incorreto. Ele diz em sua profecia: “...mandarei fome sobre toda a terra; não simplesmente fome por comida, nem de água; mas fome de ouvir e se alimentar da Palavra do Senhor. Os homens vaguearão de um mar a outro, do Norte ao Oriente, buscando a Palavra do Senhor, mas não lhes será possível encontrar”.

Hoje, infelizmente, as pessoas não estão preocupadas com a Palavra do Senhor; hoje as pessoas, infelizmente, não estão preocupadas em vir ao culto da Palavra. Sim, estão mais preocupadas com suas vidas, suas viagens, seus bens, sua comodidade. Mas, o profeta Amós, profetiza de um tempo que a Palavra de Deus tornará escassa e voce não terá mais acesso a ela.

              As pessoas ansiarão, buscarão, procurarão o alimento para a alma, buscarão incansavelmente de um mar ao outro, mas não acharão.

3)     Joel

E, por fim, o profeta Joel, filho de Petuel. Ele profetiza sobre uma fome terrível que aconteceria com o povo de Israel, uma praga de gafanhotos. É uma visão aterradora, porque os gafanhotos iriam acabar com toda plantação de Israel. Todos os tipos de gafanhotos se puseram a destruir as plantações: os que rastejam, os que migram, os que cortam e os que destroem. Sim, Deus, traria juízo sobre o povo de Israel “o meu exercito que enviei contra vocês” (Jl 2.25).

Diante dessa calamidade, desse julgamento, Deus diz: “Fazei tocar a trombeta por toda Sião! Dai alerta no meu Santo Monte. Tremam todos os habitantes da terra, porque o dia do Senhor vem, e já está próximo” (Jl 2.1).  Toca a trombeta em Sião, pois o perigo é iminente! “Perturbem-se todos os moradores da terra, porque o dia do Senhor vem, já está próximo” (Jl 2.1).

Diante dessa cena perturbadora o que devemos fazer? O profeta diz: “Agora, porém, diz o Senhor voltem-se para mim de todo o coração, com jejum, lamento e pranto. Rasguem o coração e não as vestes. Voltem-se para o Senhor, o seu Deus, pois ele é misericordioso e compassivo, muito paciente e cheio de amor; arrepende-se, e não envia desgraça” (Jl 2.12-13).

         Conclusão

No final, diz o profeta Joel: “E, depois disso, derramarei do meu Espirito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões. Até os servos e as servas derramarei do meu Espirito naqueles dias” (Jl 2.28-29).

Nenhum comentário:

Postar um comentário