domingo, 15 de outubro de 2017

MDA: por que preocupa

De modo geral, as igrejas evangélicas têm adotado dois modelos de discipulado. O primeiro, ortodoxo, prioriza o Evangelho e emprega os “ultrapassados” cultos de ensino, Escola Dominical e cursos teológicos. Já o segundo, heterodoxo, prega “outro evangelho”, à base de pragmatismo e utilitarismo, e mescla verdades bíblicas com filosofias antropocêntricas, apesar de utilizar uma metodologia “mais eficaz”, que atende aos anseios do mundo pós-moderno. A “visão celular” — mais conhecida pelas siglas G12, M12 ou MDA — faz parte do modelo heterodoxo, visto por muitos como uma “quebra de paradigmas” e, ao mesmo tempo, um retorno aos princípios da igreja de Atos dos Apóstolos.

O MDA (Modelo de Discipulado Apostólico) se baseia no tripé: células, encontros e discipulado um a um, que é uma microcélula ou “coração da célula”, já que discípulo e discipulador fazem parte da mesma célula. E, embora seu fundador afirme que Deus lhe deu um modelo exclusivo para o Brasil, trata-se de uma espécie de G12. Ele mesmo admitiu que, ao estudar “diferentes modelos de igreja em células, observando-os de perto e gastando tempo com os líderes envolvidos em sua prática, encontramos vários bons modelos, como o [...] ‘Modelo do Governo dos 12’, do pastor Cesar Castellanos, da Colômbia” (HUBER in ZIBORDI, 2016). Em essência, esses modelos são gêmeos e, de modo patente ou latente, propagam a Teologia da Prosperidade, a Confissão Positiva etc.

Nos dois, o templo é usado prioritariamente para celebrações dançantes, visto que o discipulado ocorre nas células, e as ministrações principais, nos encontros. Para ambos, a célula é a essência da igreja, onde “a vida do Corpo se encontra de forma sintetizada em todos os seus muitos aspectos, tais como: adoração, intercessão, evangelismo, integração, discipulado, treinamento de líderes, comunhão, assistência social etc.” (HUBER, 2016). Há alguns anos, um pastor, decepcionado com o MDA, me disse: “A primeira coisa que fizemos foi acabar com a Escola Dominical, porque os estudos seriam nas células. O louvor da igreja virou show, tiramos os hinos da Harpa Cristã e colocamos luzes no altar. Fui líder de várias células e cada vez mais me impressionava o desaparecimento da mensagem bíblica, que antes tínhamos”.

Quanto aos encontros do MDA para iniciantes, há vários depoimentos na Internet que nos ajudam a compreendê-los (cf. TOMÁZ, 2016). Eles são realizados em lugares secretos, onde os discípulos são recebidos com muita festa, ficam incomunicáveis por três dias e participam de várias ministrações. A primeira, logo após a chegada, à noite, é “Peniel”, pela qual se enfatiza que o discípulo deve ser transformado a fim de participar das próximas ministrações. As luzes, então, se apagam, para que cada um fale com Deus “face a face”. Após o jantar, todos são aconselhados a dormir e se preparar para o dia seguinte, que “será tremendo”. A segunda ministração, de manhã, é “encontro com Deus”: os discípulos são acordados e, ainda em jejum, ouvem vários bordões de autoajuda junto com um fundo musical. Eles recebem, ainda, um manto vermelho, para o primeiro “ato profético”.

A terceira é “libertação”, por meio de imposição de mãos, exorcismo e quebra de maldições. A quarta é “cura interior”, a partir da qual o discípulo, mesmo se sentindo liberto, precisa tratar das feridas da alma, confessando seus pecados e liberando perdão a todos, inclusive a Deus! Tudo ocorre à base de sugestão, com as luzes reduzidas e um fundo musical. Já na parte da noite, vem a quinta: “sonhos”, e os discípulos, “transformados”, expõem seus sentimentos. Novamente com fundo musical, ocorrem mais “atos proféticos”. Em um destes, alguém faz o papel do Tentador, que procura destruir os sonhos das pessoas.

Embora chamada de “cruz de Cristo”, a ênfase da sexta ministração não recai sobre a obra redentora do Senhor. O MDA é antropocêntrico: apresenta Jesus como um homem que venceu mediante uma declaração de fé no Inferno e ignora que Ele venceu o Diabo e suas hostes na cruz (Hb 2.14,15), ao dizer: “Está consumado” (Jo 19.30). Os participantes, então, recebem pregos e oram de braços abertos até sentirem dores e começarem a chorar. Quando abaixam os braços, alguém os ajuda a permanecerem “crucificados”. Antes de o local se transformar em uma discoteca, eles — ignorando os gloriosos efeitos da obra expiatória de Jesus, realizada de uma vez por todas (Cl 2.14,15) — fazem uma lista de pecados e a cravam numa cruz!

No dia seguinte, vem a sétima ministração: “oração”, com músicas de fundo que mantêm os discípulos no “mesmo espírito”. Não há ensino da Palavra de Deus, na prática. E a oração limita-se a “línguas estranhas”, sem a observância do ensino de 1 Coríntios 14. Vem então a oitava ministração: “nova vida em Cristo”, e um discipulador, após ler um texto bíblico, diz a todos: “Preparem-se! O mover de Deus está só começando”. E, ao som música pesada, inicia-se uma peça teatral que, de modo tácito, apresenta o Diabo como um ser muito mais poderoso do que é, rebaixando, assim, o Todo-poderoso. Ora, as hostes do mal agem por permissão do Senhor, que, no momento certo, as vencerá “pelo assopro da sua boca” (2 Ts 2.8).

Com luzes apagadas e janelas fechadas, os discípulos se ajoelham, e suas cabeças são lavadas. Ainda há três ministrações, que têm lugar com um “bom” fundo musical: “finanças” — visando-se a uma “grande semeadura” —, “visão do MDA” e “somos amados”. Nesta, a décima-primeira, o pastor da igreja entra em cena e diz a todos o quanto eles são amados. Enquanto ele ora com muita emoção, mochilas são depositadas aos pés dos discípulos, nas quais há cartas e presentes de familiares e/ou amigos que já fazem parte do MDA. Trata-se de uma estratégia para “fidelizar” o discípulo.

Na última ministração, “batismo com o Espírito Santo”, todos se prostram diante de uma arca; mais um “ato profético”. Em seguida, as luzes se apagam, e eles, de mãos dadas, ouvem mais uma palavra emotiva por parte do pastor, e a histeria toma conta do ambiente. Forma-se uma espécie de “corredor polonês”, por onde os discípulos passam para receber uma “nova unção”, precedida de unção literal e abundante. Eles saem do outro lado — encharcados de óleo —, pulando ou dando gargalhadas; alguns até caem ou andam como animais quadrúpedes. Ignora-se completamente o que está escrito em 1 Coríntios 14.37-40. E, ainda antes de entrarem no ônibus, os pastores ungem seus pés. Quase todos saem dali dizendo: “O encontro foi tremendo; agora sim eu sei o que é sentir a presença de Deus”.

Os proponentes do MDA dizem que Jesus priorizou o discipulado “um a um”, em que cada discípulo deve estar debaixo da “cobertura espiritual” de um discipulador — este, segundo seu idealizador, “tem compromisso total de não falar nada para pessoa alguma daquilo que o discípulo confidenciou, a não ser que obtenha primeiramente sua permissão”. Eles também interpretam de modo equivocado a Grande Comissão (Mt 28.19,20), já que supervalorizam o “fazei discípulos”, dizendo que isto “tem que ser priorizado, pois sem dúvida é um assunto de máxima importância” (HUBER, 2016).

Como se sabe, a Grande Comissão abarca evangelização, discipulado e ensino teológico (cf. Mc 16.15; At 1.8). Na ordem “ensinai todas as nações”, o verbo (gr. matheteuo) denota “fazer discípulos”, mas em “ensinando-as a guardar todas as coisas”, o verbo, literalmente, significa “doutrinar” (gr. didasko), o que envolve metodologia e sistematização. E, aqui — diferentemente do primeiro caso — o tempo verbal indica que o ensino teológico, e não o discipulado, deve ser contínuo. Segue-se que as igrejas que priorizam a Escola Dominical e dão ênfase ao ensino teológico, que abrange doutrinas fundamentais como Trindade, Cristologia, Soteriologia, Pneumatologia etc., estão sendo fiéis ao que o Senhor Jesus ordenou!

Quanto ao MDA, como vimos, a ênfase recai sobre prosperidade financeira, batalha espiritual, falsa cura interior etc. Ademais, cada discípulo presta contas a um discipulador, que tem o direito de se intrometer na vida pessoal daquele, em seus negócios, decisões e até em sua vida conjugal! Afinal, quem está em uma determinada escala hierárquica “protege” quem está abaixo dela. Resultado: o discipulador é uma espécie de “anjo da guarda”. Ou, ainda pior: ele usurpa o lugar do Espírito Santo, pois através da “cobertura espiritual” supostamente impede que seu discípulo se desvie da “visão”.

Diante do exposto, não há dúvida de que o MDA (1999) é irmão mais novo do G12 (1983), e que ambos são “outro evangelho” (Gl 1.8). Atentemos, portanto, para o que a Palavra de Deus diz em 1 Coríntios 15.1,2: “vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual também permaneceis; pelo qual também sois salvos, se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado, se não é que crestes em vão”.

Ciro Sanches Zibordi
Artigo publicado no jornal Mensageiro da Paz, ano 87, número 1.581, de fevereiro de 2017


terça-feira, 10 de outubro de 2017

A Plenitude do Tempo. Gl 4.1-6


Introdução: Em 1831, o Brasil era uma monarquia e o poder era transmitido hereditariamente. No mês de abril, Dom Pedro I abdicou do trono em favor de seu filho, Pedro de Alcântara, que tinha 5 anos de idade. 
Como não havia outro membro habilitado a ocupar o governo, o Império do Brasil passou a ser governado, em caráter provisório, por regências. Em 1840, Pedro de Alcântara (Dom Pedro II), então com 14 anos, tornou-se, Imperador do Brasil.


1)    A condição do homem sob a lei (vs. 1-3).
Vamos imaginar um rapaz que é herdeiro de uma grande propriedade. Um dia tudo será dele. Na verdade, já é seu por promessa, mas não ainda em experiência, pois ele ainda é uma criança. Durante a sua minoridade, embora seja por direito o dono de toda a propriedade, ele “é tratado como empregado”. “Está sob tutores e curadores”. Eles lhe dão ordens, orientam-no e o disciplinam. Está sob restrições. “A criança romana que herdava alguma coisa dependia de tutores até os 14 anos. E, de certa forma, continuava dependendo de administradores até os 25!”

“Assim também nós”, continua Paulo. Já no tempo do Antigo Testamento, antes de Cristo vir e quando estávamos debaixo da lei, éramos herdeiros, herdeiros da promessa que Deus fez a Abraão. Mas ainda não havíamos herdados a promessa. Éramos como criança durante os anos da minoridade: nossa infância foi uma espécie de escravidão.

Que escravidão foi essa? Foi a escravidão da lei, pois a lei foi o nosso “aio” (Gl 3.24) e precisamos ser dela “resgatados”. “Rudimentos do mundo” tem dois significados: Primeiro, pode ser usado no sentido de coisas elementares, as letras do alfabeto, o ABC que aprendemos na escola. A Segunda, é como diz a BíBlia na linguagem de hoje, “os poderes espirituais que dominam o mundo”. No mundo antigo, eles eram geralmente como elementos físicos (terra, fogo, ar e água) ou como os corpos celestes (o sol, a lua, e as estrelas) que controlavam os festivais periódicos comemorados na terra. Isto encaixa com o versículo 8, onde lemos que antes éramos sujeitos “a deuses que por natureza não o são”, isto é, demônios ou maus espíritos.


Então, todos estávamos “debaixo da lei”, mesmo aqueles que nunca tinham ouvido falar da Bíblia ou de Moisés. Por quê? Porque todos tentamos desesperadamente viver à altura de determinados padrões. Somos ansiosos e vivemos sobrecarregados pelas preocupações (Mt 11.28-29). 

"Jesus veio nos libertar dos sistemas legalistas de religião e das práticas ocultistas que nos escravizam". 

2)    A obra do Filho (v.4 e 5)

“Vindo, porém, a plenitude do tempo”. Por quê plenitude do tempo? Foi o período em que Roma conquistou e subjugou o mundo conhecido, quando as estradas foram abertas a fim de facilitar as viagens; também foi o período em que a língua grega era falada por todos (helenismo), e os deuses mitológicos da Grécia e de Roma começaram a perder a influência sobre o povo comum, de modo que nos corações e mentes em toda parte brotou a fome de uma religião que fosse real e que satisfizesse; enfim, foi o período em que a lei acabou a sua obra de preparar as pessoas para a vinda de Cristo, mantendo-as sob tutela e na prisão...

Como Jesus nos libertou? 



Primeiro, resgatando “os que estavam debaixo da lei” (v.5), afastando toda penalidade ou dívida. Assim, Deus enviou seu Filho,  “nascido de mulher” (v.4; Gn 3.15) – um ser humano de verdade –, e o enviou “nascido debaixo da lei”. Jesus nasceu, como todo ser humano, em estado de obrigação para com a lei de Deus. Mas Jesus tem a capacidade singular de “resgatar os que estavam debaixo da lei” (v.5).
Resgatar, significa libertar o escravo do proprietário pagando seu preço total. Nesse caso, o senhor do escravo é a lei. Jesus paga nosso preço total à lei. Cumpre plenamente as exigências da lei sobre nós. E, portanto, é capaz de nos libertar dela.

Se ele não fosse homem, não poderia ter remido os homens. Se não fosse justo, não poderia ter remidos os injustos. E, senão fosse o Filho de Deus, não poderia ter remido as pessoas para Deus, tornando-as filhas de Deus”.

Segundo, Jesus adquire para nós “a adoção de filhos” (v.5). No mundo greco-romano, um homem rico e sem filhos podia escolher um de seus servos e adotá-lo. No momento da adoção, o servo deixa de ser escravo e recebia todos os privilégios financeiros e legais, tanto no âmbito da propriedade quanto fora, no mundo, na condição de filhos e herdeiros. 



“...temos de nos transportar para um antigo mercado escravo, a fim de dar valor a redenção, e a uma residência abastada da antiguidade, a fim de compreender o conceito de filiação. Só então, juntos, esses conceitos nos dão um retrato completo do que Cristo realizou por nós”. Paulo quer demonstrar aos gálatas, e a nós, que Cristo não apenas afasta a maldição (Gl 3.13; 4.5) como também nos dá a benção por ele merecida (Gl 3.14; 4.5).

3)    A obra do Espírito (v.6)

“Deus enviou o seu Filho”. O propósito do Filho era nos assegurar o status legal de filhos. Em contrapartida, o proposito do Espírito é garantir a experiência real disso. O Filho,  nos coloca em uma condição legal e objetiva; a obra do Espírito, nos traz uma experiência subjetiva radical. Quais as suas marcas: 



·        Primeiro, o Espírito nos leva a clamar “Aba, Pai”. Clamar é um grito alto, rasgado. É uma paixão e um sentimento profundos, penetrantes.

·        Segundo, “clamar” refere-se a nossa vida de oração. Como um filho não prepara discurso para apresentar aos pais, assim os cristãos que experimentam essa obra do Espírito encontram grande espontaneidade e realidade na oração. Orar não é mais algo mecânico ou formal, mas cheio de fervor, paixão e liberdade.

·        Terceiro, a expressão “clamar” conota um senso da presença real de Deus. Como uma criança grita “pai” ou “mãe”, sabendo que estão perto, assim os cristãos sentem a realidade extraordinária da proximidade de Deus.

·        Quarto, “Aba” – palavra em linguagem de bebê, querendo dizer “papai” ou “paizinho”, ou, como na Bahia “painho” – expressa confiança no amor e a certeza do acolhimento (Is 49.15-16).

Conclusão: 

A obra do Filho é externa a nós, algo que podemos ter sem sentir. Mas a obra do Espírito é interna e consiste em sermos absolutamente tocados – tanto em termos emocionais quanto intelectuais – pelo amor do Pai.



  

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Estamos “sob a lei” ou “em Cristo”? Gl 3.23-29



Introdução: O número de suicídio aumentou 12% por cento no Brasil.

Em 2011, foram 10.490 mortes: 5,3 a cada 100 mil habitantes. Já em 2015 o número chegou a 11.736: 5,7 a cada 100 mil, segundo dados são do Sistema de Informação sobre Mortalidade. Os homens são os que  apresentam as maiores taxas de mortalidade, 79% do total, enquanto o número de mulheres é 3,6 vezes menos, 21%. Viúvos, solteiros e divorciados também foram os que mais morreram por suicídio (60,4%). O meio mais utilizado é o enforcamento: 66,1% entre os homens e 47% as entre mulheres, seguidos por intoxicação exógena e armas de fogo, consecutivamente.

O que é isso? A nossa geração está ocupada, desenvolvendo uma filosofia de vida sem sentido. Hoje está na moda acreditar que a vida não tem sentido nem proposito algum. Muitas pessoas admitem que não tem motivos para viver. Acham que não pertencem a nada; classificam-se como “forasteiros”, “desajustados”.

1)    O que erámos sob a lei (vs. 23 e 24).  
 a)     Prisão (v.23). 

“Mas, antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei, e nela encerrados...”. No grego a expressão “estávamos sob a tutela da lei” significa “proteger com guardas militares”. Quando aplicado a uma cidade, era usada no sentido de manter o inimigo fora como de guardar os habitantes dentro dela, para não fugirem ou desertarem. Exemplos da palavra no Novo testamento, 2 Co 11.32: “Em Damasco, o que governava sob o rei Aretas pôs guardas às portas dos damascenos, para me prenderem” (veja também Atos 9.24). O Verbo “ENCERRAR” significa “impedir” ou “engaiolar”. Assim, os dois verbos enfatizam que a lei e os mandamentos de Deus nos mantinham na prisão, confinados, para que não pudéssemos escapar. A Bíblia na Linguagem de Hoje diz o seguinte: “A LEI NOS GUARDOU COMO PRISIONEIROS”. 


b)    O tutor (v.24).
A palavra grega é PAIDAGOGOS e significa literalmente um “tutor, isto é, um guia e guardião de crianças”.  O tutor era geralmente um escravo cuja obrigação era “conduzir a criança ou jovem à escola a de volta dela, e supervisar a sua conduta de um modo geral”. Os paidagogos não era o professor da criança, e , sim, aquele que a disciplinava. Era geralmente severo a ponto de ser cruel, e apresentando comumente nos desenhos antigos com uma vara ou bengala na mão. 



Paulo usa a palavra novamente em 1 Corintios 4.15, dizendo: “Porque ainda que tivésseis milhares de preceptores em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais”. Ou seja, “há muita gente para discipliná-los, mas eu sou o único que os amo”. Mais adiante no mesmo capítulo, ele pergunta: “Irei a vós outros com vara (isto é, como um paidagogos), ou com amor e espírito de mansidão (isto é, como um pai)?” (1 Co 4.21).
Em ambos os casos – o guarda e o tutor – eliminam a liberdade em Cristo. Em ambos os casos, o relacionamento com a “lei” não é intimo nem pessoal; baseia-se em recompensas e castigos e, em ambos os casos, somos tratados como crianças, ou pior.  
Assim, Paulo descreve todas as religiões baseadas no evangelho, caracterizando-as por:
·        Um senso de escravidão

·        Uma relação impessoal com o divino, motivada pelo desejo de recompensas e pelo medo de castigos

·        Ansiedade acerca da própria posição diante de Deus.

2)    O que somos em Cristo (vs. 25-29).
“Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos ao aio” (v.25). A frase adversativa de Paulo, “mas...” enfatiza que o que somos é totalmente diferente do QUE ÉRAMOS. Não estamos mais “debaixo da lei”, agora “estamos em Cristo”.  No versículo 26: “Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus”.  Versículo 27: “Porque todos quanto fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes”. A Bíblia BLH traduz: “Se vestiram com a pessoa do próprio Cristo”. 



“Se vestir é nos cobrir; cobrir nossa nudez. Dizer que Cristo é a nossa roupa é afirmar que, aos olhos de Deus, somos amados devido à obra e à salvação de Jesus. Quando Deus olha para nós, enxerga-nos como seus filhos porque vê seu filho”.

A fé garante união; o batismo é a sua representação externa e visível. Assim, em Cristo, pela fé interior (v. 26) e pelo batismo exterior (v.27), somos todos filhos de Deus.

3)    Em Cristo somos todos um (v.28).
Literalmente: “todos vocês são um só por estarem unidos com Cristo Jesus”.

Primeiro, não há distinção de raça. “Não pode haver judeu em grego” (v.28). Somos iguais: iguais em nossa necessidade de salvação, iguais em nossa incapacidade de ganha-la ou merecê-la, e iguais no fato de que Deus no-la oferece livremente em Cristo.

Segundo, não há distinção de categoria. “nem escravo nem liberto”. As circunstancias de nascimento, riqueza, privilégio e educação dividiram os homens e as mulheres. Mas em Cristo o esnobismo é coisa proibida e a diferença de classes torna-se inútil.

Terceiro, não há distinção de sexo. “Nem homem nem mulher”. Esta notável afirmativa de igualdade dos sexos foi feita séculos atrás. As mulheres eram quase sempre desprezadas no mundo antigo, até mesmo no judaísmo. Mas aqui se diz que em Cristo o homem e a mulher são iguais. 



4)    Em Cristo somos semente de Abraão (v.20).
“E, se sois de Cristo, também sois descentes de Abraão, e herdeiros segundo a promessa”.  Somos a descendência espiritual de nosso pai Abraão, que viveu e morreu há 4000 anos, pois em Cristo nos tornamos herdeiros da promessa que Deus lhe fez.

Conclusão: em Cristo nos encontramos em todas as esferas.
Os descompromissados assumem compromisso. Encontram o seu lugar na eternidade (estar em Cristo), na sociedade (relacionados uns com os outros  como irmãos e irmãs na mesma família) e na história (relacionados aà sucessão do povo de Deus através dos séculos). Um compromisso tridimensional: na altura, na largura e no comprimento.

Na altura através da reconciliação com Deus.

Na largura, considerando que em Cristo estamos unidos a todos os outros cristãos do mundo inteiro.

No comprimento, pois nos ligamos à longa, longa linha de crentes através de todos os tempos. 


Quem sou eu? Em Cristo eu sou filho de Deus. Em Cristo estou unido a todo o povo remido de Deus, no passado, no presente e no futuro. Em Cristo eu descubro a minha identidade. Em Cristo sei onde ponho os meus pés. Em Cristo eu volto para casa.





terça-feira, 26 de setembro de 2017

Ó GÁLATAS INSENSATOS! Gl 3.1-5  

  

Introdução: Insensato “aquele que não está em seu juízo, cujos atos são contrários ao bom senso, à justa medida, insano, doido, delirante”

Paulo chama os gálatas de insensatos por causa da tolice que de fato estavam cometendo ao trocar Cristo por Moisés. Eles estavam trocando a graça pela lei; a fé, pelas obras! É UMA GRANDE INSENSATEZ trocar o verdadeiro caminho da salvação, que aceita o pecador, o perdoa e o livra de suas culpas, por outro caminho em que você é obrigado a observar regras e normas e no qual a salvação por fim, dependerá de seu esforço e mérito. 

“Quem vos seduziu?”, pergunta o apóstolo espantado. O verbo traduzido no português por “seduzir” significa, no grego, literalmente “enfeitiçar alguém”. E isso era mais ou menos o que havia acontecido nas igrejas da Galácia. Paulo estava chamando os falsos mestres de feiticeiros. E como um feiticeiro trabalha? Eles iludem as pessoas com artes mágicas; faz que as coisas pareçam ser o que não são de fato. Eles fazem que as coisas se apresentem de uma maneira  que não são e, desse modo iludem as pessoas, seduzindo-as com suas habilidades. NÃO É A TOA QUE PAULO CHAMA AQUELES MISSIONÁRIOS JUDEUS DE FEITICEIROS! 



1)    Um retrato nítido de Cristo
Nos versículos 1-3, Paulo lembra aos cristãos da Gálacia  como foi que eles se entregaram a Cristo, provenientes do paganismo. Em essência, Jesus Cristo é retratado “como crucificado” (v.1). Havia uma mensagem a transmitir: “JESUS CRISTO (...) CRUCIFICADO” (1 Co 2.1-5). E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. E a minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus”.


Portanto, a essência da mensagem não é como viver, mas o que Jesus fez na cruz por nós. O evangelho é a proclamação do que foi feito em nosso favor mais do que uma orientação do que devemos fazer. Jesus foi “exposto”. O grego traduz “claramente retratado”, “detalhadamente”, “vividamente”. Aqui, Paulo “pintava um quadro” de Jesus, proporcionando aos ouvintes visão de um “retrato em movimento” do que Cristo fez (1 Ts 1.5) “Porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza, como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós”. UM CRISTÃO NÃO É ALGUÉM QUE SABE SOBRE JESUS, MAS ALGUÉM QUE O “VIU” NA CRUZ.

Os gálatas, portanto, tiveram fé no que ouviram (Gl 3.2). Paulo compara (vs. 2,3) “fé” com “obras da lei”, “começar pelo Espírito” com aperfeiçoamento pela carne. A palavra que Paulo usa para “aperfeiçoando pela carne” (v.3), é epi-teleo, “acabamento”. A palavra descreve o curso natural da nossa vida. Ele (os gálatas) estavam confiando em seus esforços para alcançar o aperfeiçoamento. No entanto, Paulo diz que ter fé no evangelho (“que ouviste”) significa abandonar por completo essa abordagem, ou seja, paramos de realizar as “obras da lei” (v.2) ou de nos aperfeiçoar “pela carne”.

O resultado de crer no evangelho do Cristo retratado em cores vividas foi que os gálatas “receberam o Espírito”. Por isso Jesus pode dizer que nos é dado o novo nascimento através do Espírito (Jo 3.5-6)  Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito”.

2)    Carne - sarki
“Tendo começado pelo Espírito, estais agora vos aperfeiçoando pela carne?”. A palavra grega utilizada é SARKI traduzido como “carne” mesmo. “Voces estão tentando alcançar seu objetivo pela carne?”. Então, “estar na carne” significa deixar de se lembrar do evangelho, ou de nele crer. As pessoas que tentam ser santas por esforço próprio querem obter santidade e outras virtudes apenas pela força de vontade, por meio das decisões que tomam, pela quantidade de tempo que oram, etc. Criam dessa forma um sistema de aperfeiçoamento baseado em regras e obras; o qual acaba por aprisiona-las, porque elas passam a confiar na própria carne, em vez de depender completa e inteiramente da graça e da misericórdia de Deus, do Cristo que vive em nós (Gl 2.20).  


Outrossim, “Será que sofreste tanto por nada? Se é que isso foi por nada!” Os gálatas haviam sofrido perseguição ao crer no evangelho, o que era muito comum na época. Quando alguém cria em Jesus e se tornava cristão, imediatamente passava a ser perseguido. Agora, Paulo estava lhes perguntando onde estavam a firmeza, a determinação e a perseverança que tinham demonstrado no inicio da fé cristã? Será que tudo aquilo fora em vão?

3)    Milagres.
No versículo 5, Paulo é ainda mais incisivo. Recorre ao tempo presente e diz que, neste exato momento, as obras do Espírito, inclusive os milagres, são realizados pela fé e pelo abandono da observância das “obras da lei”. Cristo agiu (Atos 14.8-10) e continua agindo de modo impressionante; muitos sinais e prodígios estavam ocorrendo. É como se Paulo estivesse perguntando: “Quando alguém se converte no meio de vocês, ele recebeu o Espírito Santo, mas qual mensagem o levou a essa conversão? Que tipo de pregação produz convertidos, sinais e prodígios entre vocês? As curas estão acontecendo em nome de quem: de Moisés? As pessoas estão sendo curadas pelo poder da circuncisão? Ou tudo ocorre em nome de Jesus Cristo? Qual é o nome que converte, transforma e opera sinais e prodígios no meio de vocês?”

Conclusão: que vos seduziu?  

NÃO, NÃO. Paulo ensinou tudo errado! Vocês não são cristãos completos ainda. Para que sejam cristãos de fato e possam entrar no reino de Deus, é preciso ir além de somente crer em Jesus. Voces precisam ser circuncidar, deixar de comer carne de porco e sangue, tem que guardar o sábado, guardar os dez mandamentos, ou seja, parar de viver dessa maneira que vocês vivem. Voces tem que se tornar judeus, porque Jesus era judeu.

Os falsos mestres apresentavam sua mensagem falsa revestidos de uma capa de verdade, com uma aparência de autoridade, santidade e misticismo que fascinou as pessoas. Infelizmente, multidões vão atrás desses falsos mestres, que, no fim, querem apenas o dinheiro, a atenção e a devoção do povo. 

sábado, 23 de setembro de 2017

a Visão totalmente deturpada que a esquerda tem da FAMÍLIA tradicional. 


 Gays, trans, putas, putos, gente pró-aborto, gente pró-relacionamento aberto, mães solteiras, casais homossexuais que querem adotar e amar uma criança, o que a vida dessas pessoas tem a ver com a sua?
 Sei que, ao rebater a coluna de Tati Bernardi na Folha hoje, a primeira pergunta do meu leitor será: quem? Mas não importa. Mais importante é o que foi dito, pois ela não está isolada. Ao contrário: acho que representa muito bem a média “progressista”, a turminha “descolada” que diz defender as “minorias” e a tolerância, enquanto destila profundo ódio aos conservadores.
Tati Bernardi tem uma visão realmente tosca do que vem a ser uma típica família. Não sei se Freud explica, se é pura projeção, se ela foi vítima de alguma família tão disfuncional assim, como retrata a dos outros. Mas é triste ver o que a esquerda pensa sobre a direita. Mostra seu enorme grau de alienação, a distância que ficou da gente comum, ao se fechar nessa bolha “progressista”. Eis o grupo que ela pretende defender contra a intromissão desses “medíocres hipócritas”: 
Gays, trans, putas, putos, gente pró-aborto, gente pró-relacionamento aberto, mães solteiras, casais homossexuais que querem adotar e amar uma criança, o que a vida dessas pessoas tem a ver com a sua? Por que você ocupa seu tempo fiscalizando o que os outros, muitas vezes desconhecidos, fazem de seus orifícios, úteros, corações e ideais? Que obsessão é essa pelas andanças do ânus, do pênis e da vagina do vizinho? A sua vida sexual só pode andar muito sem graça ou, o mais provável: torrencialmente reprimida.
É tanta inversão que cansa só de começar a rebater. Em primeiro lugar, a mistura é bem infeliz, pois ao colocar aborto na lista, a moça esquece que trucidar um feto humano no ventre da mãe envolve uma outra pessoa, um ser humano em formação. O que a mulher faz com seu útero, portanto, quando há outra vida lá dentro é certamente do interesse da sociedade civilizada. O que isso tem a ver com um adulto que resolve fazer sexo consentido com outro adulto entre quatro paredes não fica claro. Mas a agenda “progressista” é assim mesmo: um pacote completo. E um pacote bem incoerente.
Além disso, não são os conservadores que ficam “fiscalizando” os outros, e sim os outros, em especial os movimentos políticos desses outros, que ficam tentando subverter todos os valores morais da sociedade. Quem faz novela para adolescentes enaltecendo transgênero como se fosse a coisa mais banal do mundo querer mutilar o próprio corpo pois “nasceu no corpo errado”? Quem faz mostra “cultural” com pedofilia e zoofilia para crianças? Quem quer suprimir até os termos pai e mãe de documentos oficiais para não “ofender” aqueles que têm “famílias” diferentes? Quem quer enfiar “kit gay” goela abaixo dos alunos nas escolas? E por aí vai.
Os conservadores – e qualquer pessoa razoável, diga-se – estão simplesmente reagindo a tudo isso, a essa pauta depravada, a essa militância chata, histérica, afetada, politicamente correta. Mas a “engraçadinha” continua:
Daí vem você com seu argumento furado: “pela família”. Você só quer proteger essa instituição espetacular e secular! Ó grande controlador do universo e dos desejos alheios! Que missão grandiosa que vossa senhoria (que não consegue nem pagar um puff à vista) acabou pegando pra si: nos salvar da extinção! Quem diria que tu, com esse dentinho podre, era Deus?
Você luta bravamente pelo sagrado! Ofende, ultraja, marginaliza, machuca… em nome da família! Formada, na sua cabeça limitada, por um pai autoritário, uma mãe submissa e filhos que aprenderam dentro de casa a fazer bullying (sempre pautados pelo bem e pela religião) contra qualquer colega que tenha orientações sexuais (ou políticas) diferenciadas.
Eis aí a visão patética que essa gente tem da família. O conservador “ofende”, “ultraja”, “marginaliza” e “machuca” as minorias (onde?), segundo Tati. Não são as feministas radicais que ofendem os religiosos quando enfiam crucifixos no ânus em praça pública, claro, ou quando esfregam as tetas na cara de padres. Isso é “protesto legítimo”, naturalmente. A ofensa vem de quem quer simplesmente resguardar as crianças da libertinagem imposta pela galera engajada, ou de quem luta pelo simples direito de dizer que prefere ter um filho heterossexual, o que hoje já é considerado absurdo e crime pela ótica maluca desse pessoal, para quem todos tinham que ser indiferentes quanto à questão ou até mesmo achar lindo e fofo um filhinho que aos 3 anos prefere boneca e depois, aos 10, balé. Que horror constatar que acharia melhor se ele gostasse mais de futebol!
A família tradicional, para Tati e demais “progressistas”, é formada por um pai autoritário, uma mãe submissa, um tio pedófilo (mas pensei que fosse a esquerda que tratasse a pedofilia de forma banal), filhos idiotas que fazem bullying com minorias, pois aprenderam com os pais religiosos, um primo “machistão vagabundo que só come, dorme e defeca porque a esposa trabalha feito condenada” etc. Repito: seria projeção freudiana? Que tipo de família Tati teve para ter essa impressão tão terrível da típica família tradicional? Mas ela conclui que só esses “reprimidos” condenam a agenda LGBTXYZ:
Por que você, entediado com sua vidinha medíocre, tão desesperado pra sair dando porrada e ensinando o que é certo, perdoa pedófilos, agressores, parasitas da energia alheia, mas não entende aquele menino batalhador, andando na Paulista, que na sua mente perturbada cometeu apenas um crime: não andar feito macho! O que é um macho? Você se considera um? Ficar pensando em enlaces homoafetivos antes de dormir faz de você um baita machão? Hmmmmm, dez entre dez bons psicanalistas (que acreditam mais na curra gay do que na cura gay) desconfiariam disso.
Dez entre cada dez psicanalistas que ela considera bons hoje em dia são esquerdinhas até o último fio de cabelo, que abraçaram o relativismo moral exacerbado como sua religião, uma seita pervertida que pretende perverter o mundo à sua própria imagem. Gente com famílias disfuncionais que quer destruir a família tradicional, em vez de entender que o problema talvez estivesse com a sua família doida. São esses que recebem pacientes no divã atualmente. Eleitores do PSOL. Defensores de Maduro. A turma que chama tudo que não é socialismo de fascismo, que basta ser do PSDB para ser “ultraconservador”, e que encara a direita como um bando de reprimidos hipócritas que quer sair por aí batendo em gays.
Depois Trump vence a eleição, ou quem sabe Bolsonaro no Brasil, e esse pessoal fica perplexo, horrorizado com o “povo”, aquele que diz representar e defender. Não seria o caso de ir efetivamente conhecer o povo antes de falar tanta besteira no jornal?
Por Rodrigo Constantino
Fonte: Gazeta do Povo

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Uzias – O segredo e o Perigo do Sucesso. 2 Cr 26


Introdução:  O orgulho é a galinha sob o qual todos os outros pecados são chocados. C. S. Lewis

O orgulho é o pior pecado que existe. Leva a um senso de autossuficiência; de pensarmos que somos insubstituíveis e invulneráveis. Ele tem levado muitos homens ao fracasso, da riqueza à pobreza e da honra a densonra.

1)    Uzias – um homem bem sucedido.

“Todo povo de Judá tomou Uzias, que era de dezesseis anos, e o constituiu rei em lugar de Amazias, seu pai” (v.1). Seu nome é “O Senhor é a minha força”. E reinou em Judá por 52 anos, de 790 à 739 a.C.

Uzias venceu importantes batalhas contra os filisteus, árabes e amonitas (vv.6-8). Ele conquistou a terra de Elate, o que permitiu a Judá ter acesso aos mar Vermelho, e intensificar o comercio externo.

Uzias construiu torres em Jerusalém (v.9). Reforçando a segurança e a proteção da cidade. Ele também prosperou na área da pecuária com um grande rebanho de gado (v.10). Ele também desenvolveu a agricultura (v.10).

Uzias montou um exercito poderoso com mais de trezentos mil homens (vv. 11-13). Ele montou uma poderosa indústria bélica que fabricava armas para o seu exército (vv. 14-15).

2)    O segredo de Uzias.
Primeiro, Uzias agiu corretamente perante Deus: “E fez o que era reto aos olhos do Senhor; conforme a tudo o que fizera Amazias seu pai”. 2 Crônicas 26:4

Segundo, Uzias buscou a direção de Deus para a sua vida e governo (v.5).  Porque deu-se a buscar a Deus nos dias de Zacarias 2 Crônicas 26:5

Resultados da busca:
1)    Deus o fez prosperar: nos dias em que buscou ao Senhor, Deus o fez prosperar (v.5);

2)     Deus o ajudou a vencer os seus inimigos: Deus o ajudou a vencer os filisteus, e contra os arábios que habitavam em Gur-Baal, e contra os meunitas;

3)    Deus o fez extremamente forte: porque se tinha tornado em extremo forte (v.8);

4)    Deus o ajudou de forma maravilhosa: porque foi maravilhosamente ajudado, até que se tornou forte (v.15).

3)    Uzias e o orgulho. 


Ele foi abençoado: Mas, havendo-se fortificado, Uzias estava no auge do sucesso e muito abençoado por Deus. E abundancia de benção o levou a se esquecer de Deus (Dt 8.11-14).

Ele foi tomado pela soberba: exaltou-se o seu coração para a sua própria ruína. A soberba brota, floresce e frutifica no coração. “A soberba prece a ruína, e a altivez do espírito, a queda” (Pv 16.18). O orgulho transformou anjos em demônios.

Ele pecou contra o Senhor: e cometeu transgressões contra o Senhor, seu Deus, porque entrou no templo do Senhor para queimar incenso no altar do incenso. O sumo sacerdote Azaria liderou uma resistência ao Rei Uzias (v. 17,18). A expressão “a ti não compete” significa “isto não é para você ou não é da sua competência”. Ele persistiu e irou-se negando-se a recuar (v.19). Deus puniu Uzias colocando lepra na sua testa, enquanto ele ainda estava com o incensário na sua mão.

Razões para não pecar: Porque um pequeno pecado leva a mais pecados; 
Porque o meu pecado evoca a disciplina de Deus; 
Porque o meu tempo gasto no pecado é desperdiçado para sempre; 
Porque o meu pecado nunca agrada a Deus, pelo contrário, sempre O entristece; Porque o meu pecado coloca um fardo imenso sobre os meus líderes espirituais; Porque, no devido tempo, o meu pecado produz tristeza em meu coração;
Porque estou fazendo o que não devo fazer; 
Porque o meu pecado sempre me torna menor do que eu poderia ser; 
Porque os outros, incluindo a minha família, sofrem consequências por causa do meu pecado.

Conclusão:
O segredo de uma vida bem-sucedida é buscar ao Senhor.

Um bom começo de vida abençoada pelo Senhor não é garantia alguma de um final feliz.

Deus abomina o coração orgulhoso e resiste a todos os soberbos.


Bibliografia: Gente que Deus usa - Editora Z3