terça-feira, 29 de julho de 2014

A igreja bela. Ct 6.10.




Introdução:  Este livro tem sido intitulado como "Cântico dos Cânticos", o que significa o mais excelente dos poemas para musicais e melodias romanticas. O primeiro versículo assevera que Salomão escreveu este poema, dentre os mais 1000 cânticos de sua autoria (1 Rs 4.32). Há três modos de interpretar o livro de Cantares:  literal, o moral e o alegórico.

  O LITERAL: há aqueles que olham para este livro apenas como uma história de amor entre marido e esposa, ou seja, Salomão e Sulamita.

 O MORAL: há aqueles que pensam que este livro foi escrito para combater a poligamia e mostrar o ideal do casamento monogâmico. 

O ALEGÓRICO: há aqueles que crêem que Cantares foi escrito com o propósito de retratar o profundo e místico relacionamento entre Cristo e a igreja.

Mas tanto o método literal como o alegórico, podem ser usados na interpretação do livro, pois ambos os relacionamentos, seja entre marido e mulher, seja entre Cristo e a igreja, são perfeitamente retratados neste belíssimo livro poético.

Esse texto de Cantares 6.10 expressa a beleza da igreja: “quem és tu que aparece como a alva do dia, formosa como a lua, pura como o sol, formidável como um exercito com bandeiras? “. A igreja é descrita como noiva, vinha, rebanho, família, herança, menina dos olhos de Deus.

1)     A igreja é como a alva do dia – o que a igreja é para si mesma.

  • Como a alva, a igreja irrompe no meio da escuridão. A igreja foi chamada das trevas para luz. Onde está a igreja, a escuridão não prevalece. A igreja é como a luz da aurora que brilha mais e mais até ser dia perfeito (Pv 4.18). A igreja de Cristo transformou desertos em jardins, prisões em palácios, e onde havia escuridão ela chegou como alva do dia. 



·        A IGREJA COMO A ALVA, NOS DESPERTA DO SONO.   A noite  é marcada pela escuridão, pelo sono, pelo estado de inconsciência. Mas, quando a alva irrompe, acaba-se o tempo da sonolência.  “A alva carrega é suas asas o tempo de acordar, levantar-se, de agir (Ef. 5.14). A alva é o tempo de uma nova vida (Rm 13.11-14)”.

·        COMO A ALVA,  a igreja traz refrigério. A NOITE pode ter sido escura, abafada, solitária e opressiva, depois de um dia escaldante. Mas a manhã sempre traz uma brisa refrescante. A manhã é sempre um tempo de entusiasmo, de recomeço e de alegria. É pela manhã que Deus renova suas misericórdias (Lm 3:22-26).

·        A igreja é como a alva. Ela traz luz na noite escura do sofrimento e do pecado. Ela proclama a possibilidade de um novo começo. É um instrumento de consolo, alivio e de esperança.  Promete um céu de glória, onde não haverá noite. 

2)     A igreja é formosa como a lua. O que a igreja é para o mundo.



·        A Igreja, como a Lua, reflete a sua beleza inefável no mundo.  Assim como os luminares da noite e do dia exercem um papel importante na terra, também a igreja é importante para o mundo. Se a igreja desaparecesse da terra, o mundo pereceria. A igreja é bela. Ela é a noiva do Cordeiro. É um diadema de glória na mão do Senhor.

·        A Igreja, como a LUA, reflete a luz de Cristo no mundo. A luz não tem luz própria. Ela reflete a luz do Sol. Cristo é o Sol da justiça. Embora a luz da lua seja emprestada do Sol, jamais acaba. O que é a luz? A luz é o símbolo de pureza, vida, direção, fertilidade, calor, transformação. Sem a luz, não poderíamos ver beleza alguma na terra. Assim também é com a igreja. Ela é chamada para refletir a luz de Cristo nu mundo. Cristo é a verdadeira luz que vinda ao mundo ilumina todo homem ( Joao 1:8-9).

·        A igreja, como a Lua, passa por diversas fases. A lua passa por quatro fases distintas: nova, crescente, cheia e minguante.


 Há momentos em que a igreja parece apagada na história (Nova); outras vezes, ela está avançando como a fase crescente (crescente); .Há tempos de avivamento em que ela brilha plenamente (Cheia) , e também denominamos de crise, quando a igreja parece atravessar a fase minguante (Minguante). Porém, a lua jamais deixa de seguir seu curso e cumprir sua missão. Assim, é a igreja. Ela pode passar por dificuldades, por crises, por lutas, mas é sempre vitoriosa. Ela passa por momentos de desanimo, mas logo depois começa a crescer e se torna vigorosa.

·        A igreja, como a Lua, é uma faxineira do mundo. A Lua é que determina o processo das marés, do fluxo e refluxo das ondas. Não fosse a lua, os oceanos entupiriam as praias de lixo e a vida seria impossível na Terra. A igreja é como a Lua, a igreja tem um ministério de limpeza no mundo. Se a igreja fosse retirada do mundo, esse apodreceria em seu pecado.

3)     A igreja é pura como o Sol – o que a igreja é em relação ao seu Senhor.



·        O SOL é símbolo de pureza, pois o fogo e o calor do sol a tudo depuram.  Embora a igreja ainda viva no mundo e lute contra o pecado, aos olhos de Deus, ela já está na glória, onde o pecado não entrará. Aos olhos de Deus, a igreja já é: pura; é sua noiva imaculada, sem mancha e nem ruga; já está adornada para as bodas. O Sol da justiça está sobre ela (Ml 4.2). A igreja está justificada. A igreja é o tabernáculo de Deus, que, embora seja feito de acácia, é todo revestido de ouro (2 Co 4.7).

·        Como o Sol, a Igreja traz luz e vida ao mundo. O QUE SERÍAMOS SEM A LUZ? Sem a luz não poderíamos contemplar as belezas da criação de Deus; sem a luz, a vida desapareceria; sem a luz, a terra seria uma prisão.
·        Se amanhã o Sol não se levantasse, como seria a terra? As maquinas não funcionariam. A agricultura cessaria. Os alimentos não seriam produzidos. Toda vida animal e vegetal expiraria. Da mesma forma, a presença da igreja produz vida e transformação espiritual no mundo.  ONDE A IGREJA ESTÁ aí ela transmite vida de Deus, calor, energia. A igreja é o corpo de Cristo em ação no mundo.

·        Como Sol, a igreja irradia luz e calor. A igreja é a luz do mundo. A igreja brilha como luzeiro no mundo. Como a luz, a igreja aponta a direção, ilumina, aquece, purifica e traz calor às pessoas.

4)     A igreja é terrível como um exército com bandeiras – o que a igreja é para os inimigos de Deus.

·        A igreja é um exercito sob o comando do supremo general. A igreja sobre a terra é uma igreja militante. Cada crente é um soldado do exercito de Deus, sob as ordens de Cristo, o comandante-chefe. Fomos chamados para declarar guerra ao pecado, a toda sorte de ignorância, superstição, vicio e imoralidade.  NOSSO COMANDANTE já destronou o inimigo (Cl 2.15). já desfez as obras do diabo. Ele já pisou na cabeça do diabo. A VIDA CRISTÃ NÃO É UM RETIRO ESPIRITUAL NEM UMA COLONIA DE FÉRIAS. SER CRISTÃO É ENTRAR NUM COMBATE SEM TRÉGUA. SER CRISTÃO É PERTENCER À TROPA CELESTIAL. SER CRISTÃO É VIVER SOB AS ORDENS DE CRISTO.

·        A igreja é um exercito em marcha. A igreja não é um exercito medroso e tímido como o exercito de Saul, que fugia diante do gigante Golias. A igreja é um exercito que avança contra as portas do inferno e quebra os ferrolhos de bronze, arrancando vidas das potestasde de Satanás para Deus (Mt 16.18). A IGREJA NÃO RECUA. AVANÇA SEMPRE. NÃO TEME PERIGOS. OS SOLDADOS DE CRISTO NÃO ABANDONAM A LUTA. QUEM ABANDONA É PORQUE NUNCA FOI UM VERDADEIRO SOLDADO. O SOLDADO DE CRISTO NUNCA DÁ AS COSTAS PARA O INIMIGO.

·        A IGREJA é um exercito equipado para o combate. A igreja tem toda armadura de Deus. Ela não luta com armas carnais, mas com armar espirituais, poderosas em Deus, para desfazer sofismas. Ela está equipada com o cinturão da verdade, com o escudo da fé, com o capacete da salvação, com as sandálias da preparação do evangelho, com a espada do Espírito, concentrada com toda oração.

·        A igreja é um exército vitorioso. As suas bandeiras não estão enroladas, mas estão tremulando. O diabo treme quando a vê. Um crente piedoso é uma poderosa arma nas mãos de Deus. Um crente piedoso é um terror para o inferno: Eu conheço a Jesus e sei quem é Paulo, mas vós quem sois (Atos 19.15). A rainha da Escócia temia mais as orações de Jonh Knox que os exércitos da Inglaterra. A igreja vence o diabo, destrona o mal, triunfa sobre a iniqüidade, vence o mundo pela fé e conquista os perdidos para Cristo. Ela saqueia o inferno.




segunda-feira, 28 de julho de 2014


O cristão e o estado intermediário






Nós evangélicos cremos que a alma sobrevive e permanece em estado inteligente e consciente no intervalo entre a morte e a ressurreição do corpo. Entendemos que a alma é uma entidade consciente e inteligente que habita no corpo e que se separa do corpo por ocasião da morte física: “E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Soberano, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um compridas vestes brancas, e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos, como eles foram” (Ap 6.9-11, ver também Lc 12.4-5 – grifo nosso).

Algumas vezes, as palavras alma e espírito são empregadas como sinônimas para falar da parte imaterial do homem que sobrevive à morte da matéria, o corpo. Quando isso acontece, os termos alma e corpo têm o mesmo sentido. Alguns exemplos bíblicos:

“E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (Ec 12.7).

“E apedrejaram a Estêvão, que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At 7.59).

Os textos de Eclesiastes 12.7 e Atos 7.59 falam da sobrevivência do espírito enquanto que Apocalipse 6.9-11 e Lucas 12.4-5 abordam a sobrevivência da alma como a parte imaterial do homem que sobrevive à morte do corpo, com consciência e inteligência - o “eu” do ser humano. “Pois qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está?” (1Co 2.11). Depois da morte física o cristão vai estar com Cristo no céu.

“Por isso estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor. Mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor” (2Co 5.6-8).

“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei então o que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (Fp 1.21-23).

O estado intermediário do incrédulo

O incrédulo vai para o Seol-Hades (inferno), e lá permanece em estado consciente de tormento. Hades indica o lugar da alma no intervalo entre a morte do corpo e a ressurreição do corpo, e aparece dez vezes no Novo Testamento.

“E morreu também o rico e foi sepultado. E no inferno (Hades), ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão e Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado” (Lc 16.22-25).

Seol-Hades indica o lugar da alma, enquanto o corpo vai para a sepultura (em hebraico, kever, kevurah e, em grego, taphos, mnema e mnemeion). Geena indica o lugar do corpo e da alma depois da ressurreição do Juízo final.

“E, se a tua mão te escandalizar, corta-a; melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, [geena] para o fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre e o fogo nunca se apaga” (Mc 9.43).

“Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar os injustos para o dia do juízo, para serem castigados” (2Pe 2.9).

Espíritos malignos

Se os espíritos dos cristãos evangélicos vão para o céu (2Co 5.6-8) e os espíritos dos incrédulos, para o Seol-Hades (inferno), e lá permanecem sem poder sair (Lc 16.24-28), só há uma alternativa para o que acontece nas sessões espíritas: a presença dos espíritos malignos! Os espíritas não acreditam em demônios, mas isso não significa que eles não existem.

“Há demônios, no sentido que se dá a essa palavra? Se houvesse demônios, seriam obras de Deus. E Deus seria justo e bom, criando seres infelizes, eternamente votados ao mal?12”.

Nomes e características de Satanás

O diabo existe! Também existem os demônios que cumprem suas ordens. A Bíblia mostra a existência e trabalho deles.

Diabo - significa sedutor, acusador dos irmãos: “E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada diabo e Satanás, que engana a todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele” (Ap 12.9).

Satanás - indica que o diabo é inimigo, o grande adversário de Deus e dos filhos de Deus:

“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1Pe 5.8).

Príncipe deste mundo - Satanás governa os homens e os governos humanos: “Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência” (Ef 2.2).

Pai da mentira - a mentira é uma de suas táticas. Não é apenas o mentiroso, mas o pai da mentira: “Vós pertenceis ao vosso pai, o diabo, e quereis executar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, pois não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, pois é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44).

Anjo de luz - ele se disfarça em anjo de luz por meio de seus ministros: “E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras” (2Co 11.14-15).



A Bíblia proíbe evocação aos mortos

A Bíblia é o livro, dentre outros, que nos dá a história do espiritismo. Em Êxodo ela mostra que os antigos egípcios foram praticantes de fenômenos espíritas, quando os magos foram chamados por Faraó para repetir os milagres operados por Moisés. Quando Moisés apareceu diante desse monarca com a divina incumbência de tirar o povo de Israel da escravidão egípcia, os magos repetiram alguns dos milagres de Moisés (Êx 7.10-12, 8.18).

Mais tarde, já nas portas de Canaã, Deus advertiu o povo de Israel contra os perigos do ocultismo. A mediunidade, por exemplo, era uma prática abominável aos seus olhos (Dt 18.9-12). O castigo para quem desobedecesse aos mandamentos de Deus nesse particular era a morte:

“Qualquer homem ou mulher que invocar os espíritos dos mortos ou praticar feitiçarias deverá ser morto a pedradas. Essa pessoa será responsável pela sua própria morte” (Lv 20.27, ver também Êx 22.18).

A Bíblia também indica que as pessoas com ligações com espíritos familiares e feiticeiras são amaldiçoadas por Deus:

“Não procurem a ajuda dos que invocam os espíritos dos mortos e dos que adivinham o futuro. Isso é pecado e fará que vocês fiquem impuros” (Lv 19.31).

“Se alguém procurar a ajuda dos que invocam os espíritos dos mortos e dos que adivinham o futuro, eu ficarei contra essa pessoa por causa desse pecado e a expulsarei do meio do povo” (Lv 20.6).

O rei Saul, antes da sua apostasia, quando ainda estava na direção de Deus, baniu os praticantes de várias modalidades do espiritismo (lSm 28.3-9). Mais tarde, o reto rei Josias agiu da mesma forma (2Rs 23.24-25). O profeta Isaías também se dirigiu aos antigos espíritas que vaticinavam para o povo de Israel dizendo-lhes que essa prática era inútil e detestável aos olhos de Deus:

“Algumas pessoas vão pedir que vocês consultem os adivinhos e os médiuns, que cochicham e falam baixinho. Essas pessoas dirão: Precisamos receber mensagens dos espíritos, precisamos consultar os mortos em favor dos vivos! Mas vocês respondam assim: ‘O que devemos fazer é consultar a Lei e os ensinamentos de Deus. O que os médiuns dizem não tem nenhum valor” (Is 8.19-20).

Jesus, a solução!

Caro leitor, muitos motivos e intenções têm levado as pessoas a se enveredar pelos caminhos da mediunidade. Quase sempre esse rumo é tomado pela obsessão da saudade de alguém que partiu deste mundo. Sabemos que é indescritível a dor causada pela perda de um ente querido e, de fato, a separação abrupta das pessoas que amamos resiste ao conformismo da situação, mas não existe solução para esta adversidade no espiritismo.

Jesus é e tem a solução! Cristo venceu a morte e, por isso, pôde declarar: “Eu sou a ressurreição e a vida, quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11.25).

Para seus seguidores, a morte não é nada mais do que tirar uma linda flor do deserto e plantá-la no jardim do paraíso. Pense nisso e considere, ainda, que, além da explícita reprovação bíblica, o próprio mentor do espiritismo, Allan Kardec, demonstrou a impossibilidade de confiar que os espíritos, que se manifestam nas sessões espíritas, sejam fulano ou beltrano.

Não se deixe enganar pela emoção! Não se deixe guiar pelos seus próprios caminhos! A advertência bíblica é bem oportuna: “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele sãos os caminhos da morte” (Pv 14.12).

terça-feira, 22 de julho de 2014

Uma igreja saudável – Levítico 21:16-20.


Introdução: Esse texto nos mostra que os sacerdotes que ministravam no altar não podiam contaminar-se nem ser imperfeitos. A vida do sacerdote é a vida do seu ministério. Um sacerdote impuro era uma grande calamidade (Zc 3.1-3).

Um sacerdote com defeito podia ser sustentado como sacerdote. Ele podia comer do pão do seu Deus, mas não podia ministrar no altar. Tanto o sacerdote como o sacrifício precisavam ser perfeitos. Mas o véu do Templo se rasgou e podemos entrar para adorar. Todavia, se quisermos ter comunhão com Deus, se quisermos ministrar no altar, não podemos ter certos defeitos.

1)    Não serve aquele que é cego (Lv 21.18).


·        O cego é aquele que não tem visão. Aquele que não tem visão de crescimento não cresce. É preciso ter a visão de Jesus (Jo 4.35). Uma igreja que cresce, olha para a cidade como um campo maduro para a ceifa.

·        Precisamos ter visão de uma igreja grande. A fim de dar glória ao nome de Deus e impactar a cidade e a nação. Se formos como um sacerdote cego, a igreja não pode crescer. Sem visão, o povo não sabe para onde vai.

·        Precisamos ter visão para além das paredes. Precisamos ter visão de quebrar as paredes. Não podemos acomodar-nos.  Há muito povo nesta cidade. Até 1970, as pessoas pensavam em ganhar outras para Cristo. Depois de 1970, houve forte ênfase em ganhar a família para Cristo. Depois de 1990, a ênfase passou a ser ganhar a cidade  para Cristo.

·        William Carey, o pai das missões modernas, disse que, se Deus é nosso parceiro, precisamos sonhar grandes sonhos para Deus. Precisamos olhar por sobre os ombros dos gigantes. Precisamos ter a visão do farol alto. Precisamos contemplar as nações. JESUS MORREU PARA COMPAR COM SEU SANGUE AQUELES QUE PROCEDEM DE TODA TRIBO, RAÇA, POVO E NAÇÃO.

·        Precisamos ter alvos específicos de crescimento. Primeiro a visão, depois os recursos. Se não tivermos alvos e sonhos, nunca saberemos se chegamos lá. Precisamos trabalhar com base em alvos: físicos, espirituais e numéricos.

2)    Não serve aquele que é coxo (Lv 21.18). 

·        Coxo é aquele que se arrasta. O coxo é aquele que tem pernas, mas elas não suportam o peso do corpo. Então ele se arrasta. O crente não pode se arrastar. Deus nos tem levantado. Precisamos caminhar, precisamos trabalhar, precisamos fazer a obra de Deus enquanto é dia (Rm 13.12).

·        O coxo é aquele que precisa de ser carregado pelos outros. O coxo não caminha sozinho. Ele é dependente e precisa de alguém para o transportar. Há crentes que nunca aprendem a andar com suas próprias pernas. Eles não progridem, não amadurecem; ficam sempre onde as pessoas os deixam.

3)    Não serve aquele que tem o rosto mutilado (Lv. 21.18). 


·        Aquele que tem o rosto mutilado possui duas caras. A igreja não pode crescer quando seus sacerdotes, seus crentes, têm duas caras e usam máscaras. Não serve para fazer a obra de Deus aquele que tem o rosto mutilado. Precisamos pregar o que vivemos dentro de casa e no trabalho. Precisamos pregar para nós mesmos.

4)    Não serve aquele que é desproporcional (Lv 21.18).


·        Para a igreja crescer saudavelmente, os crentes não podem ser desproporcionais. Deus fez tudo perfeito e lindo. As vezes crescemos em uma área e somos doentes em outras. Alguns tem a cabeça grande demais em relação ao corpo.
·        Exemplos: gente que conhece muito e faz pouco; gente que tem luz na mente e frieza no coração; veteranos da igreja mas agem como crianças espirituais, ainda são meninos na fé. 

·        No livro de Ezequiel temos a figura de Jesus representado em quatro retratos. Ele é descrito como LEÃO, BOI, HOMEM E ÁGUIA. MATEUS apresenta Jesus como LEÃO, aquele que tem toda autoridade no céu e na terra. Jesus é sempre o leão que está rugindo: ele ensina com autoridade, cura, expulsa demônios. Em MARCOS Jesus tem o rosto de BOI. Ele não veio para ser servido. A igreja tem o chamado para servir. EM LUCAS, Jesus tem o rosto do homem, Ele chora, ri, participa de encontros, entra na casa dos publicanos.  EM JOÃO, Jesus é a águia que voa nas alturas. Ele é o Filho de Deus. Ele veio da glória.

·        O que devemos fazer? Se há uma pessoa cativa do diabo, autoridade. Se há um casal em conflito, o rosto de homem. Se há uma necessidade a ser suprida, o rosto do servo. Se há alguém perdido, o evangelho da salvação.

5)    Não serve aquele que tem o pé quebrado (Lv 21.19). 


·        Aquele que tem o pé quebrado vive caindo. O pé quebrado não fica firmem esta sempre caindo. Vida cristã é uma caminhada. Aquele que está em pé, veja que não caia. Os crentes tem caído nos mesmos pecados, tem envergonhado o evangelho. Uma igreja não cresce quando seus líderes/crentes vivem tropeçando.

6)    Não serve aquele que tem a mão quebrada (Lv 21.19). 

·        Aqueles que tem a mão quebrada não podem realizar a obra de Deus. Aquele que tem as mãos quebradas não podem impor as mãos sobre os enfermos, não podem abraçar, abençoar, tocar, socorrer, ajudar.

·        Aqueles que tem a mão quebrada não conseguem abençoar. Quando você abençoa outra pessoa, essa mesma benção volta para você. Quem semeia com abundancia, colhe com fartura.

·        Quem tem a mão quebrada não consegue trazer ofertas ao altar. Quem tem mão quebrada sempre comparece diante de Deus de mãos vazias. Quem tem mão quebrada não consegue ofertar na casa de Deus nem levar os dízimos de Deus à casa do tesouro.

7)    Não serve aquele que é corcovado (Lv 21.20). 


·        O CORCOVADO é profundamente pessimista. O corcovado anda olhando para baixo. O professor perguntou a um menino da classe: “O que é um pessimista?”. O menino respondeu: “Um pessimista é uma pessoa que vive olhando para o pé”.

·        Gente corcovada não pode ajudar a igreja crescer. Gente desanimada não consegue olhar para o céu. Gente corcovada só olha para as dificuldades. Deus disse a Abraão( Gn 15.5).

8)    Não serve aquele que é anão (Lv 21.20). 

·        o anão é aquele que para de crescer. Você não Poe ser anão. Ninguém nasce anão.  O líder não pode ser anão. O crente não pode ser anão. Nós precisamos crescer (2 Pe 3.18). Não podemos estagnar. Quando o crente é um anão, tudo para na sua vida. VOCE PRECISA CRESCER NA PALAVRA, NA ORAÇÃO, NO ENVOLVIMENTO COM A OBRA, NOS RELACIONAMENTOS. VOCE PRECISA SER MELHOR QUE ONTEM. AMANHÃ, MELHOR QUE HOJE...PARA FRENTE.

9)    Não serve aquele que tem belida nos olhos (Lv 21.20). 


·        Quem tem pedra nos olhos vive em grande desconforto. Há crentes que vivem sempre de forma desconfortável. Precisam remover a pedra dos olhos. Precisam tirar o que está trazendo sofrimento.         Quem tem pedras nos olhos não consegue ajudar os outros. Jesus disse que, se você tem uma trave no olho, não consegue tirar o cisco no olho do seu irmão (Mt 7:3-5).

10)                      Não serve aquele que tem sarna (Lv 21.20). 

·        Sarna é aquela coceira gostosa que nos distrai. Você já pegou um bicho-de-pé? Já ficou coçando, coçando e gostando de coçar? Para uma igreja crescer, seus membros não podem ter  sarna. Para o crente, o prazer é só aquele que Deus dá.


11)                      Não serve aquele que tem impigem (Lv 21.20). 


·        Impingem é uma mancha. A igreja não pode crescer quando os crentes tem uma mancha na vida, no caráter, na conduta, na família, no trabalho. Mancha é aquilo que tentamos esconder dos outros. É coisa feia. Naamã era um herói, mas leproso; tinha marcas feias na sua pele.

CONCLUSÃO:   Não serve aquele que tem testículo quebrado (Lv 21.20).  



·        Quem tem testículos quebrados não pode gerar filhos. Ou seja, não reproduz; não terá filhos. Somos chamados para gerar filhos, para dar frutos. Precisamos gerar muitos filhos espirituais. Precisamos ganhar outros para Cristo. A igreja precisa crescer e se multiplicar e, para isso, cada crente precisa gerar outros filhos espirituais. QUANTOS FILHOS ESPIRITUAIS VOCE TEM?

segunda-feira, 21 de julho de 2014


DOMINGO - O DIA QUE O SENHOR FEZ!




“Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele”
(Sl 118.24)

Por Edmar Cunha de Barcellos

“Domingo, no Novo Testamento, é chamado de ‘O dia do Senhor’. Em latim, dominica die, de onde deriva seu nome nas línguas neolatinas, por exemplo: no espanhol, ‘domingo’; no italiano, ‘domenica’; e no francês, ‘dimanche’, faladas por cerca de 400 milhões de pessoas”.

mera (kyriake hemera), vertida para o latim como: dominica die.
hDomingo é um vocábulo exclusivo do cristianismo. Essa palavra, bem como as suas análogas, não existia em nenhuma língua do mundo até o final do século 1o, quando o apóstolo João criou a expressão grega: Kuriakh ‛

Antigos documentos da Igreja primitiva, transcritos para o russo, relatam que João, encarcerado na ilha de Patmos, chorava muito ao chegar o primeiro dia da semana, ao lembra-se das uniões para a Ceia do Senhor, celebrada sempre nesse dia: “No primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão...” (At 20.7). E foi justamente em um “primeiro dia da semana” que Jesus, ressuscitado, lhe apareceu e lhe revelou os maravilhosos eventos do Apocalipse (Ap 1.10).

Certamente que todo o livro não foi elaborado naquele mesmo dia. Mas o fato indiscutível é que Jesus apareceu a João exatamente no “primeiro dia da semana”. Isso explica porque a Ucrânia e a Rússia trocaram os nomes do primeiro dia da semana, que entre os pagãos era chamado “dia do sol”, por uma expressão tão ou mais significativa do que aquela adotada nos países de línguas neolatinas.

Lemos na Bíblia ucraniana João afirmando que foi arrebatado no “dia da ressurreição” (Dien voscrecii). De igual modo, na Bíblia russa também lemos: “Eu fui arrebatado em espírito, no dia da ressurreição”. Aliás, na língua russa, todos os dias da semana ficaram subordinados ao dia da ressurreição! Por exemplo: segunda-feira, em russo, é pondielnik (“o dia após a ressurreição”); terça-feira, voftornik (“o segundo dia após a ressurreição”); quarta-feira, sreda (“terceiro dia após a ressurreição”), e assim por diante.

Vale realçar que o apóstolo João, ao frisar o dia da semana em que Jesus lhe apareceu, criou uma nova expressão na língua grega: Kuriakh hmera (kyriake hemera). Expressão esta que deu origem à palavra “domingo”, conforme explanaremos a seguir. Mas antes de continuarmos, para melhor compreensão dos nossos argumentos, recorreremos à etimologia, que nos revelará a origem das palavras, o seu desenvolvimento histórico e as possíveis mudanças de seu significado.

Vejamos alguns exemplos de como as palavras evoluem:

•A palavra “efeméride” provém de dois termos gregos: epi (“sobre”) e ‛he hemera, que significa “dia”, de onde veio também o adjetivo efêmero, ou seja, “o que é breve, transitório, passageiro”.

•A palavra “castigar” provém do latim: castus (“irrepreensível”, “puro”, “fiel”) + agere (“fazer”). Temos um emprego bíblico neste sentido quando o escritor aos hebreus declara que Deus “castiga a quem ama” com a finalidade de nos tornar puros e fiéis a Ele (Hb 12.6).

•As palavras “mouco” (ou surdo) e “domingo” possuem também sua origem num texto de João. Vejamos: “Então Simão Pedro, que tinha espada, desembainhou-a, e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. E o nome do servo era Malco” (Jo 18.10). Malcus, do latim, deu origem à palavra “mouco”, em português, significando aquele que não ouve, ou que ouve pouco ou mal; surdo.

Analisemos, agora, Apocalipse 1.10 à luz do original grego, da etimologia, da hermenêutica bíblica, da história e dos escritos patrísticos.

Eis o que os mais abalizados biblicistas afirmam sobre a expressão joanina: kyriake hemera:

“Temos aqui a palavra kyriakos, em um sentido adjetivado, isto é, “pertencente ao Senhor”. Originalmente, esta palavra era usada com o sentido imperial, como algo que pertencia ao César romano. ‘Os crentes primitivos [...] aplicaram-na ao domingo, o primeiro dia da semana’. Esse é o uso que se encontra em Didaché 14 e Inácio, Magn. 9, que foram escritos não muito depois do Apocalipse”.

“‘O dia do Senhor’, em Apocalipse 1.10, é tido pela maioria dos autores como o domingo”.

“O primeiro dia da semana é, sem dúvida. ‘o dia do Senhor’, referido em Apocalipse 1.10”.

“A frase: ‘O dia do Senhor’, Kuriakh ‛mera (kyriake hemera), ocorre uma só vez, e isto se dá no último livro. Apocalipse 1.10 [...] expressava a convicção de que o domingo era o dia da ressurreição, quando Cristo Jesus conquistou a morte e se tornou Senhor de todos” (Ef 1.20-22; grifo do articulista).

Nem mesmo no texto grego da Septuaginta encontramos a expressão Kuriakh‛mera, criada pelo apóstolo João para aludir ao dia da ressurreição! A expressão hebraica “dia do Senhor” sempre foi vertida para o grego como ‛ (hemera tou kyriou). Mas o que João escreveu foi: Kuriakh ‛mera. Por que João teria usado uma expressão jamais encontrada em qualquer outro escrito, sagrado ou profano? Cremos que pelas seguintes razões:

1) Para indicar algo também inédito na história da humanidade: a ressurreição de Cristo.

2) Para deixar bem claro que se referia ao dia da ressurreição, o domingo, e não aos eventos escatológicos da segunda vinda de Cristo, a parusia, que também é chamada “dia do Senhor”, como nestes versículos:

a) “O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes de chegar o grande e glorioso dia do Senhor” (At 2.20).

b) “... Seja entregue para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor” (1Co 5.5).

c) “Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite” (1Ts 5.2).

d) “Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite” (2Pe 3.10).

Há uma significativa diferença entre a expressão “dia do Senhor”, alusiva à segunda vinda de Cristo, e a expressão que encontramos escrita em Apocalipse 1.10, “dia do Senhor”, referindo-se ao dia da ressurreição.

Kyriakos é uma forma adjetivada da palavra KurioV (Kýrios – Senhor) e significa literal e exatamente: “que diz respeito ao Senhor”; “concernente ao Senhor”; “pertencente ao Senhor”; “senhorial”, ou “dominical”, e não “do Senhor”, como lemos em algumas das nossas traduções.

A tradução literal de Apocalipse 1.10 seria: “Eu fui arrebatado pelo espírito no dia senhorial”. Mas este adjetivo, “senhorial”, derivado do termo “senhor”, raramente é usado. O seu sinônimo é “dominical”, porque o português é uma língua neolatina. “Senhor”, em latim, é Dominus. Assim, quando dizemos Dom Pedro II ou Dom Evaristo Arns, estamos abreviando a palavra Dominus, para dizer: Senhor Pedro II, Senhor Evaristo Arns. O mesmo processo etimológico acontece com o adjetivo “popular”. Quando algo pertence ao povo, não dizemos “povoal”, mas “popular”, porque, em latim, populus, significa “povo”.

Acertadamente, Jerônimo verteu Kuriakh ‛mera (kyriake hemera) para a Vulgata Latina como Dominica die (“dia dominical”, “domingo”) e não como dia domini (“dia do Senhor”). Veja:

“Fui in spiritu in dominica die et audivi post me vocem magnam tamquam tubae”(Ap 2.10).

Daí, a clássica versão de Antônio Pereira de Figueiredo traduzir: “Eu fui arrebatado em espírito hum dia de domingo, e ouvi por detrás de mim huma grande voz, como de trombeta” (1819).

Resgatando verdades históricas

Documentos escritos nos três primeiros séculos, muito antes de Constantino existir (280-337), adotaram e conservam, todos eles, a mesma expressão concebida pelo apóstolo João para referir-se ao glorioso dia da ressurreição de Jesus Cristo.

Século 1º: O ensino dos apóstolos

Possivelmente, contemporâneo do Apocalipse: “E no dia do Senhor Kyriake hemera, congregai-vos para partir o pão e dai graças”.

Século 2º : Escritos de Melito de Sardes

Nestes escritos, há um tratado sobre a adoração no domingo, intitulado: peri kyriakes (acerca do dia dominical), “dia do Senhor”, isto é, “domingo”.

Ano 115: Epístola de Inácio aos magnesianos

“Porque se no dia de hoje vivermos segundo a maneira do judaísmo, confessamos que não temos recebido a graça [...] Assim pois, os que haviam andado em práticas antigas alcançaram uma nova esperança, já sem observar os sábados, porém modelando suas vidas segundo o ‘dia do Senhor’ (Kyriaken zontes)”.

Ano 130: O “evangelho de Pedro”

É um documento histórico comprovadamente escrito no princípio do século 2o, e também se refere ao dia da ressurreição usando o mesmo adjetivo kyriakes, que, na edição de Jorge Luís Borges, é traduzido corretamente por “domingo”.

Ano 132, ou antes: Epístola de Barnabé

“Portanto, também nós guardamos o oitavo dia ( Kyriake hemera, ‘domingo’) para nos alegrarmos em que também Jesus se levantou dentre os mortos e, havendo sido manifestado, ascendeu aos céus”.

150—168: Justino Mártir, Eusébio, Clemente de Alexandria

Escritores dos séculos 2º e 3º, todos eles também adotaram o Kyriake hemera criado por João para o “dia da ressurreição”, vertido para o latim como Domínica die (“dia dominical”) e passado para o português como “domingo”!

A singularidade do nome domingo

“E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana...” (Mc 16.9).

Alguns alegam que a palavra “domingo” não consta na Bíblia. É verdade. Não encontramos nos textos originais a palavra portuguesa “domingo”, como também não encontramos as palavras: Deus, casa, livro, amor ou sábado, mas, sim, as suas correspondentes nas línguas hebraica, aramaica ou grega.

Domingo é a tradução literal da expressão criada pelo apóstolo João: Kuriakh ‛mera (kyriake hemera), vertida para o latim como Domínica die e corretamente traduzida em todas as versões da Vulgata para as línguas neolatinas como dominu lui, domingo, mingo, domenica, dimanche, e outros nomes semelhantes no galego, no provençal, no franco-provençal, no romeno, no reto-romano, no sardo e no dalmático, faladas por mais de 400.000 000 de pessoas!

As seguintes traduções: de Antônio Pereira de Figueiredo, do Centro Bíblico Católico, dos Monges de Maredsous, de João José Pedreira de Castro, do dr. José Basílio Pereira, do Mons. Vicente Zioni e Matos Soares, bem como qualquer outra versão do Novo Testamento para o português ou para o espanhol, feita da Vulgata Latina, trazem em Apocalipse 1.10 a palavra “domingo”.

Domingo não é um nome importado do paganismo, como saturday (“dia de Saturno”), nem do judaísmo, como shabath (“descanso”).

Domingo não é dia comemorativo da criação do mundo nem da libertação do povo de Israel, tampouco dia de descanso, pasmaceira, televisão, futebol, pescarias, clubes ou jogatina.

Domingo é dia de oração, de adoração, dia de cultuarmos a Deus, dia de atividade espiritual, como evangelismo, visita aos necessitados, aos encarcerados ou enfermos!

Domingo é o nome de um dia exclusivo do cristianismo, criado por João para caracterizar e distinguir o dia da vitória de Jesus sobre a morte, consumando a libertação de toda a humanidade.

Domingo é o dia aclamado por Davi, em sua jubilosa profecia sobre o dia da ressurreição: “Esta é a porta do SENHOR, pela qual os justos entrarão. Louvar-te-ei, pois me escutaste, e te fizeste a minha salvação. A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se a cabeça da esquina. Da parte do SENHOR se fez isto; maravilhoso é aos nossos olhos. Este é o dia que fez o SENHOR; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele” (Sl 118.20-24).

Observemos a exatidão do cumprimento de cada sentença, de cada afirmação, de cada palavra desta impressionante profecia escrita por volta de mil anos antes de Jesus nascer.

Esta é a porta

“Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” (Jo 10.9).

“Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1).

“Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito” (Ef 2.18).

A pedra

“Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina” (At 4.11).

Os edificadores rejeitaram

“Diz-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça do ângulo; pelo Senhor foi feito isto, e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto, eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos” (Mt 21.42,43).

Da parte do Senhor se fez isto

“O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro” (At 5.30).

Maravilhoso é aos nossos olhos

“Ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela” (At 2.24).

Este é o dia que fez o SENHOR

“E, no fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro” (Mt 28.1).

“E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol” (Mt 16.2).

“E no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado, e algumas outras com elas” (Lc 24.1).

“E no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro” (Jo 20.1).

“Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco” (Jo 20.19).

“E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e prolongou a prática até a meia-noite” (At 20.7).

“No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar (1Co 16.2).

Regozijemo-nos, e alegremo-nos nele

“Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará” (Jo 16.22).

“Regozijai-vos sempre” (1Ts 5.16).

“Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos” (Fp 4.4).

Notas:

Enciclopédia Encarta 99. 1993-1998 Microsoft Corporation, sobre o verbete: domingo.
Patrísticos. Escritos dos proeminentes líderes cristãos dos primeiros séculos, também chamados “pais da Igreja”.
Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora e distribuidora Candeia, 1991, vol. 2, p. 213.
HENRY Mattthew.
Comentário Bíblico. Editorial Clie (Barcelona),1999, p.1924-c
PETTINGILL William D.D. Bible Questions Answered, p.177. “The first day of the week is doubtless ‘the Lord’s day’ refereed to in Ap 1.10”.
Zondervan Publishing House, Ninth Printing, Michigan, 1974.
ELWELL A. Walter. Enciclopédia Histórica Teológica da Igreja Cristã. Soc. Religiosa Edições Vida Nova, 1988.
Septuaginta, Versão dos LXX, ou Alexandrina, é uma tradução do Antigo Testamento hebraico para o grego feita em Alexandria, a mando de Ptolomeu II (Filadelfo) (284-247 a.C.). Alguns livros não pertencentes ao cânon judaico foram incluídos nessa versão: (Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, I e II Macabeus, e acréscimos aos livros de Ester e Daniel). Jerônimo verteu para a Vulgata Latina, explicando que tais livros não pertenciam às Escrituras Sagradas judaicas. Mas o Concílio de Trento, em 1548, os anexou ao Antigo Testamento, classificando-os como “Deuterocanônicos”. Para os judeus, e para os evangélicos, porém, continuam sendo “apócrifos”, úteis apenas como subsídios ao estudo da história e da cultura judaica, mas sem a autoridade dos livros canônicos, inspirados por Deus.
IUXTA VULGATAM VERSIONEM Robertus Weber, Editio Altera Emendata, Stuttgart,1975.
Primeira edição completa da Bíblia Católica. Lisboa, MDCCC XVIIII. Na Officina da Acad. R. das Sciencias com licença da Meza do Desembargo do paço e privilégio.
(Didaché Ton Apostollon). O Ensino dos Apóstolos, XIV. Libros Clie. Barcelona, Espanha.
R.N.Chaplin & J.M. Bentes. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. 1991, vol. 2, p.213.
IGNÁCIO. (Pros tous magnesiai). Aos magnesianos IX.
Evangelios Apócrifos. Vol. 1, p.323-5. Hyspamérica ediciones S.A.Santiago, 12. 28013 Madrid, 1985.
Epístola de Barnabé, 15. LIGHTFOOT, J. B. Los Padres Apostólicos, p. 299-301- Libros Clie. Barcelona, Espanha.
R.N.Chaplin & J.M. Bentes. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. 1991, vol. 2, p. 214.



terça-feira, 15 de julho de 2014

A igreja que Cristo está edificando -   Mateus 16:13-18.



Que igreja é esta? Como é esta igreja? Quais são suas marcas? Onde pode ser encontrada?  Há cinco coisas nessas famosas palavras que requerem a nossa atenção: 1) Uma construção: “Minha igreja”; 2) Um construtor. Jesus diz: “Edificarei minha igreja”. 3) Um fundamento: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja”. 4) Perigos implícitos: “As portas do inferno”. 5) Uma declaração de segurança: “as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

1)    Uma construção.
·        Que igreja é essa? A igreja de nosso texto não é uma construção material. Não é um templo feito por mãos, não é de madeira, de tijolo, de pedra ou de mármore.  É um ajuntamento de homens e mulheres.

·        A igreja do nosso texto é formada por todos os crentes verdadeiros no Senhor Jesus Cristo, por todos os que realmente são santos e convertidos.  Ela abrange todos quantos já se arrependeram do pecado; buscaram refugio em Cristo, pela fé e foram feitos novas criaturas. Todos: receberam a graça de Deus; foram lavados no sangue de Cristo; foram vestidos com a justiça de Cristo; todos nasceram de novo e foram santificados pelo espírito de Cristo.  Todos esses, de todo nome, posição e nação, e povo e língua, compõem a igreja. Este é o corpo de Cristo. Este é o rebanho de Cristo. Esta é a noiva de Cristo, a esposa do Cordeiro.

2)    Um construtor.
·        Deus Pai escolhe; Deus Filho redime; e Deus Espírito Santo santifica cada membro do corpo de Cristo. Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, três Pessoas em um único Deus, cooperam para a salvação de toda alma que é salva.

·        Todavia, nosso texto diz: “Eu edificarei”. Nós fomos chamados pelo Senhor Jesus Cristo (Rm 1.6). É Cristo quem os vivifica (João 5.21). É Cristo quem os liberta do pecado (Ap. 1.5). É Cristo quem lhes dá a paz (Jo 14.27).  É Cristo quem lhes dá a vida eterna (Jo 10.28).  É Cristo quem os capacita a se tornarem filhos de Deus (Jo 1.12).

·        Cristo é o autor e Consumador da fé. Ele é a vida. Ele é o cabeça. Através dEle, toda junta e todo membro do corpo místico de cristãos é suprido. Através de Cristo, somos fortalecidos para cumprir o nosso dever.

·        Jesus escolhe, as pedras mais impróprias e brutas e as encaixa à obra mais excelente. Ele não despreza, nem rejeita nenhuma delas por causa de seus pecados anteriores e transgressões passadas. Ele , muitas vezes, faz com que fariseus e publicanos se tornem colunas de sua casa (Is. 43.13).

3)    Um fundamento.
·        O Senhor Jesus nos diz: “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja”. Queria dizer que era o apostolo Pedro – com quem Ele estava falando? Não! Se intentava dizer que era Pedro, por que não disse: “Sobre ti edificarei a minha igreja”.  Não, Jesus não falava do Apóstolo Pedro, e sim da confissão verdadeira que o apóstolo havia acabado de fazer. Jesus era a rocha (Ef. 2.20; 1 Pe 2.6).

·        Foi preciso que o Filho de Deus tomasse nossa natureza sobre Si e vivesse com essa natureza; sofresse e morresse, não pelos seus próprios pecados, mas pelos nossos (Is 53.5). Jesus foi ao sepulcro com essa natureza e ressuscitou, subiu ao céu com essa natureza e está assentado a direita de Deus Pai, obtendo redenção eterna para todo o seu povo.

4)    Perigos implícitos.
·        “as portas do inferno”. Essa expressão deve ser compreendida como sendo o “poder do príncipe do inferno”, ou seja, do próprio diabo. O diabo odeia a Igreja de Cristo com um ódio infinito. Ele sempre levanta oposição contra todos os seus membros. Se o diabo não puder ferir o Cabeça (Cristo), ferirá o calcanhar.

·        Esse combate tem sido uma sarça ardente, embora não consumida; uma mulher fugindo para o deserto, embora não engolida pela terra (Ex 3.2; Ap. 12.6,16). A igreja visível tem seus tempos de prosperidade e períodos de paz, porém nunca tem havido tempo de paz para a verdadeira igreja. Sua batalha nunca termina.

·        Quem eram os homens como Paulo (2 Cor 12.7) Tiago (Tg 1.2), Pedro (1 Pe 5.8), João (Ap. 1.9), Policarpo, Agostinho, Lutero, Calvino, etc... senão soldados engajados em uma luta constante?

·        Alguns conselhos:
a)     Não se surpreenda diante do inimigo que vem das portas do inferno: Se vós fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu (Jo 15.19). Enquanto o mundo continuar sendo mundo, e o diabo continuar sendo diabo, haverá um combate, e os crente em Cristo deverão ser soldados.
b)    Esteja preparado para o inimigo que vem das portas do inferno. Revesti-vos de toda a armadura de Deus. A torre de Davi contém milhares de escudos, todos prontos para serem usados pelo povo de Deus.
c)     Seja paciente quando for provado pelo inimigo que vem das portas do inferno. Isso está cooperando para o seu bem e tende a produzir santificação. Isso o manterá em alerta e o tornará humilde.

CONCLUSÃO: aplicação prática.
·        Você é um membro da verdadeira igreja de Cristo? Não estou falando de um prédio ou capela. Falo “da igreja que está edificada sobre a rocha”. Voce recebeu o Espírito Santo? O Espírito testifica com o seu espírito que você é um com Cristo, e que Cristo é um com você?  Senão, chegou o dia da decisão pra você!

·        Empenhe-se para ter uma vida santa. Ande de modo digno da igreja a qual você pertence. Viva como cidadão do céu. Deixe que a luz brilhe diante dos homens, de modo que o mundo possa ser beneficiado através de sua conduta.  SEJA UMA CARTA DE CRISTO, CONHECIDA E LIDA POR TODOS OS HOMENS.

·        Empenhe-se para uma vida de coragem. Confesse a Cristo diante dos homens. Qualquer que seja a posição que você ocupe, confesse a Cristo nessa posição. Porque se envergonharia dEle? Ele não se envergonhou de você na cruz. O bom soldado não se envergonha do próprio uniforme.